Goethe alemão sob críticas por contratação de freelancers | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 08.02.2017
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Alemanha

Goethe alemão sob críticas por contratação de freelancers

Sistema de aposentadoria da Alemanha questiona contratos temporários de professores autônomos do Instituto Goethe. Imbróglio pode levar a redução temporária na oferta de cursos de alemão e exames de proficiência.

O Instituto Goethe, a mais conhecida instituição de ensino da língua alemã, está sendo questionado pelo sistema alemão de aposentadorias, a Deutsche Rentenversicherung, sobre a contratação de professores freelancers para seus cursos de alemão.

O imbróglio, tornado público na sexta-feira passada (03/02), poderá levar a uma redução temporária na oferta de cursos e exames de proficiência nas unidades alemãs, já que o instituto suspendeu as novas contratações. "Faremos todo o possível para manter a oferta de cursos", afirmou uma porta-voz do Goethe à agência de notícias AFP.

Uma avaliação da Deutsche Rentenversicherung, ainda não concluída, mira os contratos de curta duração que são renovados constantemente, muitas vezes ao longo de anos, pelo instituto. A entidade questiona se os profissionais contratados dessa maneira podem mesmo ser considerados freelancers, como defende o Goethe.

Segundo o sindicato dos educadores GEW, há um grande número de casos que não podem ser considerados freelancers. Já o Goethe afirmou que há anos contrata autônomos para lecionar alemão e que a "legalidade da prática foi inúmeras vezes atestada".

A contratação de freelancers é mais barata para as empresas alemãs, pois elas muitas vezes ficam dispensadas do pagamento de encargos sociais, como férias e contribuição para a aposentadoria.

O site Spiegel Online entrevistou uma professora de alemão da filial de Düsseldorf. Ela relatou que trabalha há mais de dez anos para o Instituto Goethe. "Do ponto de vista social, as condições de trabalho são escandalosas", afirmou. Segundo ela, apesar de fazer o mesmo trabalho que seus colegas contratados, ela não tem direito a férias nem a receber por dias de licença médica.

Segundo o Spiegel Online, a situação atinge cerca de 400 professores de alemão contratados como freelancers nas 12 unidades que o Instituto Goethe mantém na Alemanha. Ao contrário das filiais no exterior, as unidades alemãs não recebem ajuda do governo alemão e se mantêm com a oferta de cursos de alemão e provas de proficiência na língua.

O site afirma que esses profissionais são contratados por um curto período, de duas a oito semanas, e que os contratos são renovados constantemente, às vezes ao longo de muitos anos. O salário líquido de um professor contratado nessas condições gira entre 1.400 e 2.000 euros, afirma o site. Ainda assim, o Goethe é o que melhor paga no ramo, com cerca de 37 euros por hora-aula.

Com a investigação da Deutsche Rentenversicherung, o Goethe suspendeu as contratações temporárias de professores de alemão. O instituto afirmou ter adaptado sua oferta de cursos à nova situação e que pode garantir a manutenção de mais de dois terços de seus cursos e provas. Além disso, 45 professores foram contratados de forma emergencial, como funcionários.

O Instituto Goethe é uma das principais instituições de ensino de alemão na Alemanha e a primeira escolha de muitos brasileiros que pretendem estudar ou trabalhar no país. No ano letivo de 2015-2016, 38 mil estudantes de todo o mundo frequentaram as salas de aula das 12 unidades distribuídas pelo país.

PV/afp/dpa/ots

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