Funcionários da Daimler protestam contra transferência de produção para os EUA | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 02.12.2009
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Economia

Funcionários da Daimler protestam contra transferência de produção para os EUA

Trabalhadores da fábrica da Daimler em Sindelfingen, nos arredores de Stuttgart, querem garantias de que a transferência de produção para os EUA e Bremen não comprometa os 20 mil empregos locais.

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A Daimler quer economizar com transferência de produção

Milhares de trabalhadores paralisaram, nesta quarta-feira (4/12), a linha de produção da fábrica da Daimler em Sindelfingen, no sul da Alemanha, como protesto contra os planos da montadora de transferir parte da produção do Mercedes Classe C da Alemanha para os EUA. A produção do modelo na fábrica em Bremen também será ampliada a partir do ano 2014, conforme anunciou a companhia em Stuttgart

Enquanto a administração da companhia pretende economizar com a transferência da montagem do Classe C para fábricas americanas, os trabalhadores alemães temem perder seus empregos. Depois de um dia inteiro de protestos, os funcionários fizeram uma primeira paralisação nesta quarta-feira (2/12) e pretendem desacelerar a montagem do Mercedes-Benz Classe E nas próximas semanas.

Medidas compensatórias

A partir de 2014, o Classe C não será mais produzido na fábrica de Sindelfingen. A produção será em parte transferida para os Estados Unidos e também para Bremen, onde serão montados os modelos destinados ao mercado europeu.

Como compensação para a perda do Classe C, a fábrica de Sindelfingen ganhará a produção do modelo SL, que até agora vinha sendo montado em Bremen. Além disso, a Daimler anunciou introduzir outras medidas compensatórias para Sindelfingen, devido à perda do Classe C. A empresa prometeu que os empregos dos funcionários da fábrica serão mantidos.

“A Alemanha continua sendo o coração na produção do nosso grupo. Com a reestruturação e ampliação da montagem do Classe C nos Estados Unidos, a companhia lança as bases para continuar competitiva”, afirmou o chefe do departamento de recursos humanos e relações trabalhistas, Wilfried Porth. Segundo ele, dos 20 mil funcionários empregados na linha de produção de Sindelfingen menos de 4 mil trabalham no Classe C.

O diretor do conselho de empresa, Erich Klemm, por sua vez, criticou a decisão da diretoria da Daimler. Os funcionários reivindicam garantias de que os postos de trabalho em Sindelfingen sejam mantidos no futuro. “As pessoas precisam de segurança e de perspectivas aqui na fábrica”.

Os representantes dos funcionários prometeram fazer resistência contra as novas medidas. Estão previstas reações de protesto, como a suspensão das jornadas de sábado até o Natal e assembleias de funcionários de todos os setores de produção da fábrica, anunciou Klemm.

Economia de 2 mil euros

Com a ampliação da linha de montagem nos EUA de 1,2 mil para 4 mil postos de trabalho, a Daimler poderá – a partir de 2014 – vender o Classe C a preços mais atraentes para países em desenvolvimento e para a América do Norte. O montante a ser economizado por unidade é de 2 mil euros.

O conselho administrativo da Daimler está preocupado com o dólar fraco, um fator que dificulta as exportações. De um total de 1,27 milhão de automóveis comercializados, a Mercedes vendeu 440 mil unidades do Classe C no ano passado, 80 mil deles somente nos Estados Unidos.

Na fábrica americana de Tuscaloosa, onde no momento são montados automóveis off road e Classe R, a hora de trabalho custa cerca de 30 euros, enquanto na Alemanha esse valor é de aproximadamente 50 euros.

Na Europa Ocidental, a Daimler monta hoje 80% de seus automóveis na Europa Ocidental, vendendo em contrapartida menos de 60% da produção. A partir de 2014, 60% dos veículos Classe C serão montados em Bremen, quase 20% nos EUA e cerca de 10% na África do Sul e na China, respectivamente.

Autor: Christof Gaißmayer / Marcio Damasceno
Revisão: Simone Lopes

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