Frente Nacional tenta refundação após derrota em eleição | Notícias internacionais e análises | DW | 10.03.2018
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França

Frente Nacional tenta refundação após derrota em eleição

Durante congresso, partido extremista tenta definir orientação política e escolhe novo nome. O que não muda é a presidente: Marine Le Pen será reeleita para o cargo que ocupa desde 2011.

Steve Bannon e Marine Le Pen

Steve Bannon falou aos filiados da Frente Nacional, reunidos em Lille, ao lado de Marine Le Pen

A Frente Nacional praticamente desapareceu do radar político na França nos últimos meses. O partido extremista ganhou alguns poucos assentos na Assembleia Nacional na eleição de junho de 2017, mas não conseguiu o número mínimo para formar uma bancada parlamentar e tem, assim, direitos restritos de falar no Parlamento. A líder do partido, Marine Le Pen, deu poucas entrevistas, em franco contraste com suas anteriores aparições frequentes na mídia.

O silêncio ilustra o que foi percebido como uma esmagadora derrota na eleição presidencial de maio. Le Pen, a candidata da Frente Nacional, conseguiu 33,9% dos votos no segundo turno, que disputou contra o atual presidente, Emmanuel Macron. O resultado é recorde para o partido, mas os apoiadores esperavam no mínimo 40%.

Mais do que isso, ele ficaram profundamente decepcionados com o desempenho de Le Pen no debate televisivo contra Macron. Ela se mostrou despreparada para o cargo e mal informada sobre temas importantes, especialmente os econômicos. "Ela não apenas pareceu incompetente de uma para a outra – as pessoas ficaram se perguntando se ela queria mesmo estar no poder", comenta o sociólogo Sylvain Crépon, da Fundação Jean-Jaurès. "E isso faz sentido se você pensar bem – afinal, ela sempre se recusou a ser prefeita ou a assumir um cargo executivo em nível local", acrescentou.

Essa imagem conflita com a que Le Pen construiu para si desde que assumiu o comando do partido, em 2011. Ela iniciou um processo de desdemonização da Frente Nacional para torná-la mais atraente para eleitores de centro. Para isso, ela se afastou do pai e fundador da Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen, e de suas declarações antissemíticas e incorporou mais políticas sociais à plataforma do partido.

Uma nova orientação para o partido

Este fim de semana (10 e 11/03), um congresso em Lille pretende encerrar a má fase, depois de meses de análise interna. Nos últimos meses, membros da direção da Frente Nacional visitaram as regiões da França para se encontrar com ativistas do partido. Os mais de 50 mil filiados também receberam um questionário sobre a orientação futura do partido. Em oito páginas, ele aborda questões sobre a Europa, imigração, temas sociais, educação, políticas familiares e meio ambiente.

A Frente Nacional anunciou os resultados do questionário no evento em Lille, com o objetivo de esclarecer a orientação do partido. Dos cerca de 30 mil filiados que responderam, 67% se declararam a favor de sair da zona do euro, e 90% querem um referendo sobre a permanência na União Europeia. A saída do espaço Schengen é apoiada por 82%, e 98% querem uma limitação "drástica" da imigração.

Além de debater os rumos partidários, ativistas vão eleger os integrantes dos órgãos executivos e também um novo nome para o partido. Um convidado especial do evento é Steve Bannon, ex-assessor do presidente americano, Donald Trump. Le Pen, como candidata única, será reeleita para a presidência. "Para ela é a oportunidade de um recomeço. Ela quer reavivar suas ligações com os membros do partido e se preparar para as eleições europeias do ano que vem", comenta o diretor do Observatório para Radicalismo Político, Jean-Yves Camus.

Pressão para abandonar imagem "soft"

Mas o historiador Hervé Le Bras, da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, avalia que a refundação terá um preço. Ele tem analisando tendências eleitorais desde os anos 1970, quando a Frente Nacional foi fundada. "Le Pen conseguiu ampliar a base eleitoral do partido de 20% para 34% no segundo turno da eleição presidencial por meio da sua estratégia de desdemonização", comenta.

"Mas, desde a eleição, cresce a pressão para que Le Pen se afaste dessa imagem soft. Se isso acontecer, a Frente Nacional vai perder esses potenciais votos adicionais", acrescenta Le Bras. A desunião interna ficou evidente com a saída do ex-vice-presidente Florian Philippot – e, com ele, da ala mais social – para fundar seu próprio grupo político, Os Patriotas.

Le Pen também precisa contrabalancear a popularidade de sua sobrinha, Marion Maréchal-Le Pen. Ela é vista como a única a ter condições – tanto carisma como sobrenome – para desafiar a tia na liderança da Frente Nacional. Maréchal-Le Pen representa a ala extremista e é próxima ao avô e fundador, que foi várias vezes condenado por xenofobia e antissemitismo.

Por ora, Maréchal-Le Pen deu um tempo na política e anunciou que não vai tentar renovar seu mandato parlamentar. Mas muitos observadores acreditam que ela tentará voltar em breve. "Assim, Marine Le Pen terá que falar mais sobre temas como identidade francesa e luta contra a imigração e o que ela chama de islamização – isso para trazer os aliados de Marion para sua tutela", diz Le Bras.

Para ele, o partido dificilmente conseguirá repetir o resultado da eleição europeia de 2014, quando conquistou 24 mandatos, pois a concorrência no campo eurocético e antiglobalização aumentou. À esquerda há A França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon, e na centro-direita o partido Os Republicanos, liderado pelo ultraconservador Laurent Wauquiez, também tenta embarcar na onda do euroceticismo e poderá tirar votos da Frente Nacional.

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