França não vai ceder ao terror, afirma Macron | Notícias internacionais e análises | DW | 29.10.2020

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Europa

França não vai ceder ao terror, afirma Macron

Em Nice, presidente francês condena atentado que matou três, e anuncia que vai mais que dobrar contingente de soldados antiterrorismo. França é alvo da "loucura islâmica por permitir que todos creiam livremente", diz.

O presidente francês, Emmanuel Macron, de máscara, entre policiais e políticos, também de máscara

Macron visitou a Basílica Notre-Dame em Nice após o atentado na manhã desta quinta-feira

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que o país "não cederá" ao terror depois do atentado que deixou três mortos, incluindo uma mulher que foi degolada, na cidade de Nice, no sul da França, nesta quinta-feira (29/10).

Falando em frente à Basílica Notre-Dame, dentro da qual um homem armado com uma faca matou duas mulheres e um homem, o presidente classificou o ato como um "atentado terrorista islâmico" e disse que a França estava sob ataque.

Macron anunciou que vai mais que dobrar o número de soldados destinados a proteger o país de atentados, aumentando o contingente dos atuais 3.000 para 7.000 militares, que serão enviados para proteger principalmente escolas e instituições religiosas.

Segundo o líder francês, esse aumento permitirá a proteção de locais de oração durante o feriado cristão de Todos os Santos, em 1º de novembro, e das instituições de ensino durante o retorno das férias de outono, que ocorre a partir da próxima semana.

Macron ainda disse ter convocado uma reunião do Conselho de Defesa para esta sexta-feira, durante a qual serão acertadas mais medidas, e prometeu "responder com firmeza e unidade" ao ataque em Nice, o terceiro a atingir o país em apenas um mês.

Segundo o presidente, a França está na mira da "loucura islâmica" por seus valores, "seu gosto pela liberdade, e por permitir que todos creiam livremente, sem ceder ao terror".

"Repito com muita clareza hoje: não cederemos a nada", disse ele, afirmando que o atentado desta quinta foi "um ataque a toda a França", mas sobretudo "à comunidade católica". "Não cedam às divisões", pediu o mandatário.

O atentado ocorreu por volta das 9h da manhã (horário local). Um homem e uma mulher foram mortos dentro da basílica, e uma terceira pessoa, uma brasileira, foi gravemente ferida e morreu num café nas imediações, onde ela havia se refugiado, segundo policiais.

O agressor, que teria gritado "Allahu Akbar" (Deus é grande, em árabe) ao perpetrar o ataque, foi ferido a tiros pela polícia e levado a um hospital. O promotor antiterrorismo da França, Jean-François Ricard, disse que o suspeito é um cidadão tunisiano nascido em 1999.

Ele chegou à ilha italiana de Lampedusa, ponto de entrada para migrantes que cruzam em barcos a partir do Norte da África, em 20 de setembro, e viajou para Paris em 9 de outubro. O promotor não especificou quando o agressor chegou a Nice. O tunisiano não estava no radar das agências de inteligência como uma ameaça potencial.

Câmeras de vídeo gravaram o homem entrando na estação de trem de Nice às 6h47, onde ele trocou os sapatos e virou o casaco do avesso, antes de se dirigir à igreja, a cerca de 400 metros de distância. Ele chegou à basílica por volta das 8h30.

Ricard afirmou que o agressor carregava uma cópia do Alcorão, livro sagrado do Islã, e dois telefones. Uma faca com lâmina de 17 centímetros usada no ataque foi encontrada perto dele, junto com uma bolsa contendo outras duas facas não utilizadas no atentado.

O governo da França elevou o nível de alerta terrorista em todo o país após o atentado, segundo anunciou o primeiro-ministro Jean Castex, que prometeu uma resposta "firme, implacável e imediata", diante dos parlamentares da Assembleia Nacional.

Assistir ao vídeo 02:14

França em estado de alerta após atentado em Nice

Ataques na França

O atentado ocorreu num momento em que a França está em alerta para atos terroristas em meio a tensões envolvendo caricaturas do profeta Maomé.

Em 16 de outubro, o professor de história Samuel Paty foi decapitado por um extremista islâmico nas proximidades de Paris, após ter exibido caricaturas do profeta em sala de aula, durante uma discussão sobre liberdade de expressão.

Em uma cerimônia de homenagem ao professor, Macron defendeu a liberdade de expressão e o direito de divulgar caricaturas no país, incluindo de Maomé, e acabou virando alvo de uma onda de indignação no mundo muçulmano, onde têm se multiplicado os apelos ao boicote de produtos franceses e os protestos.

Já em 25 de setembro passado, duas pessoas foram esfaqueadas perto do local onde ficava a antiga sede do jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris. O autor do atentado disse que não conseguiu suportar a nova publicação de caricaturas de Maomé pelo jornal, que em janeiro de 2015 fora alvo de um atentado por causa da publicação dessas caricaturas. Na ocasião, dois extremistas islâmicos mataram 12 pessoas.

Nice, por sua vez, foi alvo de um massacre em 2016 que deixou 86 mortos na Promenade des Anglais, a avenida beira-mar da cidade, no dia 14 de julho, a data nacional francesa. Um tunisiano de 31 anos avançou com um caminhão sobre a multidão reunida no local.

EK/afp/ap/efe/rtr/ots

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