″Foi o pior momento da minha vida″ | Notícias internacionais e análises | DW | 15.01.2018
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Mundo

"Foi o pior momento da minha vida"

Havaianos descrevem os 38 minutos de pânico após receberem um falso alarme de míssil: "Ninguém sabia o que fazer." Equívoco levanta dúvidas quanto a preparo do governo para emergência real.

Funcionários da Agência de Gestão de Emergências do Havaí

Funcionário da Agência de Gestão de Emergências do Havaí teria apertado botão por engano

Quando Jonathan Scheuer recebeu no celular o alerta - que mais tarde se revelaria falso - de que um míssil balístico estava a caminho do Havaí, ele e a família não sabiam o que fazer. "Para onde vamos?", se perguntou o morador. Eles decidiram, então, que seria mais seguro permanecer no piso térreo de sua casa, em Honolulu.

"Claramente há uma lacuna imensa entre informar as pessoas de que algo vai acontecer e ter algo que elas possam fazer", disse Scheuer. "Ninguém sabia o que fazer."

Leia também: Falso alarme de míssil no Havaí é alvo de críticas

Moradores e turistas permaneceram chocados no dia seguinte ao alerta, disparado no último sábado (13/01), por engano, para celulares em todo o arquipélago havaiano, com as palavras: "Isto não é uma simulação."

De acordo com instruções distribuídas anteriormente pelo governo, em caso de um alarme de ataque como esse, a população deveria buscar abrigo imediatamente num edifício ou outra "estrutura substancial". O Estado recomenda ter em casa um kit de sobrevivência de água e comida para 14 dias.

USA | Falschmeldung - nordkoreanischer Raketenangriff auf Hawaii (Reuters)

"Míssil balístico se aproximando do Havaí. Busque abrigo imediatamente. Isso não é um teste"

Passaram 38 minutos até que o alerta fosse desmentido, e muitos residentes do Havaí responderam a ele, buscando refúgio em corredores e porões.

"Foi o pior momento da minha vida. Todo mundo estava em pânico", disse a havaiana Alison Teal. "Viajando pelo mundo como aventureira, já estive em situações muito assustadoras, de tempestades de neve a tubarões e lava. Nada foi tão aterrorizante quanto um míssil vindo para matar todo mundo que você conhece e ama."

Lauren McGowan, de férias em Maui com familiares e amigos, estava indo tomar café dá manhã quando recebeu o alerta. Eles voltaram rapidamente para o hotel, onde os funcionários os levaram, junto com cerca de outras 30 pessoas, a uma lanchonete no porão, onde não havia sinal telefônico. Ali, distribuíram água e comida.

O alerta e a pressa para se abrigar causaram "confusão", especialmente para as crianças, conta McGowan. "Ninguém tinha ideia do que realmente estava acontecendo."

O usuário do Twitter Andy Priest contou que seus pais pensaram que iriam morrer quando o alarme soou. "Meu pai disse que se era a hora de eles partirem, ele queria ficar olhando para o mar e apreciando a vista", escreveu.

Vários jogadores de golfe que participavam do torneio US PGA Tour's Sony Open, em Honolulu, também reagiram alarmados ao episódio.

"Embaixo de colchões na banheira com minha esposa, bebê e sogros", escreveu o jogador americano John Peterson no Twitter. "Por favor, Senhor, que esta ameaça de bomba não seja real."

Lisa Foxen, que vive no leste de Honolulu , disse que a melhor coisa que o susto trouxe foi que ele obrigou sua família a elaborar um plano para o caso de uma ameaça real.

"Eu sabia o que fazer num furacão. Eu sabia o que fazer num terremoto. Mas o míssil era algo novo para mim", disse.

Ceticismo após alarme falso

O alerta, que fez com que mais de um milhão de pessoas acreditassem que estavam prestes a serem atingidas por um míssil, foi disparado durante uma troca de turno na Agência de Gestão de Emergências do Havaí. Ao realizar um teste de rotina, um funcionário apertou o botão errado, segundo autoridades.

O alarme falso do fim de semana provocou ceticismo quanto à capacidade do governo de informar a população no caso de uma emergência real, num momento em que a Coreia do Norte vem realizando uma série de testes de mísseis e nucleares. Pyongyang afirma ter ogivas atômicas capazes de atingir os Estados Unidos, inclusive o arquipélago do Havaí.

Após o erro, a Agência de Gestão de Emergências mudou seus protocolos, passando a exigir que duas pessoas enviem um alerta e tornou mais fácil o cancelamento de um alerta equivocado – o que no sábado levou 38 minutos.

Turistas e residentes receberam o falso alerta um mês depois de o Havaí testar seu sistema de sirenes para um ataque nuclear. O governo local vai realizar a simulação – o primeiro do tipo desde a Guerra Fria – uma vez por mês.

LPF/ap/afp

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