Finlândia sugere que UE pare de importar carne brasileira | Notícias internacionais e análises | DW | 23.08.2019
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Mundo

Finlândia sugere que UE pare de importar carne brasileira

País que detém a presidência rotativa da União Europeia pede ao bloco que considere suspender as importações de carne bovina devido à destruição na Amazônia. Irlanda e França dizem que não vão apoiar acordo com Mercosul.

Carne bovina em frigorífico

Em 2018, Brasil exportou 118,3 mil toneladas de carne bovina para a UE, o que rendeu 728 milhões de dólares

O governo da Finlândia, que no momento detém a presidência rotativa da União Europeia (UE), declarou nesta sexta-feira (23/08) que vai propor aos países do bloco uma suspensão geral da importação de carne bovina brasileira por causa das queimadas que atingem a Amazônia.

"O ministro das Finanças, Mika Lintilä, condena a destruição das florestas na Amazônia e sugere que a UE e a Finlândia revisem com urgência a possibilidade de banir as importações de carne bovina brasileira", afirmou, em comunicado, o Ministério das Finanças da Finlândia.

Em 2018, o Brasil exportou 118,3 mil toneladas de carne bovina para a União Europeia, que renderam 728 milhões de dólares, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). 

Nos últimos dias, vários países europeus vêm manifestando preocupação com as queimadas que atingem a Amazônia e com o aumento do desmatamento na região, que registrou uma alta de 278% em julho em relação ao mesmo mês do ano passado.

O governo de Jair Bolsonaro vem reagindo mal às críticas dos europeus e passou a acusá-los de "interferência" e "colonialismo". O presidente ainda contesta dados que apontam o aumento do desmatamento e chegou a sugerir, sem qualquer prova, que ONGs estão por trás das queimadas.

Na quinta-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu que a destruição da Floresta Amazônica seja abordada na cúpula do G7, que ocorre a partir desta sexta em Biarritz, no sudoeste da França. A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, apoiou a proposta.

Nesta sexta-feira, Macron elevou o tom contra Bolsonaro e disse que o presidente brasileiro "mentiu" durante a reunião do G20 em Osaka, em junho, quando se comprometeu a preservar o meio ambiente e apoiar a permanência do Brasil no Acordo de Paris sobre o clima.

Macron afirmou ainda que, diante dessas circunstâncias, a França vai se opor ao acordo de livre-comércio fechado entre a UE e o Mercosul, que ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos dos países-membros do bloco.

Em junho, Macron havia dito que o desfecho das negociações só foi bem-sucedido porque Bolsonaro se comprometeu a defender a preservação da biodiversidade.

"Dada a atitude do Brasil nas últimas semanas, o presidente da República [francesa] só pode constatar que o presidente Bolsonaro mentiu para ele na cúpula [do G20] em Osaka", disse o governo francês em comunicado nesta sexta-feira.

Atitude similar foi adotada pela Irlanda, cujo governo também é pressionado por pecuaristas locais, que veem com desconfiança o acordo de livre-comércio com o Mercosul. 

"Não há nenhuma chance de votarmos a favor se o Brasil não honrar seus compromissos ambientais", escreveu o primeiro-ministro Leo Varadkar, em comunicado divulgado no fim da noite de quinta-feira.

Varadkar ainda disse estar "muito preocupado" com o aumento das queimadas na Amazônia. "Os esforços do presidente [brasileiro] em culpar ONGs ambientalistas pelo fogo são orwellianos", completou o irlandês, fazendo referência ao escritor britânico George Orwell, que em seu livro 1984 aborda a distorção dos fatos e da verdade por um governo totalitário.

JPS/ots/rtr

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