Feira de Frankfurt entre liberdade de expressão e pressão da China | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 13.09.2009
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Cultura

Feira de Frankfurt entre liberdade de expressão e pressão da China

Ao escolher a China como país de destaque neste ano, a Feira do Livro de Frankfurt se colocou numa posição no mínimo incômoda. Simpósio sobre a China mostra como é difícil agradar gregos e troianos.

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China como país de destaque: uma escolha delicada

"A literatura da China tem que denunciar os desmandos e os tabus existentes no país", declarou Mo Yan, um dos escritores chineses mais bem-sucedidos no exterior. Com essa afirmação e outras críticas ao regime chinês, encerrou-se – neste domingo (13/09) – um conflituoso simpósio organizado um mês antes do início da Feira do Livro de Frankfurt, na qual a China será o país homenageado entre 14 de 18 de outubro.

O simpósio de dois dias sobre o tema "China e o mundo: percepção e realidade" se tornou alvo de críticas nesta semana, após a Feira do Livro de Frankfurt ter desconvidado dois autores por pressão do governo chinês. A jornalista e ambientalista Dai Qing e o poeta Bei Ling, exilado nos EUA, viajaram a Frankfurt apesar do cancelamento do convite e acabaram sendo chamados à mesa de debate pelos organizadores.

Dissidentes e delegação oficial face a face

No domingo, Dai Qing exigiu uma lei de imprensa para permitir a criação de editoras livres na China. Desde a repressão do movimento democrático, em 1989, a ativista não pôde mais publicar nenhum livro no país.

Bei Ling, por sua vez, expressou no simpósio o desejo de retornar a seu país algum dia e obter o respeito que merece. Ling for preso na China por "publicações ilegais" em 2000, conseguindo sair do cárcere pouco tempo depois, com ajuda norte-americana.

Durante o simpósio, os representantes oficiais da China declararam que, ao longo das últimas décadas, o país vem promovendo avanços na garantia de direitos fundamentais, como a liberdade de opinião.

O ex-embaixador da China na Alemanha Mei Zhaorong argumentou que seu país, com 1,3 bilhão de habitantes, tem que priorizar o "bem-estar coletivo" em se tratando de direitos humanos.

Quebra de protocolo em Frankfurt

O evento, com temas como a crise econômica e os problemas ambientais na China, começou com um conflito. Quando os dissidentes tomaram a palavra, após serem convidados à mesa pelos organizadores da feira e pelo P.E.N. Clube alemão, a delegação oficial chinesa abandonou o auditório. Só após uma desculpa pública da direção da feira aos representantes chineses, pôde-se dar continuidade ao evento.

A direção se desculpou por não ter comunicado de antemão à delegação chinesa o teor das declarações de Dai Qing e Bei Ling. Afinal, o evento não foi concebido como tribunal e sim como plataforma para viabilizar um diálogo.

O ex-embaixador Mei declarou que os representantes chineses não compareceram ao evento para receber aulas de democracia. Os dissidentes, por sua vez, lamentaram a saída da delegação chinesa do auditório, argumentando que a China não tem apenas uma voz, mas sim muitas vozes independentes.

SL/dpa/epd
Revisão: Alexandre Schossler