Falta de estrutura central dificulta atuação dos muçulmanos alemães | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 11.07.2007

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Alemanha

Falta de estrutura central dificulta atuação dos muçulmanos alemães

A falta de uma estrutura central e a escassez de teólogos são obstáculos ao reconhecimento do islamismo como uma comunidade religiosa na Alemanha, afirma periódico suíço.

Prece numa mesquita de Colônia

Prece numa mesquita de Colônia

Na Alemanha, vivem aproximadamente 3 milhões de muçulmanos, o que corresponde a pouco mais de 3,5% da população. Isso é o que se estima por alto, pois não existem números precisos.

Segundo avaliou diário suíço Neue Zürcher Zeitung recentemente, o fato de a questão muçulmana ser tão presente na atual discussão política e na opinião pública alemãs não se deve tanto ao peso demográfico desta religião, mas sim aos problemas sociais decorrentes da falta de integração.

O islamismo não dispõe de uma estrutura centralizada no molde das Igrejas cristãs e nem do status de corporação com membros registrados, com o qual ela poderia receber contribuições fiscais. Além disso, o islã não é reconhecido nem sequer como comunidade religiosa na Alemanha.

Luta de 20 anos pelo reconhecimento oficial

A luta pelo reconhecimento da comunidade religiosa islâmica começou no início dos anos 80. Na época, todas as associações muçulmanas alemãs se agruparam no chamado Grupo de Trabalho Islâmico, a ser dissolvido posteriormente com a saída dos fundamentalistas.

Atualmente, os muçulmanos alemães estão organizados em três associações principais: o Conselho do Islã, conservador ortodoxo, a União Turco-Islâmica do Instituto para Religião (Ditib) e o Conselho Central dos Muçulmanos. Essas estruturas representam, no entanto, os muçulmanos freqüentadores das mesquitas, o que soma no máximo 15% da população que se dá por islâmica.

Integração pelo ensino

A importância do reconhecimento do islamismo como comunidade religiosa oficial é grande. Afinal, só com este status se pode viabilizar o ensino religioso nas escolas. Esta solução não apenas seria um passo decisivo no sentido da aceitação social do islamismo na Alemanha, mas também diminuiria o risco de o ensino religioso islâmico ser monopolizado por escolas fundamentalistas do Corão.

Ainda segundo o Neue Zürcher Zeitung, o que mais compromete o diálogo com a comunidade muçulmana é a falta de téologos. As associações islâmicas são dirigidas por leigos e não por imãs, o que dificultaria – por exemplo – encontrar interlocutores para se elaborar de um currículo escolar para o ensino do islamismo. Fato é que a divergência entre as diversas correntes do islamismo também torna difícil o estabelecimento de uma doutrina a ser adotada como base do ensino religioso. (sm)

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