Executiva da Huawei é presa no Canadá | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 06.12.2018
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Economia

Executiva da Huawei é presa no Canadá

Filha do fundador da gigante chinesa de telecomunicações é acusada de violar sanções americanas impostas ao Irã e poderá ser deportada para os EUA. Pequim exige sua libertação.

Meng Whanzhou ocupa a diretoria financeira da Huawei desde 2011

Meng Whanzhou ocupa a diretoria financeira da Huawei desde 2011

Autoridades canadenses revelaram nesta quarta-feira (05/12) que a diretora financeira da empresa chinesa de telecomunicações Huawei, Meng Whanzhou, foi presa no último sábado, acusada de violar as sanções impostas pelo governo americano ao Irã. Ela poderá ser extraditada para os Estados Unidos.

A prisão de Meng, filha do fundador da Huawei e uma das principais executivas da empresa, gerou novos temores sobre o agravamento das tensões comerciais entre a China e os EUA, pouco depois de os dois países anunciarem durante a reunião do G20, no último fim de semana, uma trégua nas disputas que envolvem aumentos de tarifas de importação de ambos os lados.

Meng, de 46 anos, será levada a um tribunal canadense nesta sexta-feira, que determinará se a executiva poderá ser libertada sob fiança enquanto aguarda a decisão sobre a extradição. Ela ocupa a diretoria financeira da Huawei desde 2011.

A embaixada chinesa no Canadá divulgou um comunicado pedindo a libertação imediata de Meng. "Acompanharemos de perto o desenvolvimento do caso e tomaremos medidas para proteger resolutamente os legítimos direitos e interesses dos cidadãos chineses", diz a nota.

A embaixada afirma que a China "se opõe com firmeza e protesta com veemência" contra a prisão da executiva, que, segundo afirma, "prejudicou gravemente os direitos humanos da vítima". O Ministério chinês do Exterior afirma ter pedido ao Canadá e aos EUA explicações sobre a detenção, mas que não haviam recebido nenhum esclarecimento.

A Huawei é alvo de suspeitas por parte dos EUA e outras nações do Ocidente sobre suas ligações com o governo chinês. Alguns acreditam que a empresa possa estar sendo utilizada para promover práticas de espionagem, o que fez com que fosse bloqueada nos EUA e em outros países como Austrália e Nova Zelândia.

A empresa, porém, nega que o governo chinês exerça influência em suas atividades. Fundada em 1987, a Huawei é a maior fornecedora de equipamentos de rede de telecomunicações e o segundo maior fabricante de smartphones em todo o mundo. No ano passado, teve faturamento de cerca de 92 bilhões de dólares.

Uma possível imposição de sanções à empresa poderá ter enormes repercussões na cadeia global de abastecimento de produtos tecnológicos. Ao contrário de outras grandes firmas chinesas de tecnologia, a Huawei realiza a maioria de seus negócios no exterior, sendo líder de mercado em vários países na Europa, África e Ásia.

Os EUA se recusam a adquirir servidores produzidos pela Huawei desde 2011, inclusive com a proibição da compra de equipamentos da empresa por órgãos públicos. Há dois meses, senadores americanos solicitaram que o governo do Canadá proibisse a utilização de equipamentos da Huawei nas redes de telecomunicações do país, temendo que fossem utilizados para espionagem.

Entretanto, a maioria dos países, incluindo aliados americanos como Reino Unido, Alemanha e o próprio Canadá, não adotaram medidas para bloquear a empresa, afirmando que possuem procedimentos para realizar testes de segurança nos equipamentos chineses.

RC/afa/lusa/rtr

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