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Leis e JustiçaCoreia do Sul

Ex-primeira-dama da Coreia do Sul é condenada à prisão

28 de janeiro de 2026

Tribunal determinou pena de 20 meses a Kim Keon Hee por ter aceitado subornos da Igreja da Unificação. Em três semanas, ex-presidente terá pedido de pena de morte julgado por tentativa de golpe.

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A ex-primeira-dama sul-coreana Kim Keon Hee em tribunal
Esposa de Yoon Suk Yeol, ex-presidente removido do cargo após declarar lei marcial, Kim Keon Hee foi condenada por aceitar bolsas de luxo e joias em troca de favores políticos Foto: Jung Yeon-je/AP Photo/picture alliance

A Justiça da Coreia do Sul  condenou a ex-primeira-dama Kim Keon Hee a 20 meses de prisão nesta quarta-feira (28/01) por corrupção, ao aceitar bolsas Chanel e um pingente de diamantes de membros da Igreja da Unificação em troca de favores políticos.

A esposa do ex-presidente Yoon Suk Yeol, destituído do cargo no ano passado, foi absolvida de outras duas acusações: manipulação do preço das ações e violação da lei de financiamento político. Os promotores vão recorrer das sentenças de inocência, segundo a mídia local.

Seu marido aguarda julgamento por acusações de tentativa de golpe de Estado que podem resultar em pena de morte ou prisão perpétua.

A derrocada do casal presidencial ocorreu após tentativa frustrada de Yoon de impor uma lei marcial, em dezembro de 2024, o que levou ao seu impeachment e à destituição do cargo. Ele foi condenado a cinco anos de prisão este mês por obstrução de Justiça e por não seguir o devido processo legal antes de declarar lei marcial, no primeiro de oito julgamentos criminais a que responde na Justiça do país.

Casal presidencial em visita a Londres, em 2023
Ex-primeira-dama não é julgada por envolvimento em trama golpista que destituiu marido, Yoon Suk Yeol Foto: Hannah McKay/AP/picture alliance

Kim está presa desde agosto, quando o tribunal de Seul aprovou um mandado de prisão contra ela, sob o argumento de evitar uma eventual destruição de provas. O ex-presidente também está preso, em outro local. Investigadores afirmam que Kim não esteve envolvida na trama golpista de Yoon.

Sentença é muito branda, dizem oponentes

"Por ser a pessoa mais próxima do presidente, a primeira-dama pode exercer uma influência significativa sobre ele e é uma figura simbólica que representa o país", afirmou o tribunal durante a sentença, transmitida pela televisão. "Mas a ré explorou sua posição para obter ganhos pessoais."

Kim disse por meio de seus advogados que "aceitaria humildemente" a opinião do tribunal e "pediria desculpas novamente a todos por causar preocupações".

A sentença de 20 meses desagradou os promotores, que pediram uma pena de 15 anos de prisão para Kim por ter aceitado subornos e pelas duas acusações das quais foi absolvida por falta de provas.

O Partido Democrático Liberal, que liderou o processo de destituição de Yoon, criticou a decisão como um sinal errado de que "abusos de poder como os de Kim Keon Hee podem ser tolerados".

A defesa de Kim afirmou que a investigação foi motivada por questões políticas e avalia se irá recorrer.

Igreja da Unificação nega tentativa de suborno

No centro da condenação, estão os presentes dados pela Igreja da Unificação à ex-primeira-dama. A entidade afirmou que não esperava nada em troca, e sua líder, Han Hak-ja, que também está sendo julgada, negou que estivesse tentando subornar Kim.

Líder religiosa Hak Ja Han Moon durante cerimônia
Igreja liderada por Hak Ja Han Moon, mulher do reverendo Sun Myung Moon, também é alvo de investigaçõesFoto: Ryu Seung-Il/ZUMA/picture alliance

A denominação religiosa, nascida na Coreia do Sul, se define como "religião da paz" e afirma ter como objetivo promover a unificação das duas Coreias. Ela é liderada pelo reverendo Sun Myung Moon, que morreu em 2012, sendo substituído por sua mulher.

A igreja é acusada de empobrecer fiéis e de envolvimento com a política, não só na Coreia do Sul. Grande parte dos políticos do partido no poder no Japão tem ligação com culto, o que veio à tona com o assassinato do ex-premiê japonês Shinzo Abe, em 2022. 

O assassino confesso de Abe, Tetsuya Yamagami, acusou o político de promover a igreja, que alega ter levado sua mãe à falência por meio de doações. A Igreja da Unificação afirma que todas as contribuições que recebe são voluntárias.

Julgamento sobre pena de morte de ex-presidente

Em três semanas, o tribunal de Seul deve proferir seu veredito sobre o pedido de pena de morte para o ex-presidente Yoon Suk Yeol, acusado de planejar uma insurreição ao tentar impor lei marcial.

A legislação sul-coreana determina que o crime é passível de punição severa, podendo chegar à pena de morte se for considerado culpado, embora o país não execute uma sentença deste tipo há quase três décadas.

Nas alegações finais no Tribunal Distrital Central de Seul, um promotor disse que os investigadores confirmaram a existência de um esquema supostamente dirigido por Yoon e seu ex-ministro da Defesa, Kim Yong-hyun, com o objetivo de manter Yoon no poder.

Multidão segura faixas e bandeiras
Manifestantes cercaram Assembleia Nacional e impediram decreto de lei marcial, em dezembro de 2024Foto: Daniel Ceng/Anadolu/picture alliance

Em dezembro de 2024, Yoon enviou tropas e policiais para cercar a Assembleia Nacional, mas uma multidão reunida a favor da destitição do então presidente não permitiu que o prédio fosse isolado. Legisladores, incluindo alguns governistas, se reuniram e rejeitaram o decreto de lei marcial.

Yoon foi posteriormente acusado pela Assembleia Nacional, preso por promotores e formalmente destituído do cargo após uma decisão do Tribunal Constitucional.

sf/ra (AP, Reuters, ots)