1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW
Membros da OSCE aguardam retiradas de tropas em Lugansk, no leste ucraniano
Membros da OSCE aguardam retiradas de tropas em Lugansk, no leste ucranianoFoto: picture-alliance/dpa/Sputnik/Stringer

Exército e separatistas retiram-se do front na Ucrânia

9 de novembro de 2019

Presidente ucraniano aposta em retirada como passo para regulação do conflito com separatistas pró-russos, que já custou 13 mil vidas. Próximo estágio pode ser cúpula reunindo Ucrânia, Rússia, França e Alemanha.

https://www.dw.com/pt-br/ex%C3%A9rcito-e-separatistas-retiram-se-do-front-no-leste-da-ucr%C3%A2nia/a-51183271

As Forças Armadas da Ucrânia e os separatistas pró-russos começaram neste sábado (09/11) a retirada de tropas da linha de frente, no leste do país, num possível prenúncio de um processo de paz, anunciou o Exército ucraniano.

"A retirada das tropas e de armamento começou" entre as vilas de Petrivske e Bohdanivka, declarou à imprensa Bogdan Bondar, um alto representante do Exército ucraniano, citado pela agência France Presse (AFP). A operação durará três dias, sendo seguida pela remoção de minas e outras atividades, ao longo de outros 25 dias.

A agência oficial dos separatistas pró-russos, DAN, indicou no seu site que "as autoridades da República Popular de Donetsk (DNR) saúdam o início da retirada das armas e dos soldados" do setor.

Altamente secreto, o início da retirada de tropas começou pouco depois do meio-dia (07h00 em Brasília), com o envio de sinais luminosos pelos separatistas e os ucranianos: um branco de cada lado, indicando que os dois campos estavam prontos, e um verde, ao começarem a se retirar.

Debaixo do olhar de observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que supervisionam a operação, os soldados dos dois lados começaram de seguida a retirar-se, recuando um quilômetro de um lado e de outro da linha da frente, numa zona fechada.

A desmobilização, que pode demorar vários dias, estava programada para segunda-feira, passando depois para sexta, mas foi adiada devido a trocas de tiros na região. Em junho e no final de outubro haviam se realizado dois outros recuos das tropas da linha da frente do conflito.

A atual retirada constitui "a última pré-condição para a organização da cúpula quadrangular" entre os dirigentes ucranianos e russos, com a mediação dos colegas franceses e alemães, informara esta semana o chefe da diplomacia ucraniana, Vadym Prystaiko.

Ele espera que a reunião dos presidentes ucraniano, Volodimir Zelenski, russo, Vladimir Putin, e francês, Emmanuel Macron, e a chanceler federal alemã, Angela Merkel, possa ocorrer em novembro, em Paris. Esse seria o primeiro encontro desse nível desde 2016, à busca de uma solução para o conflito no leste da Ucrânia.

A realização da conferência de cúpula foi evocada repetidamente nas últimas semanas, mas não se concretizou, porque Moscou condiciona a retomada das conversações a um recuo das tropas em três pequenos setores da linha da frente.

A desmobilização tem gerado críticas na Ucrânia, sobretudo entre nacionalistas e antigos combatentes do conflito. No entanto o presidente, Zelenski, no cargo desde maio, insiste que a cúpula se realize, esperando um avanço concreto no sentido uma regulação do conflito com os separatistas pró-russos.

Durante os preparativos para a conferência quadrangular, negociadores ucranianos, russos e separatistas também estabeleceram um roteiro prevendo status especial para os territórios separatistas, caso realizem eleições livres e justas segundo a Constituição ucraniana. A guerra no leste da Ucrânia já causou cerca de 13 mil mortes desde seu início, cinco anos atrás, um mês depois da anexação da Crimeia pela Rússia.

AV/lusa/afp

______________

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube 
App | Instagram | Newsletter