Europeus e sul-americanos lamentam morte de Mercedes Sosa | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 05.10.2009
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América Latina

Europeus e sul-americanos lamentam morte de Mercedes Sosa

Governantes, artistas sul-americanos e também a imprensa europeia expressaram pesar pela morte da cantora argentina Mercedes Sosa, conhecida entre os fãs como "La Negra" e consagrada como a "Voz da América Latina".

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A 'Voz da América Latina' se calou aos 74 anos

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, decretou luto oficial de três dias pelo falecimento da cantora Mercedes Sosa, neste domingo (04/10). O velório aconteceu no prédio do Congresso argentino quando milhares de pessoas prestaram, ainda no domingo, sua última homenagem à cantora de 74 anos considerada a "Voz da América Latina".

Nesta segunda-feira (05/10), o corpo de Mercedes Sosa será cremado. Suas cinzas serão então espalhadas sobre San Miguel de Tucumán, cidade natal da cantora, como também sobre a província de Mendoza e sobre a capital Buenos Aires.

Haydée Mercedes Sosa nasceu em 1935. Começou a cantar aos 15 anos, mas foi durante os anos de 1960 que encontrou seu estilo inconfundível. Durante os anos da ditadura, ela incorporou juntamente com outros artistas latino-americanos a resistência aos regimes militares no subcontinente. Foi proibida de cantar em seu país, exilando-se então em Paris e, posteriormente, em Madri.

Com a participação de diversos outros músicos latino-americanos, como Caetano Veloso e a cantora colombiana Shakira, Mercedes Sosa lançou, no início deste ano, seu último álbum Cantora . Governantes, artistas sul-americanos e também a imprensa europeia expressaram seu pesar pela morte da cantora conhecida como "La Negra".

Kirchner, Shakira e Chávez

Mercedes Sosa Beerdigung

Milhares de pessoas foram ao velório de Sosa no prédio do Congresso argentino

"Mercedes Sosa será única e insubstituível. É doloroso perder uma pessoa e uma cantora insubstituível" afirmou o chefe de gabinete da presidência argentina que acompanhou o casal Kirchner, visivelmente emocionado no velório. Mercedes Sosa apoiou a candidatura de Kirchner, com quem cantou nas celebrações de sua posse, em 2007.

Em nota divulgada em Bogotá, Shakira lamentou a morte da cantora argentina. "Mercedes foi a maior voz e teve o maior dos corações para aquele que sofre", disse a cantora colombiana, que afirmou ter sido uma "honra" ter cantado com Sosa em seu último disco.

Em seu programa de rádio e televisão Aló Presidente , o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também lamentou a morte de Mercedes Sosa, a quem agradeceu por haver "iluminado a vida".

Reações da imprensa

Mercedes Sosa Sängerin aus Argentinien

Sosa canta com Shakira em Buenos Aires

A morte de Mercedes Sosa também foi destaque na imprensa alemã. O jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung escreveu que "seu título honorário se chamava 'La Negra'. Foi dado por aqueles que defendeu com o canto contra a Junta Militar. 'Suas canções são como balas', falava-se na Argentina, durante a ditadura militar que a perseguiu e enviou à prisão. Mercedes Sosa continuou usando seus próprios meios na tentativa de vencer os repressores, aliando o sedutor folclore argentino com textos de Pablo Neruda, Víctor Jara e Violeta Parra."

Ao comentar o falecimento da cantora argentina, o site Spiegel Online afirmou que "Mercedes Sosa, a 'Voz da América Latina', foi mais que uma cantora abençoada. Durante toda a sua vida, lutou contra a ditadura, a pobreza, o neoliberalismo. Ela morreu agora aos 74 anos em Buenos Aires – e seu país está de luto."

Nesta segunda-feira, o diário Süddeutsche Zeitung escreveu. "Não foi ela quem compôs sua talvez mais famosa canção, mas ninguém celebrou a existência de forma mais expressiva do que Mercedes com esta canção. Gracias a la vida é da pena da cantora chilena Violeta Parra, mas Mercedes Sosa a interpretou de forma especialmente bela. [...] Sosa pertence agora à galeria dos ancestrais, como Evita, o cantor de tango Carlos Gardel, o revolucionário Che Guevara. Obrigado à vida. Gracias , Mercedes."

Autor: Carlos Albuquerque

Revisão: Alexandre Schossler

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