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EUA reduzirão presença militar no Leste Europeu

29 de outubro de 2025

Decisão eleva preocupação com possível vácuo de segurança, enquanto a Rússia se torna cada vez mais agressiva. Forças Armadas dos EUA dizem que papel maior da Europa na defesa do flanco Leste da Otan permitiu medida.

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Soldados americanos caminham com malas de viagem até helicópteros em base militar na Romênia
EUA asseguram que redução de seu contingente no Leste da Europa não é sinal de menor comprometimento com a OtanFoto: Bernd von Jutrczenka/dpa/picture alliance

Os Estados Unidos confirmaram nesta quarta-feira (29/10) a redução da sua presença militar nas fronteiras da Otan com a Ucrânia, enquanto seus aliados se preocupam com possíveis lacunas de segurança num momento em que a Rússia se torna cada vez mais agressiva.

A informação fora inicialmente divulgada pelo ministro da Defesa da Romênia, Ionut Mosteanu. Ele observou que a decisão reflete uma mudança de Washington "em direção à região do Indo-Pacífico".

O ministro, no entanto, afirmou que o número de tropas aliadas ainda permanecerá acima do total anterior à invasão russa da Ucrânia em 2022.

As Forças Armadas dos EUA confirmaram a decisão de reduzir seu contingente no flanco Leste da Europa, mas asseguraram não se tratar de um sinal de menor comprometimento com a Otan. Alguns analistas dizem que isso pode levar a Rússia a testar a resiliência da aliança militar do Atlântico Norte.

Dependendo das operações e exercícios militares realizados, entre 80 mil e 100 mil soldados americanos podem normalmente estar em solo europeu.

"Vácuo" de segurança na Europa?

Os aliados da Otan expressaram a preocupação de que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, possa reduzir drasticamente o número de tropas americanas e, dessa forma, criar um vácuo de segurança num momento em que aumentam as agressões russas.

O governo Trump tem reavaliado sua postura militar na Europa e em outras regiões, mas as autoridades americanas afirmaram que os resultados dessas revisões não serão conhecidos antes do início do próximo ano.

A Otan vem reforçando progressivamente suas defesas em seu flanco Leste, na fronteira com Belarus, Rússia e Ucrânia, após uma série de violações do espaço aéreo por drones, balões e aeronaves russas.

O Ministério da Defesa romeno afirmou que a decisão dos EUA "interromperá a rotação na Europa de uma brigada que tinha elementos em vários países da Otan", incluindo uma base na Romênia. Uma brigada geralmente tem entre 1.500 e 3.000 soldados.

Em comunicado, o Ministério afirmou que cerca de mil soldados americanos permanecerão estacionados na Romênia. Em abril, estimava-se que mais de 1.700 militares americanos estivessem destacados no país.

"Nossa parceria estratégica é sólida, previsível e confiável", disse Mosteanu. A nota do Ministério afirma que a decisão dos EUA "também levou em consideração o fato de a Otan ter fortalecido sua presença e atividade no flanco Leste, o que permite aos Estados Unidos ajustarem sua postura militar na região".

Em postagem no X, o embaixador dos EUA na Otan, Matthew Whitaker, disse que os EUA permanecem comprometidos com a Romênia. "Nossa forte presença e compromisso duradouro com a Europa permanecem firmes, incluindo o apoio à Operação Sentinela Oriental", uma operação da Otan realizada ao longo do flanco Leste. Ele, no entanto, não mencionou a redução de tropas.

EUA: ambiente de segurança "não será alterado"

O comando militar dos EUA na Europa e na África disse em nota que "esta não é uma retirada americana da Europa nem um sinal de menor comprometimento com a Otan e o Artigo 5", se referindo às garantias de segurança coletiva asseguradas pelo tratado da organização, que estipulam que um ataque a um aliado deve ser considerado um ataque a todos os 32 membros da aliança.

"Pelo contrário, este é um sinal positivo do aumento da capacidade e responsabilidade europeias. Nossos aliados da Otan estão atendendo ao apelo do presidente Trump para assumir a responsabilidade principal pela defesa convencional da Europa", concluiu.

Os americanos insistiram que a medida "não vai alterar o ambiente de segurança na Europa".

Após o início da guerra na Ucrânia, em 2022, a Otan reforçou sua presença no flanco Leste da Europa enviando tropas multinacionais adicionais para a Romênia, Hungria, Bulgária e Eslováquia. Várias outras tropas europeias estão atualmente estacionadas nessa região.

rc/as (Reuters, AP)

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