EUA pressionados a suspender taxação do aço | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 02.12.2003
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Economia

EUA pressionados a suspender taxação do aço

Tudo indica que a pressão da União Européia e de outros países, inclusive o Brasil, tenha surtido efeito. Apesar dos riscos eleitorais, Bush pretende suspender antes do prazo taxação do aço importado.

Produção de aço em Ohio, estado de peso eleitoral para Bush

Produção de aço em Ohio, estado de peso eleitoral para Bush

A decisão deverá ser anunciada ainda esta semana pelo presidente George Bush, segundo informações extra-oficiais de membros do Congresso norte-americano. Ao que tudo indica, Washington pretende suspender antes do prazo a taxação de até 30% do aço importado. A medida, introduzida em março de 2002 para proteger a produção local, deveria vigorar por três anos.

A decisão de Washington, considerada ilegal pela Organização Mundial de Comércio, levou a União Européia e outros países a ameaçar a taxação de produtos importados dos EUA. O ultimato da OMC ao governo norte-americano, até a última segunda-feira (1º), foi prolongado até o dia 10 próximo.

Entre a cruz e a espada

A provável decisão de Bush foi recebida com surpresa, sobretudo por representar um certo risco eleitoral. Na época em que a medida foi anunciada, há 20 meses, um dos estrategistas políticos de Bush, Karl Rove, havia explicitado as três razões da decisão: Pensilvânia, Ohio e Virginia, estados onde se concentra a indústria nacional do aço.

Sobretudo Ohio e Pensilvânia têm um grande peso eleitoral, sendo representados com 21 ou 23 votos no grêmio que confirma o presidente após as eleições diretas. No pleito de 2000, Bush venceu em Ohio, mas perdeu por pouco para Al Gore na Pensilvânia.

Representantes da indústria norte-americana do aço advertiram, na última segunda-feira (1º), que a suspensão das taxas alfandegárias poderá custar a Bush os votos da Pensilvânia e de Ohio nas eleições de novembro de 2004. Por outro lado, a medida contenta a indústria processadora de aço importado, insatisfeita com o encarecimento de seus produtos. Em importantes estados como Michigan, onde se concentra uma grande parte da indústria automobilística norte-americana, a manutenção das taxas alfandegárias poderia prejudicar Bush no pleito do ano que vem.

Além disso, pesquisas indicam que a taxação do aço importado provocou o corte de mais empregos no setor de importações do produto do que causou melhorias para os produtores de aço. A união dos sindicatos metalúrgicos já tinha anunciado em agosto seu apoio a um candidato democrata.

Ameaças de represália surtem efeito

Mas o que realmente levou Bush a ceder foi a pressão externa. Segundo relatos da imprensa norte-americana, os assessores de Bush chegaram à conclusão de que os riscos políticos e econômicos da taxação do aço importado são maiores do que as vantagens eleitorais e, sobretudo, não justificam uma guerra comercial com a União Européia e a Ásia.

Além da União Européia, o Brasil, a Suíça, a Noruega, o Japão, a Coréia, a China e a Nova Zelândia se uniram na ameaça de taxar produtos norte-americanos. Caso Bush não volte atrás até 10 de dezembro, a UE elevará a taxação dos produtos made in USA até 2,2 bilhões de dólares. A Noruega anunciou uma elevação de 30% da taxa de importação no valor de 12 milhões de dólares e o Japão sobre importações de 98 milhões de dólares.

WTO in Cancun gescheitert

Pascal Lamy. comissário comercial da UE, decepcionado com Cancún.

O plano de sanções alfandegárias elaborado pelo comissário europeu Pascal Lamy afeta mercadorias produzidas em estados norte-americanos de grande peso eleitoral no pleito de 2004 – como, por exemplo, o suco de laranja da Flórida. Medidas semelhantes poderiam ser tomadas pelos demais países em protesto, colocando em risco outros setores da economia norte-americana.

Leia mais