EUA e UE fecham acordo para cortar emissões de metano em 30% | Meio Ambiente | DW | 17.09.2021

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Clima

EUA e UE fecham acordo para cortar emissões de metano em 30%

Gás produzido por agropecuária, setor de combustíveis fósseis e aterros sanitários é responsável por quase um terço do aquecimento global. Pacto busca novas adesões até a COP26.

Gado em fazenda no Brasil

Agropecuária é o setor da atividade humana que emite mais gás metano

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou nesta sexta-feira (17/09) um acordo com a União Europeia para reduzir as emissões de metano em 30% na próxima década, medida considerada fundamental para o cumprimento do Acordo de Paris sobre o clima.

A preocupação com o aquecimento global costuma ser ligada às emissões de CO2, resultado da combustão de combustíveis fósseis e florestas. Mas o metano também é um vilão das mudanças climáticas, e é 80 vezes mais eficiente do que o gás carbônico para reter calor na atmosfera do planeta.

Segundo um relatório divulgado pela ONU em agosto, o metano é responsável por cerca de 30% do aquecimento global, e apenas nas últimas duas décadas a atividade humana aumentou sua produção de metano em 10%. Cortar as emissões do gás seria a forma mais rápida para desacelerar a alta nas temperaturas médias do planeta, segundo a ONU.

O metano não é apenas o gás natural que abastece usinas de energia e aquece casas, mas também o material que flui de aterros sanitários, arrozais, intestinos de ruminantes, pântanos e, em alguns casos, reservatórios hidrelétricos supostamente "verdes".

A atividade humana responde por 60% das emissões anuais do gás, e o setor agrícola é o maior vilão, provocando o aquecimento equivalente a uma frota de 788 milhões de carros, mais da metade da frota mundial de 1,4 bilhão.

Preparativo para a COP26

O anúncio foi feito por Biden em uma reunião virtual que serve de preparação para a COP26, que será realizada no Reino Unido em novembro. O objetivo do pacto é reduzir as emissões de metano em pelo menos 30% até 2030, comparado ao nível de 2020.

"Isso irá não apenas reduzir rapidamente a velocidade do aquecimento global, mas (...) também provocará efeitos colaterais muito positivos como melhorar a saúde pública e a produção agrícola", afirmou Biden, que fez um pedido para que outras nações anunciem o mesmo compromisso durante a COP26. O Reino Unido já declarou que fará parte do pacto.

Ponto de virada

Segundo cientistas, o planeta pode estar próximo de um ponto de virada, após o qual o aquecimento global se tornaria irreversível, "um alerta vermelho para a humanidade", disse Biden. "Precisamos agir e precisamos agir agora."

Na quinta-feira, a ONU divulgou um relatório que afirma que a pandemia de covid-19 não diminuiu o ritmo das mudanças climáticas. De janeiro a julho deste ano, as emissões globais de CO2 associadas ao uso de combustíveis fósseis nos setores de energia e indústria já voltaram ao mesmo nível ou estão acima do mesmo período em 2019, antes da pandemia.

O Acordo de Paris sobre mudanças climáticas de 2015 estabeleceu como objetivo limitar o aumento da temperatura global a até 2 °C em relação ao nível pré-industrial, ficando idealmente mais perto de 1,5 °C.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que essa meta de limitar o aquecimento global a 1,5 °C será impossível sem cortes de emissões imediatos. "Ainda estamos significativamente atrasados para cumprir as metas do Acordo de Paris", disse.

bl/ek (Reuters, AP, ots)