EUA devolvem livros do século 16 levados da Alemanha durante a Segunda Guerra | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 07.10.2009
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Cultura

EUA devolvem livros do século 16 levados da Alemanha durante a Segunda Guerra

Os EUA devolveram dois valiosos livros do século 16 à Alemanha. Os volumes foram levados como suvenir por um soldado norte-americano, que os encontrou numa mina de sal durante a Segunda Guerra Mundial.

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Soldado encontrou livros históricos por acaso

Os Estados Unidos devolveram à Alemanha dois livros datados de 1573 e 1593, levados por um soldado norte-americano para seu país após a Segunda Guerra Mundial. A entrega foi feita ao embaixador alemão nos EUA, Klaus Scharioth, que os devolverá, por sua vez, a seus proprietários legais.

Os livros foram encontrados em abril de 1945, na mina de sal de Merkers, no estado alemão de Hessen, pelo tenente Robert E. Thomas, na época com 18 anos. Ele levou os volumes consigo para os EUA, como suvenir, onde os guardou por mais de 60 anos.

Foi o próprio Thomas a entregar as publicações jurídicas em latim e alemão, em cerimônia realizada na terça-feira (06/10), no Arquivo Nacional em Washington. O volume publicado em 1573 trata de estatutos prussianos, enquanto o de 1593 é um comentário ilustrado do Direito Romano.

Sinal de amizade

Durante a cerimônia de devolução, Thomas lembrou que, como soldado de infantaria norte-americana, deparara-se há mais de 60 anos, com "um compartimento enorme abarrotado com milhares de livros do piso ao teto". Ele levou então dois volumes para como recordação.

"Para preservá-los, guardei-os em duas caixas, no local mais escuro e arejado da minha casa. Eles estão nas mesmas condições em que os achei", disse Thomas, hoje com 83 anos.

USA Alte Gesetzesbücher kehren nach Deutschland zurück

Thomas entrega livro a embaixador alemão

Recentemente, ele contatou o Arquivo Nacional, que detectou os proprietários dos livros e pediu a Thomas que os devolvesse à Alemanha. "Os livros voltarão para casa, isso é que é o certo", declarou o antigo soldado da infantaria norte-americana, ao entregar os livros ao embaixador alemão em Washington.

Agora, os livros retornarão a seus proprietários originais: o texto em latim será devolvido à Biblioteca Diocesana em Paderborn e o outro irá para a Biblioteca da Universidade de Bonn.

O embaixador alemão disse considerar a devolução um verdadeiro golpe de sorte. "O fato de esses livros serem devolvidos diz muito sobre a relação atual entre os dois países – é um sinal de amizade e confiança", afirmou Scharioth.

Livros e indumentária teatral

Em meados de 1944, os dois volumes foram levados para a mina de Ransbach, próxima à cidade de Merkers. Na mina de sal, a 700 metros de profundidade, os nazistas guardaram em segurança até 2 milhões de livros, obras de arte valiosas, reservas em ouro e dinheiro, além de 200 mil peças de indumentária teatral.

Segundo o arquivista norte-americano Greg Bradsher, os bombardeios dos Aliados destruíram ao menos 15 milhões de volumes. Os livros em Ransbach tampouco ficaram ilesos. Quando a população local quis se apropriar dos trajes da Ópera de Berlim, um incêndio causou a perda de 25 mil livros, disse o arquivista.

Objetos desaparecidos

Essa não foi a primeira devolução de livros à Alemanha. Em 1992, uma sobrevivente de Auschwitz devolveu à Igreja de Santo Antônio, na cidade de Hambach, próximo a Aachen, sete manuscritos medievais levados por um soldado norte-americano que operava tanques de guerra.

Um das coleções mais valiosas de antiguidades e manuscritos da Alemanha é o Tesouro de Quedlinburg, que foi escondido numa mina durante as últimas semanas da Segunda Guerra Mundial e desapareceu após a ocupação da região por soldados norte-americanos.

Em 1980, objetos de arte começaram a aparecer numa pequena cidade do Texas, EUA, quando os familiares do soldado que os roubara tentavam vendê-los. O caso foi à Justiça e ocupou as manchetes. No final, a Fundação Cultural Alemã comprou os objetos por 3 milhões de dólares.

Em 2008, instituições culturais alemãs publicaram um catálogo com mais de 180 mil objetos de arte desaparecidos após a Segunda Guerra.

CA/ap/afp
Revisão: Augusto Valente

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