EUA concedem visto para jogadores iranianos irem à Copa
Publicado 5 de junho de 2026Última atualização 6 de junho de 2026
A apenas dez dias da sua partida de estreia, os jogadores da seleção iraniana que disputarão a Copa do Mundo da Fifa de 2026 receberam vistos para entrar nos Estados Unidos, informou a embaixada americana na Turquia nesta sexta-feira (05/06).
No entanto, diplomatas iranianos em Ancara criticaram autoridades americanas por negarem vistos a vários membros da comissão técnica da seleção, após o embaixador americano na Turquia, Tom Barrack, ter elogiado a concessão de vistos ao núcleo da equipe.
A embaixada iraniana acusou Barrack de tentar "encobrir condutas que violam os regulamentos da FIFA" e as obrigações dos EUA como coanfitriões da competição.
"Por que vocês não dizem que vistos foram negados a grande parte da comissão técnica, assessores técnicos e outros que são parte integrante de qualquer seleção nacional de futebol?", questionou a embaixada em mensagem postagem nas redes sociais, respondendo a uma publicação anterior de Barrack.
A embaixada acusou os EUA de intensificarem seu "tratamento deliberado e discriminatório contra a seleção iraniana de futebol ao seu nível mais alto" e pediu à FIFA, a entidade máxima do futebol e organizadora do evento, que "responsabilize os EUA por violações de suas regras".
Segundo a Federação de Futebol do Irã, 14 membros da comissão tiveram visto negado, entre eles o vice-presidente Mehdi Mohammad Nabi e o secretário-geral Hedayat Mombini. A entidade afirma que a não emissão dos vistos "efetivamente negou à seleção iraniana a oportunidade de disputar em condições de igualdade e uma competição livre de discriminação."
Transferência para o México
Diante da demora em conseguir vistos americanos por causa da guerra, o Irã negociou, de última hora, a mudança da base da equipe do Arizona para Tijuana, no México. Também tentou negociar a transferência dos jogos, sem sucesso.
A delegação embarcou num voo da Turquia para a Espanha neste sábado, antes de viajar até sua base em Tijuana, onde devem chegar na madrugada de domingo.
Todos os três jogos do Irã na fase de grupos acontecerão nos EUA. A estreia no Grupo G, em 15 de junho contra a Nova Zelândia, será em Los Angeles, assim como o jogo seguinte, no dia 21, contra a Bélgica. Em 26 de junho, a seleção da república islâmica enfrenta o Egito, em Seattle.
Ainda não está claro quais são as condições dos vistos já emitidos. Um porta-voz da equipe iraniana disse à TV estatal que os documentos permitiam múltiplas entradas e saídas dos EUA.
"A seleção nacional vai chegar no local da partida um dia antes do primeiro jogo e, para os próximos jogos, dois dias antes", explicou Amir Mahdi Alavi.
Mas, segundo o embaixador iraniano no México, Abolfazl Pasandideh, a equipe teria que entrar e sair dos EUA no mesmo dia das partidas. "Podemos entrar de manhã e temos que sair no mesmo dia", disse ele neste sábado a repórteres.
Pelas regras da FIFA, o técnico de uma equipe precisa dar uma entrevista coletiva à imprensa no local da partida uma noite antes do jogo.
Casa Branca diz que não permitirá "terroristas"
Segundo Pasandideh, os EUA nunca afirmaram formalmente que não queriam que a seleção iraniana permanecesse em seu território.
No entanto, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nesta semana que os EUA barrariam indivíduos ligados à Guarda Revolucionária Islâmica, poderoso ramo das forças armadas iranianas. A medida pode atingir vários jogadores da seleção que cumpriram o serviço militar obrigatório no grupo.
O presidente da federação iraniana de futebol, Mehdi Taj, teve a entrada negada para o sorteio do torneio em Washington, em dezembro. Taj é ex-comandante da Guarda Revolucionária.
"Estamos aguardando para ver o que acontece hoje ou, no mais tardar, amanhã, porque nossa seleção precisa receber esses passaportes e viajar com eles para Tijuana", disse Taj.
À agência de notícias Associated Press, um funcionário da Casa Branca confirmou a emissão dos vistos, mas disse que o governo não permitiria "que a equipe iraniana use esse sistema para infiltrar terroristas nos Estados Unidos sob falsos pretextos".
É a primeira Copa do Mundo, desde sua criação em 1930, em que o país anfitrião receberá uma seleção com a qual está em guerra.
As negociações de paz entre Irã e Estados Unidos avançam lentamente, com os dois lados aparentemente se aproximando de um acordo provisório, ao mesmo tempo em que continuam realizando ataques.
sf/rc/ra (RT, AFP)
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