Estados apelam para Forças Armadas no combate a incêndios | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 25.08.2019
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Brasil

Estados apelam para Forças Armadas no combate a incêndios

Sete governos estaduais já oficializaram pedido ao Executivo federal, após Bolsonaro colocar tropas à disposição na luta contra as chamas que consomem as florestas na Amazônia. Países vizinhos oferecem ajuda.

Tocos de árvores queimadas em Boca do Acre, Amazonas

Trecho de floresta queimada em Boca do Acre (AM)

O governo federal autorizou neste domingo (25/08) o uso das Forças Armadas no Acre, Amazonas e Mato Grosso para combater incêndios florestais, chegando a sete o número de estados que solicitaram apoio federal nas operações. Pará, Roraima, Rondônia e Tocantins já haviam feito o pedido no sábado.

Segundo o Ministério da Defesa, cerca de 44 mil militares das Forças Armadas estão continuamente na Região Amazônica e poderão ser empregados nas operações. A confirmação foi feita pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante coletiva de imprensa, após se reunir com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva.

Na sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto autorizando o emprego das Forças Armadas para ajudar no combate aos incêndios na Floresta Amazônica. Contudo, para a medida passar a valer, é preciso que o governador de cada estado solicite apoio das tropas federais nas operações.

O decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) vale para áreas de fronteira, terras indígenas, unidades federais de conservação ambiental e outras áreas da Amazônia Legal, que compreende os sete estados da Região Norte mais Maranhão e Mato Grosso.

Segundo o ministro da Defesa, a adesão dos governos locais é importante para que o trabalho de combate a crimes ambientais e a incêndios não se limite às áreas federais.

"É importante a adesão dos governos, senão nós vamos ficar limitados às áreas federais, que são as unidades de conservação e as terras indígenas. Já é alguma coisa, mas não é o suficiente. Tem que ser uma união de todos. Todo mundo ajudando é melhor", frisou Azevedo e Silva.

Ele informou que sua pasta tem previsto no orçamento 28 milhões de reais para gastos com ações da GLO, mas o valor está contingenciado. No entanto, o descontingenciamento já foi acertado com o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante uma reunião. "Eu estou numa fase em que eu só acredito quando eu abrir o cofre e ver", comentou o ministro da Defesa.

Ação estadual e federal

Ricardo Salles acrescentou que, no combate aos incêndios, os estados contarão com apoio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), os quais pertencem à pasta do Meio Ambiente.

"Não é possível desenvolver atividades de fiscalização sem o apoio estadual. Com a GLO Ambiental tenho certeza que, com envolvimento do Ministério da Defesa, das Forças Armadas, teremos muita efetividade naquilo que já vínhamos tentando fazer com muita força desde o início do ano", afirmou ele no sábado.

Segundo o Estado-Maior das Forças Armadas, que coordena as operações, as primeiras medidas foram tomadas no sábado. Um helicóptero do Ibama e dois aviões de combate a incêndios serão enviados para Porto Velho. Um centro de operações instalado no ministério coordena as ações.

A Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou duas aeronaves C-130 Hércules para apoio aos trabalhos de combate aos incêndios florestais. Após decolar de Porto Velho (RO), elas já estão sobrevoando as áreas atingidas pelo fogo. Os C-130 estão equipados com cinco tanques d'água, com capacidade de até 12 mil litros, e dois tubos que se projetam pela porta traseira, informou a FAB.

Protesto no Rio de Janeiro, 23/08/2019: Socorro!! Detenham Bolsonaro!, diz cartaz

Protesto no Rio de Janeiro, 23/08/2019: "Socorro!! Detenham Bolsonaro!"

Vizinhos sul-americanos

Em comunicado, o governo da Argentina anunciou a intenção de enviar à Amazônia 200 bombeiros para "oferecer apoio e assistência perante a grave situação ambiental provocada pelos incêndios".

O diretor da Autoridade de Florestas e Terras (ABT, sigla em espanhol) da Bolívia, Cliver Rocha, declarou que a zona afetada pelos incêndios em seu país atingiu os 950 mil hectares, e que as chamas destruíram 32% da floresta de Chiquitano, afetando 1.871 famílias em 11 municípios e 35 comunidades indígenas.

O Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) informou que doará 500 mil dólares ao Brasil e dois outros países atingidos pelas chamas. Em comunicado, a organização multilateral manifestou "vontade e disposição de considerar uma linha de emergência para contar com um financiamento de rápido acesso em favor de Bolívia, Brasil e Paraguai para contribuir para a proteção da população e da biodiversidade, assim como para a recuperação das áreas afetadas".

O presidente da Colômbia, Iván Duque, revelou ter conversado com seu homólogo brasileiro, para oferecer ajuda ao país nos trabalhos de combate aos incêndios que destroem milhares de quilômetros quadrados de matas. "Hoje tive a chance de falar por telefone com o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, para expressar de novo o interesse da Colômbia de colaborar no que pudermos, para enfrentar essa situação dramática."

Saindo do Palácio da Alvorada, no sábado, Bolsonaro comentou o trabalho do governo federal: "O que nós podemos fazer estamos fazendo. Se eu tivesse milhões de pessoas, não conseguiria fazer prevenção. Pessoal faz queimada. É quase uma tradição da região."

AV/lusa/efe/ots

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