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Anticomunista e conservadorFoto: AP

Estações da vida do sumo pontífice

3 de abril de 2005

Karol Josef Wojtyla (1920 - 2005) teve o terceiro maior pontificado da história da Igreja Católica Apostólica Romana.

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Nascido na Polônia em 1920, Karol Josef Wojtyla foi considerado um militante anticomunista, que ajudou a derrotar as ditaduras socialistas do Leste Europeu e a esfriar a Guerra Fria. Seu pontificado foi marcado por intensa atuação política, viagens aos cinco continentes, defesa da paz e dos direitos humanos, mas também pelo conservadorismo moral, como demonstram o fatos relacionados a seguir.

18 de maio de 1920 - Karol Josef Wojtyla nasce em Wadowice (uma aldeia perto de Cracóvia), na Polônia.

1940-1944 - Trabalha numa pedreira, para evitar a prisão, depois que os ocupadores alemães fecharam a universidade de Cracóvia.

Maio de 1942 - É transferido para uma fábrica química. Poucos meses depois, entra para um seminário clandestino em Cracóvia e se inscreve na faculdade de Teologia da Universidade de Jagellonian.

Março de 1943 - Recebe o papel principal da peça "Samuel Zborowski", de Juliusz Slowacki, sua última representação oficial. Depois, faria outras clandestinas em casas de amigos.

1º de novembro de 1946 - É ordenado padre e recebe a ordem das mãos do arcebispo Adam Stefan Sapieha, em sua capela privada. Duas semanas depois, deixa a Polônia para estudar em Roma.

13 de julho de 1947 - Forma-se em Teologia. Na sequência, realiza atividades pastorais na França, Bélgica e Holanda com trabalhadores poloneses.

19 de junho de 1948 - Recebe o doutorado, com tese sobre a fé de são João da Cruz. Logo depois, retorna à Polônia, onde recebe os títulos de mestre e doutor em Teologia pela Universidade de Jagellonian.

4 de julho de 1957 - É nomeado bispo auxiliar de Cracóvia pelo papa Pio XII.

5 de outubro de 1962 - Volta para Roma, para participar do Concílio Vaticano II.

13 de janeiro de 1964 - É nomeado arcebispo de Cracóvia.

26 de junho de 1967 - Recebe do papa Paulo VI o título de cardeal na Capela Sistina.

11 outubro de 1969 - Participa pela primeira vez do sínodo dos bispos (assembléia presidida pelo papa com o objetivo de discutir os problemas da igreja).


1970 - Faz visitas pastorais a diversos países da Europa.

23 de junho de 1977 - Recebe o título de doutor "honoris causa" da Universidade de Guttenberg, na Alemanha.

11 de agosto de 1978 - Morre o papa Paulo VI.

26 de agosto de 1978 - Albino Luciani é eleito papa, com o nome de João Paulo I.

3 outubro 1978 - Morre o papa João Paulo I.

O pontificado

16 de outubro de 1978 - O cardeal Karol Josef Wojtyla é eleito o 264º papa e, em homenagem a seu antecessor, adota o nome de João Paulo II. Após oito votações secretas, cardeais anunciam "Habemus papam!". É o primeiro não-italiano a assumir o posto depois de 456 anos, desde 1522.

25 de janeiro de 1979 - João Paulo II faz sua primeira viagem oficial para o exterior, para a República Dominicana, o México e Bahamas.

15 de março de 1979 - Publica sua primeira encíclica, "Jesus Cristo, o redentor dos homens".

28 de abril de 1979 - Nomeia o cardeal Agostino Casaroli como secretário de Estado do Vaticano, responsável política do Leste Europeu.

2 de julho de 1979 - Em sua segunda viagem ao exterior, volta a seu país natal, a Polônia.

29 de setembro de 1979 - Viaja para a Irlanda e os Estados Unidos, onde tem audiência na ONU.

2 de maio de 1980 - Conhece a África, passando por Zaire, República do Congo, Quênia e Costa do Marfim.

Viagens ao Brasil e à Alemanha

15 de janeiro de 1980 - Concede audiência ao líder do Sindicato Solidariedade e passa a apoiar o movimento que culminaria com a derrocada do bloco comunista.

30 de junho de 1980 - Vai ao Brasil pela primeira vez, sua sétima viagem oficial para o exterior.

15 a 19 de novembro de 1980 - Primeira viagem à Alemanha.

Atentado

13 de maio de 1981 - É baleado pelo jovem turco Mehmet Ali Agca, diante de 10 mil fiéis, na praça de São Pedro. Fica internado até 3 de junho. Três semanas depois, sofre infecção e é submetido à segunda cirurgia, só voltando ao Vaticano em 14 de agosto.

25 de novembro 1981 - O cardeal alemão Joseph Ratzinger é nomeado prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

15 de setembro de 1982 - O papa recebe a visita de Iasser Arafat.

15 de dezembro de 1983 - Visita a igreja evangélica luterana de Roma, tornando-se o primeiro papa a entrar numa igreja protestante.


27 de dezembro de 1983 - Visita o turco Ali Agca, autor do atentado, na prisão de Rebibbia.

3 de setembro de 1984 - O Vaticano proíbe o livro "Igreja, Carisma e Poder", do brasileiro Leonardo Boff, um dos teóricos da Teologia da Libertação.

13 de abril de 1986 - É o primeiro papa da era contemporânea a visitar uma sinagoga em Roma.

27 de outubro de 1986 - Primeira oração das grandes religiões pela paz, em Assis, na Itália, convocada por João Paulo II.

15 de março de 1990 - Vaticano ata relações diplomáticas com a União Soviética

18 de outubro de 1990 - É promulgado o código canônico.

12 a 21 de outubro de 1991 - Segunda passagem pelo Brasil, sua 53ª viagem oficial.

11 de outubro 1992 - Lançado o Catecismo da Igreja Católica, que inclui na lista de pecados a especulação financeira, a devastação da natureza, os horóscopos, as fofocas e os cheques sem fundo.

31. de outubro de 1992 - O papa reabilita Galileu Galilei, que teve de renegar sua teoria do heliocentrismo para escapar da morte pela Inquisição, em 1633.

5 de outubro de 1993 - Lança a encíclica "Veritatis splendor", condenando de modo veemente todos os métodos contraceptivos, o homossexualismo, o adultério e o aborto.

11 de novembro de 1993 - Após uma audiência, sofre uma queda e desloca o ombro direito. Vai ao hospital e passa um mês com o local imobilizado.

28 de abril de 1994 - Sofre nova queda e quebra o fêmur direito. É internado no dia seguinte, sofre uma cirurgia e permanece internado por quase um mês.

17 de maio de 1994 - O Vaticano nega, no dia 17 de maio, que o papa esteja sofrendo do Mal de Parkinson, conforme havia anunciado jornal espanhol. Depois disso, os rumores sobre essa nova doença começam a se avolumar.

25 de outubro de 1994 - O Vaticano anuncia o estabelecimento de relações formais com a OLP (Organização para a Libertação da Palestina).

22 de maio de 1994 - Em carta apostólica, rejeita a ordenação de mulheres para o sacerdócio

30 de março de 1995 - Publica a encíclica "Evangelium vitae", que condena o uso de preservativos como meio de contracepção e de evitar a Aids, além de reprovar o aborto e a eutanásia, métodos chamados por ele de "cultura da morte".

22 de janeiro de 1996 - Cartilha do Vaticano condena aulas de educação sexual e reforça o discurso conservador em relação à aids, à virgindade e à castidade.

22 de fevereiro de 1996 - O Vaticano divulga a constituição apostólica intitulada "Universi Dominici Gregis", que muda as regras para a eleição do sucessor de João Paulo II.

Visita à Alemanha unificada

Junho de 1996 - Primeira visita à Alemanha unificada.

6 de outubro de 1996 - O papa é internado para a retirada do apêndice. O Vaticano nega rumores de que o papa sofre de câncer no intestino, mas já não nega o Mal de Parkinson.

11 de outubro de 1996 - Vaticano ata relações diplomáticas com Israel.

15 de novembro de 1996 - É lançado o livro "Dom e Mistério", a autobiografia de João Paulo II.

19 de novembro de 1996 - O papa recebe no Vaticano, pela primeira vez desde a revolução cubana, a visita de Fidel Castro.

12 de dezembro de 1996 - Condena matrimônios diferentes dos tradicionais, em crítica indireta ao casamento entre homossexuais.

14 de fevereiro de 1997 - O presidente Fernando Henrique Cardoso visita o papa, no primeiro encontro oficial em 171 anos de relações do Brasil com o Vaticano.

25 de fevereiro de 1997 - O Vaticano recomenda aos divorciados que não façam sexo sem regularizarem sua situação com a igreja.

21 de agosto de 1997 - Condena o episódio conhecido como "Noite de São Bartolomeu", em que católicos mataram milhares de protestantes, em 1572.

2 de outubro de 1997 - Faz sua última viagem ao Brasil. Com a saúde debilitada, não consegue realizar seu tradicional ato de beijar o chão logo que desembarca do avião. É sua 80ª viagem oficial.

16 de novembro de 1997 - No sínodo dos Bispos para a América, o papa condena as "profundas diferenças" entre as Américas do Norte, Central e do Sul.

22 de janeiro de 1998 - O Vaticano abre os arquivos secretos do tribunal da Inquisição da Igreja Católica.

25 de janeiro de 1998 - Inicia visita de cinco dias a Cuba.

16 de março de 1998 - Documento "Nós nos Recordamos: uma Reflexão sobre a Shoah [Holocausto]", a Igreja Católica pede perdão aos judeus por sua atitude durante a Segunda Guerra Mundial.

1º outubro de 1998 - O Vaticano pede ao FMI e ao Banco Mundial a redução das dívidas dos países pobres.

25 de outubro de 1998 - Beatifica o primeiro brasileiro nato, o frei Galvão.

11 de março de 1999 - Recebe o presidente do Irã, Mohamad Khatami, primeiro líder de seu país a visitar o papa após a revolução islâmica de 1979.

20 de novembro de 1999 - Exige que a Igreja Católica alemã deixe de prestar aconselhamento a mulheres grávidas que pensam em aborto

25 de dezembro de 1999 - O papa dá início às celebrações do jubileu do ano 2000.

5 de mar de 2000 - Beatifica os 30 primeiros mártires da Igreja Católica no Brasil.

12 de março de 2000 - Pede desculpas por falhas cometidas pelos cristãos ao longo da história no documento "Memória e Reconciliação: A Igreja e os Erros do Passado".

13 de maio de 2000 - Em visita ao santuário de Fátima, beatifica os irmãos Francisco e Jacinta Marto. A Igreja revela o terceiro dos três segredos que teriam sido contados por Maria a eles e à prima Lúcia em 1917.

13 de junho de 2000 - Mehmet Ali Agca recebe o indulto.

11 de julho de 2000 - Diz que homossexualismo é anomalia, criticando a parada gay de Roma.

15 a 20 de agosto de 2000 - Dois milhões de jovens participam em Roma da Jornada Mundial da Juventude, idealizada pelo papa.

6 de setembro de 2000 - A Igreja Católica divulga um documento em que reafirma sua suposta superioridade em relação a outras denominações cristãs.

1º de outubro de 2000 - Canoniza 120 mártires chineses, sob acusações de Pequim de que a ação foi uma defesa do imperialismo.

6 de janeiro de 2001 - Encerra o Grande Jubileu dos 2000 anos do nascimento de Jesus Cristo.

11 de março de 2001 - Realiza a maior beatificação da história: 233 mártires da Guerra Civil Espanhola (1935-39).


6 de maio de 2001 - Torna-se o primeiro líder católico a entrar em uma mesquita, na Síria.

9 de maio de 2001 - Bate o recorde de beatificações (1.235) em sua peregrinação histórica em Malta. Visitou Grécia, Síria e Malta para refazer parte da trajetória de São Paulo, que se converteu ao cristianismo, no 1º século d.C.


21 de maio de 2001 - Começa no Vaticano o maior consistório (reunião de cardeais) da história, com mais de 160 cardeais. Foi o sexto realizado desde 1978, início de seu pontificado.

28 de novembro de 2001 - Condena a clonagem humana.

24 de março 2002 - Por decisão de seus médicos, não celebra por inteiro a tradicional missa do Domingo de Ramos, pela primeira vez.



23 de abril de 2002 - Cardeais norte-americanos se reúnem com o pontífice para debater a crise gerada por escândalos de pedofilia e abuso sexual envolvendo padres no país.

15 de maio de 2002 - Cerca de 500 prostitutas de diversos países assistem a uma audiência na Praça de São Pedro.

19 de maio de 2002 - Canoniza madre Paulina, a primeira santa brasileira, que passa a ser conhecida como santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus.

31 de julho de 2002 - Canoniza o primeiro santo índio, o mexicano Juan Diego, que viveu no século 16.

16 de agosto de 2002 - Doente e em meio a rumores de que poderia renunciar, vai a sua terra natal, a Polônia, para visita de quatro dias.

18 de agosto de 2002 - Realiza na Polônia uma das maiores missas de seu pontificado (2,5 milhões de pessoas) e admite sofrer pressões para renunciar.

11 de setembro de 2002 - Preside, na basílica de São Pedro, a missa de corpo presente do cardeal brasileiro Lucas Moreira Neves.

6 de outubro 2002 - Diante de aproximadamente 300 mil pessoas, canoniza o espanhol Josemaría Escrivá de Balaguer, fundador do grupo conservador Opus Dei.

16 de outubro de 2002 - Comemora o 24º aniversário de seu pontificado acrescentando cinco mistérios ao rosário. Foram as primeiras alterações no rosário desde sua criação, no século 13.


25 de dezembro de 2002 - Pede em sua mensagem de Natal que o mundo evite um conflito no Iraque e apela para a paz entre israelenses e palestinos.

21 de janeiro de 2003 - Pede a divorciados que sigam na vida religiosa, apesar de restrições da igreja.

9 de fevereiro de 2003 - Envia o cardeal Roger Etchegaray, 80, presidente do Conselho Pontifício de Justiça e Paz, a missão de paz ao Iraque.

6 março de 2003 - Publica livro de poesias "O Tríptico Romano", composto por três partes: a natureza, a vida e a morte.

6 de junho de 2003 - A visita à Croácia marca a centésima viagem do papa João Paulo II.

24 de março de 2004 - Recebe o prêmio Karlspreis da cidade de Aachen, na Alemanha, pelo seu engajamento em favor da paz e da integração européia.

14 a 15 de agosto de 2004 - Última viagem internacional a Lourdes, na França.

24 de agosto de 2004 - Recebe o presidente do Conselho de Igreja Evangélica da Alemanha (EKD), bispo Wolfgang Huber.

1º de fevereiro de 2005: o papa é transferido para o hospital Gemelli, em Roma, com crises respiratórias agudas.

22 de fevereiro de 2005 - Apresenta seu polêmico (e último) livro Memória e Identidade, em que faz uma comparação indireta entre o aborto de o holocausto.

24 de fevereiro de 2005: É submetido a uma traqueostomia (operação nas vias respiratórias).

31 de março de 2005 - Sofre uma parada cardíaca e recebe a extrema unção, sacramento concedido a católicos às vésperas da morte.

1º de abril de 2005 - Seu estado de saúde se agrava e meios de comunicação italianos chegam a noticiar sua morte cerebral, o que é desmentido pelo Vaticano.

2 de abril de 2005 - O papa João Paulo II morre às 21h37min (horário europeu), em seus aposentos no Vaticano, em conseqüência de complicações renais e cardiorrespiratórias.