″Essa medalha é de todos″, diz Rebeca Andrade após conquista inédita | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 29.07.2021

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Tóquio 2020

"Essa medalha é de todos", diz Rebeca Andrade após conquista inédita

Ao som de "Baile de favela", atleta é a primeira brasileira a conquistar medalha olímpica na ginástica. Em outro feito inédito, judoca Mayra Aguiar se torna primeira no país a somar três medalhas individuais em Jogos.

A ginasta Rebeca Andrade segura a medalha de prata com a mão direita e sorri.

Rebeca Andrade ainda vai disputar duas finais individuais, no solo e no salto

Duas brasileiras conseguiram feitos inéditos nesta quinta-feira (29/07) em Tóquio. Rebeca Andrade conquistou a primeira medalha da ginástica artística feminina da história do Brasil em Jogos Olímpicos, e Mayra Aguiar se tornou a primeira brasileira a ganhar três medalhas olímpicas em um esporte individual.

Rebeca levou a prata na prova individual geral – quando as ginastas disputam todos os aparelhos. O ouro ficou com a americana Sunisa Lee, e o bronze, com a russa Angelina Melnikova.

"Essa medalha não é só minha, é de todo mundo. Todos sabem da minha trajetória, o que eu passei. Se eu não tivesse cada pessoa dessas na minha vida, isso aqui não teria acontecido", disse Rebeca à TV Globo, logo após receber a medalha na Arena Ariake.

"Acho que mesmo que eu não tivesse ganhado a medalha, eu teria feito história, justamente pelo meu processo para chegar até aqui", completou a atleta de 22 anos, que passou por três cirurgias no joelho nos últimos anos.

Sensação nos primeiros dias de disputa, a paulista voltou a empolgar com sua apresentação no solo ao som de "Baile de favela", funk composto por MC João.

Ela foi muito aplaudida por outras atletas presentes no ginásio, inclusive pela estrela americana Simone Biles, que chegou a Tóquio como favorita, mas acabou decidindo não participar da disputa individual geral e por equipes para cuidar de sua saúde mental.

"Eu acho que o fato de ela ter saído não foi nada negativo. As pessoas têm que entender que o atleta não é um robô, ele é um humano. Então, a decisão que ela tomou foi a coisa mais sábia que ela pôde fazer por ela, não foi nem pelos outros, porque não se brinca com a cabeça", disse a brasileira ao ser questionada sobre a desistência de Biles.

"Eu trabalho muito com a minha psicóloga por causa disso, hoje eu sou uma atleta diferente justamente pela cabeça que eu tenho", completou.

A conquista de Rebeca foi celebrada pelo perfil oficial dos Jogos Olímpicos no Twitter. "A primeira mulher brasileira a ganhar uma medalha olímpica na ginástica artística!", publicou o perfil.

Rebeca ainda está classificada para duas finais por aparelhos e pode garantir outras medalhas. No próximo domingo, ela compete no salto e, na segunda-feira, no solo.

A ginasta viajou para os Jogos de Tóquio sem a equipe feminina do Brasil, que não conseguiu se classificar após disputar quatro edições consecutivas dos Jogos Olímpicos. Além de Rebeca, a brasileira Flavia Saraiva, de 21 anos, garantiu vaga na final da trave.

A trajetória de Rebeca é marcada pela superação. Foram três cirurgias no joelho direito entre 2015 e 2019. Há dois anos, ela rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho pela terceira vez em quatro anos. As lesões a mantiveram fora de três dos quatro campeonatos mundiais que ela competiria.

Além disso, ela precisou treinar por algum tempo em Portugal, devido às restrições impostas no Brasil por causa da pandemia.

Bronze para Mayra Aguiar

Antes da prata de Rebeca, o dia já havia começado com medalha em outro feito inédito para o Brasil. A gaúcha Mayra Aguiar levou bronze na categoria meio-pesado (até 78kg) do judô, tornando-se a primeira brasileira a conquistar três medalhas olímpicas em um esporte individual. Ela já havia levado o bronze nos Jogos de Londres (2012) e do Rio (2016).

Foto mostra a judoca Mayra Aguiar sorrindo e segurando a medalha de bronze.

Mayra é a primeira brasileira a conqistar três medalhas individuais em Jogos Olímpicos

A 24ª medalha do judô brasileiro em Jogos Olímpicos veio com a vitória de Mayra contra a sul-coreana Hyunji Yoon. O ouro ficou com a japonesa Shori Hamada, que derrotou a francesa Madeleine Malonga e a deixou com a prata. A outra medalha de bronze foi para a alemã Ana-Maria Wagner.

Mayra também tem um histórico de superação. Em setembro de 2020, ela sofreu uma grave lesão no ligamento cruzado do joelho esquerdo, sendo operada dois meses depois. Após longa recuperação, a judoca voltou a competir em junho deste ano, no Mundial de Budapeste, mas perdeu a segunda luta.

"Não estou conseguindo falar, estou emocionada. Acho que é a conquista mais importante para mim. Foram difíceis os últimos tempos, bem difíceis, tem que superar, superar de novo e de novo. Não aguentava mais fazer cirurgia, ainda mais no momento em que vivemos. Tive medo, angústia. Mas continuei. Dar o nosso melhor vale a pena", disse a atleta à TV Globo nesta quinta-feira.

O Brasil soma até agora sete medalhas nos Jogos de Tóquio. Além dos pódios de Rebeca e Mayra, o Brasil levou ouro com Ítalo Ferreira no surfe, prata com Kelvin Hoefler e também comRayssa Leal no skate street, prata com Daniel Cargnin no judô até 66 kg e bronze com Fernando Scheffer nos 200m livre da natação.

le/ek (Efe, Agência Brasil, ots)