Escândalo dos grampos derruba o chefe da polícia de Londres | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 18.07.2011
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Mundo

Escândalo dos grampos derruba o chefe da polícia de Londres

Paul Stephenson vinha sendo criticado devido às suas ligações com o antigo editor do "News of the World" Neil Wallis, preso semana passada por suspeita de envolvimento no escândalo dos grampos.

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Stephenson anunciou renúncia neste domingo

O escândalo dos grampos telefônicos envolvendo o tabloide inglês News of the World (NotW), que pertence à News Corp., do magnata Rupert Murdoch, derrubou neste domingo (17/07) o chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Paul Stephenson. Ele renunciou ao posto devido a acusações de que oficiais da polícia britânica teriam aceitado dinheiro do jornal e de que eles não teriam se empenhado o suficiente para investigar denúncias sobre grampos, que começaram a surgir em 2005.

A situação de Stephenson ficou insustentável após revelações de que ele teria se hospedado durante cinco semanas num hotel de luxo no qual Neil Wallis, um antigo editor do NotW, era consultor de relações públicas. Wallis, que também foi consultor da polícia britânica, foi preso na semana passada devido ao escândalo das interceptações ilegais. O jornal teria grampeado mais de 4.000 linhas telefônicas na Inglaterra – desde artistas famosos, vítimas de crimes e até membros da família real.

"Tomei esta decisão como conseqüência das contínuas especulações e acusações relacionadas às ligações da Polícia Metropolitana com a News International num nível [hierárquico] elevado", explicou Stephenson. "Eu não tinha conhecimento da extensão dessa prática vergonhosa", afirmou em seu anúncio pela televisão. Ele disse que deixa o cargo para não atrapalhar as investigações.

Stephenson foi acusado, nos últimos dias, de ter contratado Wallis como consultor da polícia, durante um ano, até setembro de 2010. Neste domingo, Stephenson disse não ter sido o responsável pela contratação de Wallis e não ter conhecimento do envolvimento deste com o escândalo dos grampos telefônicos.

Großbritannien Abhörskandal Pressekonferenz Premierminister David Cameron in London

Primeiro-ministro tem ligações com pessoas envolvidas no escândalo, diz oposição

O policial disse ainda não ter avisado o primeiro-ministro, David Cameron, sobre o trabalho de Wallis como consultor da polícia. "Eu não quis comprometer o primeiro-ministro de maneira alguma revelando ou discutindo uma possível suspeita sobre quem claramente tinha uma relação muito próxima com Andy Coulson (ex-porta-voz de Cameron)", afirmou Stephenson.

Pressão sobre Cameron

A queda do chefe da polícia britânica aumenta a pressão sobre o primeiro-ministro, que já reduziu para dois dias a viagem que fará à África, inicialmente programada para durar quatro dias. Há dez dias, seu ex-porta-voz foi detido em Londres devido a acusações de envolvimento com os grampos. Andy Coulson passou a trabalhar com o primeiro-ministro pouco depois de deixar o cargo de editor do NotW em 2007, logo após a prisão de um repórter do periódico por envolvimento nas escutas ilegais.

Rebekah Brooks verhaftet

Rebekah Brooks (na foto ao lado de Murdoch) ficou detida por 12 horas

Com a detonação do escândalo, Cameron tornou-se alvo fácil da oposição por conta da contratação de Andy Coulson e por sua amizade com Rebekah Brooks, antiga presidente do NotW, acusada de envolvimento nas escutas e de corrupção. Neste domingo, Brooks passou cerca de 12 horas detida no departamento de polícia e foi solta por volta de meia-noite, após pagar fiança. Ela nega todas as acusações.

Crise de governo

Na opinião de observadores e cientistas políticos, o escândalo dos grampos tornou-se praticamente uma crise de governo no Reino Unido, e a situação estaria fora do controle.

Para a oposição, faltam explicações por parte de Cameron. "O primeiro-ministro ainda se recusa a reconhecer seu erro e a responder perguntas sobre a nomeação do editor do News of the World na época da investigação inicial de grampos telefônicos", cobrou Yvette Cooper, do Partido Trabalhista.

"Também traz uma séria preocupação o fato de que o chefe da polícia não se sentiu capaz de contar ao primeiro-ministro e à ministra do Interior sobre essa questão operacional com Neil Wallis por causa da relação do primeiro-ministro com Andy Coulson", afirmou Cooper.

News of the World Andy Coulson

Oposição quer que Cameron explique contratação de Coulson

O escândalo levanta questionamentos da opinião pública não apenas sobre a falta de ética de alguns veículos da mídia, mas também sobre a influência de Rupert Murdoch sobre líderes políticos britânicos e as relações promíscuas entre alguns de seus jornalistas e a polícia.

O líder do Partido Trabalhista, Ed Miliband, sugere uma renovação nas leis de propriedade a partir do caso NotW. Miliband declarou ao jornal The Observer que os políticos britânicos precisariam observar mais atentamente como Murdoch foi capaz de deter mais de 20% do mercado de jornais, além de assegurar uma larga participação em televisão por satélite.

MS/rts/dw/afp/dpa
Revisão: Alexandre Schossler

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