1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Entenda os impactos de 1,5 °C e 2 °C de aquecimento global

Louise Krüger
19 de novembro de 2025

Embora diferença possa parecer pequena, 0,5 °C a mais na temperatura média global pode levar a consequências catastróficas.

https://p.dw.com/p/53omB
Termômetro no sol
Gases de efeito estufa como o CO2 são os grandes responsáveis pela elevação da temperatura da TerraFoto: imageBROKER/picture alliance

Quando nasceu o Acordo de Paris  em 2015, em resposta ao aquecimento global e às mudanças climáticas , as coisas rapidamente se tornaram matemáticas.

Para desacelerar o aquecimento do planeta causado pela queima de petróleo, carvão e gás , e associado a tempestades devastadoras, inundações, secas e ondas de calor, os países definiram um número como meta principal.

Eles concordaram em tentar limitar o aumento da temperatura média global a 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais. Caso não atingissem essa meta, prometeram ficar abaixo de 2 °C.À primeira vista, pode parecer uma diferença insignificante, mas, como os cientistas apontam regularmente, é crucial.

Da mesma forma que um leve aumento na temperatura corporal pode fazer com que os humanos se sintam mal, o excesso de calor na atmosfera pode afetar o planeta. Ele intensifica a força e a probabilidade de eventos climáticos extremos, impactando desde o custo dos alimentos e apólices de seguro residencial, à migração, à saúde humana e à segurança hídrica.

Fumaça saindo de chaminés industriais
Especialistas acham difícil cumprir meta de 1,5 °CFoto: Jason Whitman/NurPhoto/IMAGO

No entanto, na década que se passou desde que o Acordo de Paris foi firmado, a maioria das nações continuou queimando combustíveis fósseis e emitindo gases de efeito estufa, como o CO2.

Agora, para muitos especialistas, a meta de 1,5 °C já parece muito difícil de ser alcançada. Mas o que significa, na prática, um aquecimento maior do que isso?

Por que 1,5 °C

A escolha de 1,5 não é aleatória. O esforço para impedir que as temperaturas subam acima desse limite tem razões claras. Quanto mais quente o mundo fica, mais as pessoas são expostas ao calor mortal, as nações à elevação do nível do mar e os ecossistemas ao colapso. Por exemplo, o risco de perdas irreversíveis de ecossistemas marinhos e costeiros é muito maior quando 1,5 °C é ultrapassado.

Um relatório publicado no mês passado pela iniciativa internacional de cientistas Atribuição Climática Global e pela organização de pesquisa Climate Central constatou que, desde o Acordo de Paris, o mundo aqueceu 0,3 °C. Mesmo esse aumento aparentemente pequeno se traduzem em 11 dias mais quentes que o normal extras por ano.

No momento, cientistas e especialistas concordam amplamente que a meta de 1,5 °C está fora de alcance. "Pelo menos temporariamente", de acordo com uma pesquisa recente da ONU, que afirmou que a única maneira de voltar aos trilhos até 2100 seria reduzir as emissões em mais de 55% nos próximos 15 anos. Isso exigiria reduções radicais e rápidas nos gases de efeito estufa .

As consequências de 2 °C

Já os 2 °C vinham sendo defendidos por cientistas, e posteriormente por políticos, muito antes que a meta fosse consagrada no Acordo de Paris como objetivo alternativo, caso os países não atingissem a marca de 1,5 °C.

Por mais próximos que os números pareçam, eles estão atrelados a realidades muito diferentes. De acordo com a ONG World Resources Institute (WRI), enquanto um aquecimento de 1,5 °C fará com que 14% da população mundial fique exposta a calor extremo, um aumento de 2 °C impactará mais de um terço da população mundial. Além disso, com um aquecimento de 2 °C, entre 800 milhões e 3 bilhões de pessoas em todo o mundo sofreriam com a escassez crônica de água.

As emissões em 2030 teriam que cair 25% em relação aos níveis de 2019 para manter o mundo na trajetória de 2 °C, de acordo com o último relatório Lacuna de Emissões da ONU.

Por que os polos aquecem mais rápido que outros lugares?

Sarah Heck, da Climate Analytics, instituto de ciência e política sem fins lucrativos, afirma que um aumento de 2 °C na temperatura da atmosfera levaria a verões sem gelo no Ártico pelo menos uma vez por década, em vez de uma vez por século em um cenário de 1,5 °C.

O derretimento do gelo agrava a elevação do nível do mar, que ameaça comunidades costeiras, ilhas baixas e a vida selvagem. E o degelo do permafrost libera o metano, um potente gás de efeito estufa aprisionado, que causa ainda mais aquecimento.

E se a temperatura subir mais?

Apesar das metas estabelecidas no Acordo de Paris, a atualização mais recente da temperatura global, feita pelo serviço independente de monitoramento Climate Action Tracker, mostra que, com as políticas atuais de redução de emissões, o mundo deverá aquecer cerca de 2,6 °C até 2100.

Esse nível de aquecimento pode levar ao colapso dos ecossistemas marinhos e a um aumento drástico de eventos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas. Também aumenta a probabilidade de desencadear "pontos de inflexão" climáticos catastróficos e, em alguns casos, irreversíveis, como a perda significativa de calotas polares e o recuo de geleiras de montanha das quais bilhões de pessoas dependem para obter água doce.

Foto aérea de cidade alagada
Enchentes deixaram milhares de pessoas fora de casa no Rio Grande do Sul em 2024Foto: Andre Penner/AP Photo/picture alliance

Eventos climáticos extremos atingiram novos patamares em 2024, o ano mais quente já registrado. Incêndios florestais atingiram os EUA, ondas de calor castigaram a Índia e muitas outras partes do mundo, o supertufão Yagi devastou o Sudeste Asiático e enchentes catastróficas deixaram o Rio Grande do Sul debaixo da água. A Atribuição Climática Global afirma que as mudanças climáticas contribuíram para o deslocamento de milhões de pessoas e levaram à morte de pelo menos 3.700 em 2024.

O cientista climático Adam Levy afirma que será difícil para os humanos se adaptarem a um aquecimento de 2,6 °C e pede aos países e às pessoas que se lembrem de outro número. "O mundo seguirá aquecendo enquanto continuarmos adicionando dióxido de carbono à atmosfera. Portanto, independentemente do que esteja acontecendo, os limites de temperatura, as metas, zero é o número que devemos sempre ter em mente", destacou.

Cidade brasileira tenta evitar seu destino infernal