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Foto: John Moore/Getty Images

Entenda como o ebola é transmitido

Helena Schwar (ce)
24 de agosto de 2014

Por que a equipe médica na África parece não estar imune, apesar das medidas para evitar o contágio? Entre as razões, a persistência do vírus, certos costumes e a resistência à medicina ocidental.

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Na África Ociental o vírus do ebola já fez mais de mil vítimas. Apesar dos grandes esforços de médicos, Organização Mundial da Saúde (OMS) e organizações humanitárias, o vírus vai se espalhando cada vez mais.

Ao contrário da gripe, a transmissão do ebola se dá apenas pelo contato direto com os fluidos corporais de pessoas infectadas, como sangue, urina, fezes ou suor. O vírus é extremamente resistente e sobrevive também durante muito tempo nas superfícies de objetos.

Quando um enfermo deixa fluidos corporais sobre uma mesa ou tampa de vaso sanitário, por exemplo, o vírus se mantém longamente ativo, e outras pessoas podem se contaminar. Outra situação perigosa é o óbito, pois o vírus do ebola não morre imediatamente com o paciente, mas permanece no cadáver, como fonte de contaminação.

Os pesquisadores acreditam ter sido assim que a atual epidemia se alastrou. Consta que, em dezembro de 2013, um menino se infectou no contato com um morcego caçado para ser comido. Assim, o chamado "paciente zero", ou seja, o primeiro a carregar o vírus da epidemia, contaminou também as pessoas imediatamente à sua volta.

Importância de medidas de precaução

Ao entrar no corpo, o vírus se espalha com velocidade e destrói os vasos sanguíneos. Além disso, ele prejudica o processo de coagulação e provoca fortes reações inflamatórias. O sistema imunológico não consegue responder com rapidez suficiente: a pressão sanguínea cai velozmente e os pacientes morrem de falência múltipla de órgãos.

Ebola Ausbruch Monrovia 17.08.2014
Cada vez mais integrantes da equipe médica são contaminados pelo vírusFoto: Reuters

Como as formas de transmissão do vírus são conhecidas, os médicos deveriam poder se proteger da infecção. Apesar disso, cada vez mais membros das equipes médicas se contaminam.

O Instituto Bernhard Nocht, a maior organização alemã de pesquisa de doenças tropicais, presume que as rigorosas medidas de segurança para pessoal médico não foram ou não puderam ser cumpridas, seja por falhas de formação e esclarecimento no tratamento de pacientes, seja por falta do material necessário, como desinfetantes para as vestes de proteção.

Aspecto cultural do alastramento

Teoricamente, a epidemia poderia ser logo debelada, mas isso não depende apenas dos médicos. Faz parte do combate ao ebola também o esclarecimento da população, pois certos costumes são um obstáculo à extinção do vírus.

O Instituto Bernhard Nocht recomenda que também sejam consultados antropólogos, pois, em muitas das regiões afetadas na África, o significado do funeral é maior do que o de um nascimento ou casamento. Os mortos ficam na proximidade da família por algum tempo, são velados e tocados. E assim o vírus, que ainda sobrevive por vários dias, é transmitido às pessoas saudáveis.

Muitos africanos consideram que sua doença é uma maldição, que os persegue por vingança de um inimigo ou de uma divindade; ou que o vírus foi trazido pelos brancos aos seus países. Muitos rejeitam a medicina convencional e não se deixam tratar, muito menos por brancos.

A chave para combater o ebola está no esclarecimento. Os infectados devem ser encorajados a procurar ajuda nos ambulatórios. E os familiares precisam saber como se proteger do contágio.