Eleições na Holanda apontam vitória liberal e avanço populista | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 10.06.2010
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Mundo

Eleições na Holanda apontam vitória liberal e avanço populista

Liberais-conservadores de Mark Rutte superam os social-democratas de Job Cohen por uma cadeira e serão a maior força do Parlamento holandês. Democrata-cristãos perdem metade dos assentos e populistas disparam.

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Partido de Rutte obteve 31 cadeiras no Parlamento

A Holanda está diante de uma troca de governo. O primeiro-ministro Jan-Peter Balkenende renunciou na noite desta quarta-feira (09/06) à liderança da Aliança Democrata Cristã (CDA, em holandês) e disse que permanecerá interinamente na chefia de governo até a formação de uma nova coalizão.

O anúncio foi feito após a contagem de votos confirmar a derrota da CDA, que perdeu a metade das cadeiras que tinha no Parlamento. Os resultados mais recentes mostram que, dos 41 assentos que tinha, o partido ficou com apenas 21.

"Este resultado exige que responsabilidades políticas sejam assumidas. Isso significa também que eu, como líder do partido, devo assumir as minhas responsabilidades. Por isso renuncio ao meu cargo no partido e também não retornarei ao Parlamento", afirmou Balkenende.

Com isso há ao menos uma certeza na Holanda: a era de Balkenende como primeiro-ministro chegou ao fim depois de oito anos e quatro coalizões de governo.

Liberais na frente

Job Cohen Kandidat Niederlande Wahl

Job Cohen durante a eleição: segunda maior força

O sucessor de Balkenende poderá ser Mark Rutte, presidente do Partido Popular da Liberdade e da Democracia (VVD, na sigla em holandês). Os resultados que começaram a se consolidar às 4h desta quinta-feira (horário local) mostram que, pela primeira vez em quase cem anos, um liberal poderá comandar o governo da Holanda.

Os liberais-conservadores de Rutte somam 31 cadeiras, nove a mais que na legislatura anterior e uma a mais que o social-democrata Partido do Trabalho (PvdA), liderado por Job Cohen. A disputa entre os dois foi acirrada até o início da manhã.

Mas o grande vencedor desta eleição chama-se Geert Wilders. O homem de mechas loiras, inimigo de todos os muçulmanos e provavelmente a pessoa mais bem escoltado do país conseguiu mais que duplicar o número de votos do seu Partido para a Liberdade (PVV), de extrema direita.

O PVV conquistou 24 assentos, 15 a mais que na legislatura anterior, e formará a terceira maior bancada do Parlamento, à frente dos democrata-cristãos. Foi o maior crescimento entre todos os partidos.

"Agora toda a Holanda já sabe: somos um partido importante, ninguém mais poderá ignorar o PVV em Haia", afirmou Wilders.

Opções de coalizão

Niederlande Wahlen Geert Wilders Partei für die Freiheit

PVV de Wilders terá terceira maior bancada

O crescimento do PVV se tornou um problema para os demais partidos, já que ninguém quer incluir os radicais de direita numa possível coalizão. Cohen havia descartado essa hipótese. Mas após o resultado das urnas o discurso era outro: "Quatro partidos saíram vencedores dessa eleição. Quero parabenizar a todos e vou começar pelo PVV. Eles registraram uma vitória estupenda e temos que respeitar isso."

Até agora, trata-se apenas de um gesto amigável e não de uma mudança de rumo em direção aos populistas de direita, uma hipótese pouco provável. Essa situação fortalece a posição de Rutte. Uma aliança com a CDA de Balkenende e com o PVV de Wilders bastaria para obter uma maioria apertada no novo Parlamento.

E ninguém poderá reclamar se essa aliança sair, já que Rutte foi o único a não descartar uma união com os extremistas de direita.

Mas Rutte tem ainda a opção de formar um governo com o Partido Verde e com o liberal de esquerda Democratas 66 – e, nesse caso, deixar os populistas de Wilders de fora. Ao todo, são seis opções de coalizão que estão à disposição dos liberais.

Essa situação confusa poderá agora ser resolvida pela rainha Beatrix. Ela pode nomear um informateur, uma pessoa de confiança que irá sondar os partidos sobre as possíveis coalizões. Com base nessas informações, é nomeado um formateur, que recebe a incumbência de formar o novo governo. Geralmente o formateur é também o novo primeiro-ministro.

Autor: Jürgen Kleikamp/WDR (as)

Revisão: Carlos Albuquerque

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