Economia alemã está longe de recessão, dizem peritos | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 17.04.2008
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Economia

Economia alemã está longe de recessão, dizem peritos

Principais institutos econômicos do país consideram positiva a conjuntura econômica alemã, apesar dos efeitos da crise financeira mundial. Bom desempenho de países emergentes teria evitado queda brusca do PIB mundial.

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30 economistas de oito institutos se reuniram por duas semanas em Kiel

A conjuntura econômica alemã parece resistir aos efeitos da crise financeira internacional, à valorização do euro e ao aumento de preços, por mais que os principais institutos econômicos do país tenham reduzido a previsão de crescimento em 2008 de 2,2% para 1,8%.

"Um resvalamento para a recessão é improvável", avalia Joachim Scheide, do Instituto de Economia Mundial (IfW) em Kiel, um dos institutos encarregados de redigir o relatório encomendado pelo governo federal desde 1950 para avaliar a situação econômica do país.

Em 2009, o crescimento econômico deverá ser de 1,4%. No entanto, os peritos alertam que o índice é inferior ao de 2008 devido quase exclusivamente ao elevado número de dias úteis neste ano. "A dinâmica conjuntural será de fato maior em 2009", explica Scheide.

Pela primeira vez, os especialistas fizeram também um prognóstico a médio prazo, segundo o qual o Produto Interno Bruto (PIB) alemão deverá registrar uma média anual de crescimento de 1,5% entre 2007 e 2012.

De acordo com o parecer, também "a situação do mercado de trabalho confirma a tendência positiva da conjuntura", com o total de desempregados caindo em média para 3,2 milhões em 2008, cerca de 560 mil a menos do que no ano passado.

Em 2009, a média anual deverá baixar para menos de 3 milhões de desempregados pela primeira vez desde 1991. Mas os especialistas alertam que o bom desempenho da economia alemã está sendo ofuscado pela alta taxa de inflação, que encerrará o ano 2,6% maior que em 2007 e crescerá outro 1,8% em 2009.

Salários mínimos dividem opiniões

O relatório não poupou críticas à política econômica da atual coalização de governo, que os peritos acusam de estagnação ou até retrocesso. Mesmo assim, eles desaconselham o país a pôr em prática um programa de aquecimento econômico similar ao dos EUA.

A introdução de salários mínimos, por sua vez, divide opiniões. Parte dos institutos envolvidos cobra do governo que dê continuidade às reformas do mercado de trabalho, repense "elevações tributárias escondidas" e mantenha distância do estabelecimento de salários míminos, alertando que um piso salarial de 7,5 euros poderia levar à demissão de 1,1 milhão de pessoas.

Por outro lado, alguns sugerem que se implemente um salário mínimo mais baixo, ao mesmo tempo em que se invista em educação, a fim de permitir que pessoas menos qualificadas obtenham acesso ao mercado de trabalho.

Crise sem fim previsto

Ainda de acordo com o parecer, a economia mundial continuará sofrendo com os efeitos da crise nos mercados financeiro e imobiliário dos Estados Unidos e as turbulências provocadas no mercado internacional. "Não é possível prever até quando as ações e bens imobiliários continuarão caindo e quando terão atingido seu ponto mais baixo", consta do relatório.

Tampouco está excluída a possibilidade de que a crise de liquidez venha a atingir outros grandes institutos financeiros. Também o crescimento do PIB mundial em 2008 deverá ser notavelmente inferior ao registrado nos últimos anos, devido principalmente à alta do petróleo e ao aumento do preço de bens alimentícios, o que diminui o poder aquisitivo da população e impede que bancos centrais diminuam as taxas de juros, temendo risco de inflação.

Mesmo assim, o crescimento da economia mundial deverá ser de 2,7%, em grande parte graças aos altos índices de crescimento de países emergentes. A Índia e a China devem crescer 10% e também a economia da Rússia continua forte, que, assim como a América Latina, lucra com a forte demanda por matérias-primas. Em 2009, o índice deverá chegar a 2,9%, acompanhando a queda dos preços de alimentos e da inflação.

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