Documentário ″mais longo do mundo″ leva 1.440 minutos de Berlim à tela | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 05.09.2009
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Cultura

Documentário "mais longo do mundo" leva 1.440 minutos de Berlim à tela

Um ano depois de ter sido filmado, "Berlim 24 horas" vai ao ar na programação de duas emissoras de TV na Alemanha. Projeto visa documentar "um dia absolutamente normal" na vida da capital alemã.

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Ponto de registro na Igreja da Memória: pedestres dão depoimentos

Berlim, berlinenses e visitantes ocupam o centro das atenções neste sábado (05/09), quando a emissora de televisão RBB e a franco-alemã ARTE levam ao ar um projeto inusitado: o retrato, por 24 horas ininterruptas, das peculiaridades e idiossincrasias da capital alemã.

A partir das 6 horas da manhã, está sendo exibido na tela da TV o cotidiano de vários habitantes da cidade, desde personalidades conhecidas – como o prefeito Klaus Wowereit ou o regente e diretor musical da Staatsoper, Daniel Barenboim – até pessoas comuns, como um professor a caminho da escola onde dá aulas, o vendedor de um jornal escrito por desabrigados, uma jovem designer, o vendedor de uma loja de departamentos ou a dona de um salão de beleza.

As imagens foram todas captadas no dia 5 de setembro de 2008, há exatamente um ano, por 80 equipes de filmagem, que envolveram 400 profissionais. O resultado do trabalho somou 750 horas de material que, depois de editadas, estão sendo levadas ao ar pelas duas emissoras.

Memória digital

Thomas Kufus und Volker Heise

Produtor Thomas Kufus e diretor Volker Heise

O projeto, dirigido por Volker Heise e produzido por Thomas Kufus, conta com a participação de cineastas conhecidos, como Volker Koepp, Andres Veiel, Romuald Karmakar ou Rosa von Praunheim. A ideia, de acordo com Heise, é produzir um documento histórico para o futuro. Segundo ele, ao ver essas imagens em 50 anos, o espectador poderá observar uma série de coisas que não existirão mais.

Para justificar suas teorias de que a cidade estará completamente diferente, Heise cita o pesquisador urbano Hartmut Häussermann, segundo o qual, até 2058, tanto a "alta cultura" (representada no filme pelo regente Daniel Barenboim), quanto a representação masculina do poder estarão em decadência em Berlim.

Além disso, segundo ele, não haverá mais tanta segurança nas ruas da cidade como hoje. Especulações à parte, certo é que a arquitetura berlinense terá passado por algumas mudanças concretas até lá, como por exemplo em função da reconstrução do castelo Stadtschloss numa área nobre da cidade.

Migrantes, solteiros e idosos

O retrato final de Berlim – formado por nada menos que 1.440 minutos de filme transmitidos em 24 horas pela televisão – é composto por imagens de 20 protagonistas e 50 personagens secundários, entre estes um lixeiro, um jornalista francês, o aluno de uma escola judaica e uma poeta.

"A cidade é feita de diversos ambientes sociais", explica Heise, ao citar os diversos grupos de migrantes que vivem em Berlim e o grande número de solteiros e idosos. "Queremos saber como essas pessoas vivem, como criam seus filhos, que programas de televisão assistem, o que comem", descreve o diretor.

Contribuições pela internet

24 Stunden Berlin

Berlim sem pausa por 24 hs

Dos primórdios da ideia à sua concretização, decorreram nada menos que três anos, um deles gasto somente com as pesquisas. No fim das filmagens, ninguém mais tinha uma visão geral do projeto, conta o produtor Kufus.

A fim de evitar que as 24 horas de filme se tornassem entediantes para o espectador, o diretor teve ainda a ideia de convocar os habitantes da cidade a contarem suas histórias particulares em pontos específicos espalhados por Berlim. Além disso, num site na internet, qualquer um podia arquivar as imagens ou os depoimentos que quisesse. Parte deste material também foi incluído na edição.

A cidade como ela é

Estatísticas, notícias rápidas, informações ou pequenas histórias: o fio condutor do filme é "a normalidade". A cidade como ela é: do crematório à penitenciária, passando pelo hospital, pelo lago na periferia, pelo Rio Spree ou pela praça Alexanderplatz. Como se pode ouvir no início do filme: "essa é a história de um dia na vida de Berlim. Um dia absolutamente habitual. Não há previsões de qualquer acontecimento especial. As pessoas vão se levantar e seguir para o trabalho, vão se amar e se odiar, nascer e morrer".

Uma tarefa nem tão fácil quanto parece."Aproximar-se do cotidiano das pessoas normais é extremamente difícil", conta o diretor Volker Heise, lembrando que a primeira inspiração para o projeto veio quando ele leu o apelo de um historiador britânico, conclamando os habitantes de seu país a protocolarem detalhadamente um dia em suas vidas. Na versão para a TV, esse "protocolo visual" (no caso, sobre Berlim) se tornou de acesso público.

SV/dpa/epd/ap
Revisão:Augusto Valente

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