Diego já é ídolo no futebol alemão | Siga a cobertura dos principais eventos esportivos mundiais | DW | 23.08.2006
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Esporte

Diego já é ídolo no futebol alemão

Em entrevista exclusiva à DW-WORLD, meia brasileiro de 21 anos fala sobre seu excepcional início no Werder Bremen, a adaptação à Alemanha, seleção brasileira e os problemas que teve no futebol português.

Diego contra três: craque brasileiro baila nos gramados da Bundesliga

Diego contra três: craque brasileiro baila nos gramados da Bundesliga

Em pouco mais de um mês no Werder Bremen, Diego já conquistou os torcedores do clube alemão. As belas jogadas do meia brasileiro, de 21 anos, têm encantado a imprensa européia, que o aponta como a mais nova estrela da Bundesliga. A revista Kicker, principal publicação esportiva da Alemanha, estampou esta semana o brasileiro na capa, com os dizeres "Diego – o senhor da bola", após vitória do Werder por 2 a 1 sobre o Bayer Leverkusen.

Já na pré-temporada, o ex-jogador do Santos – comprado ao Futebol Clube do Porto por 7 milhões de euros –, com atuações convincentes, ajudou seu novo time a conquistar a Copa da Liga, uma espécie de "torneio início" disputado entre os principais clubes antes da Bundesliga.

Na estréia no Campeonato Alemão, foi de Diego o primeiro gol do Werder na Bundesliga. O brasileiro ainda deu passes para dois outros gols, na vitória contra o Hamburgo por 4 a 2. No segundo jogo, outro show do jogador: as assistências para os dois gols foram dele, além de belas jogadas e uma magistral finalização de bicicleta na entrada da área, que só não entrou devido a uma precisa intervenção do goleiro do Leverkusen.

Em entrevista exclusiva à DW-WORLD, o paulista Diego Ribas da Cunha disse estar muito satisfeito em seu novo clube e que foi muito bem recebido no Werder. Segundo ele, é bom jogar ao lado do atacante Klose. "É muito fácil me entender com ele", destacou.

O meia também contou um pouco de sua vida pessoal na Alemanha. Ainda morando em um hotel, o jogador aproveita o tempo livre para ficar com a namorada – que deve voltar em breve ao Brasil – e para passear por Bremen, cidade "pequena e acolhedora". O meia diz que ainda está "apanhando" do idioma alemão, mas que em setembro começará a freqüentar aulas no idioma.

Diego recordou ainda as dificuldades enfrentadas em seus últimos meses em Portugal, quando foi sacado do time pelo treinador do Porto sem receber explicações, dando a entender que isso pode ter lhe custado uma vaga na seleção brasileira para a Copa de 2006. Ele afirmou que, com a boa fase no futebol alemão, aumentam suas chances de voltar a vestir a amarelinha.

Confira abaixo a íntegra da entrevista com o craque:

DW-WORLD: Você começou muito bem no Werder Bremen. Campeão da Copa da Liga e um ótimo início na Bundesliga, com um gol, várias assistências e belas jogadas. Qual a sua avaliação deste início no futebol alemão?


Diego Ribas da Cunha: Até agora tem sido maravilhoso, conseguimos alcançar o primeiro objetivo da equipe, que era começar a temporada com vitórias. O primeiro jogo foi complicado, ganhamos fora de casa, e depois vencemos em casa. Foram dois jogos difíceis que conseguimos vencer. Antes do Campeonato Alemão começar, conseguimos ganhar a Copa da Liga, vencendo grandes equipes como o Bayern de Munique e o Hamburgo. Portanto, tenho me sentido muito bem, muito à vontade na equipe e até agora estou muito satisfeito com o rendimento do Werder e com o meu também.

Como você foi recebido em seu novo clube?

Foi maravilhoso, até agora todos me receberam muito bem, tanto a comissão técnica, como os jogadores e também a torcida. Essa recepção muito boa tem facilitado minha adaptação e meu entrosamento. É lógico que com o tempo a tendência é sempre melhorar, mas posso dizer que até agora estou me sentindo muito à vontade.

Como está o clima na equipe?

O clima é muito bom, o grupo é muito unido, já há algum tempo formado, com alguns jogadores experientes. Enfim, é um excelente grupo.

Como é jogar ao lado do Miroslav Klose, que foi artilheiro da Copa e é um grande ídolo na Alemanha?

Diego und Klose

A dupla do momento no futebol alemão

Tem sido ótimo, é um atacante oportunista, com uma qualidade excepcional, que fez até agora dois gols em dois jogos. É muito fácil me entender com ele, tenho procurado servi-lo porque é um jogador que aproveita a oportunidade. Se ele for bem servido, vai estar sempre marcando gols.

Veículos de imprensa já apontam você como a mais nova estrela da Bundesliga. Como você, sendo um jogador tão jovem, lida com esse sucesso tão rápido na Alemanha e com a reação extremamente positiva por parte da imprensa e do público?

Eu fico feliz, muito satisfeito mesmo, por estar agradando e por saber que as pessoas têm elogiado. O objetivo do jogador é sempre esse. Mas ao mesmo tempo eu mantenho meus pés no chão. Não é a primeira vez que eu passo por isso, no Santos e no Porto já passei por isso. Esses elogios, é lógico, me dão muita confiança, eu fico muito satisfeito, mas sei que ainda há um longo caminho pela frente. Fizemos os dois primeiros jogos, as dificuldades vão aumentando ao longo do campeonato. Os elogios têm servido para me dar confiança e me motivam bastante para o decorrer do campeonato.

Leia na página seguinte sobre a vida do craque na Alemanha, sua conturbada passagem pelo futebol português e como Diego avalia suas chances na seleção brasileira

Diego Werder Bremen umgeht Werbeverbot

Boas atuações no Werder fazem o craque sonhar novamente com a amarelinha

Titelseite von kicker-sportmagazin

'Diego – o senhor da bola': capa da kicker desta semana (www.kicker.de)

Como tem sido a vida do Diego na Alemanha?

Por enquanto estou vivendo em um hotel. A casa onde vou morar vai ficar pronta no começo de setembro, tenho ficado aqui por enquanto com a minha namorada, daqui a pouco ela vai retornar ao Brasil e eu vou ficar sozinho. Tenho treinado de manhã, sempre que posso dou algum passeio com o Naldo [zagueiro que também joga pelo Werder Bremen], que também é brasileiro, ou às vezes sozinho mesmo, para dar uma volta pela cidade, conhecer alguns lugares, basicamente tem sido esse meu dia-a-dia.

Você está gostando de Bremen?

Sim. É uma cidade pequena, acolhedora, sempre vivi em cidades tranqüilas e aqui também é assim. É fácil para a gente se deslocar, tem tudo o que eu preciso, tenho gostado bastante.

Como tem sido o contato com o torcedor?

Aqui o pessoal é muito fanático. Eles vivem diariamente o clube, acompanham as notícias e isso é legal, jogamos sempre com o estádio cheio, todos os dias os treinamentos estão lotados de torcedores que sempre pedem autógrafos. Tem sido um relacionamento muito legal e muito próximo com a torcida aqui.

Está complicado adaptar-se ao idioma?

Sim, é complicado [risos]. Para o brasileiro fica difícil, a língua é bem diferente. Até agora aprendi algumas coisas básicas, algumas palavras, é muito complicado. Mas eu pretendo a partir de setembro começar a fazer aulas para que eu possa aprender o mais rápido possível a língua.

Quais palavras em alemão você já aprendeu?

Já falo "por favor", "obrigado", "muita dor", "pouca dor" [risos], "jogar", enfim, algumas palavras que a gente vai pegando no dia-a-dia. Mas para conversar mesmo, colocar tudo em ordem, é difícil [risos].

Em seu site pessoal na internet há uma entrevista com seu pai, na qual ele dizia, em abril deste ano, que você se sentia "triste e humilhado" no Futebol Clube do Porto por não estar sendo aproveitado no clube. O que deu errado no Porto?

Em nenhum momento no Porto eu deixei de ser o mesmo jogador que eu fui no Santos em termos de motivação ou de trabalho. Sempre me dediquei muito nos treinamentos, nunca tive nenhum problema de indisciplina no clube, seja com os jogadores, torcedores ou com a comissão técnica. Dentro de campo sempre me esforcei o máximo e correspondi na medida do possível. Mas o que aconteceu nos últimos 10 ou 15 jogos foi muito estranho, ninguém consegue entender aquilo até hoje.

Saí de lá com a cabeça erguida, a maneira com que fui tratado pelos torcedores sempre me deixou muito satisfeito, o respeito e a admiração que eles tinham por mim, vivi momentos felizes, conquistei alguns títulos, mas o final acabou por me deixar muito chateado. Realmente o que fizeram foi muito estranho, não tinha nenhuma explicação. Até então era sempre titular, jogava os 90 minutos e de repente não era sequer relacionado, o treinador não me dava explicação, foi muito estranho, tudo isso me deixou muito chateado. Mas o importante é eu ter achado aqui no Werder Bremen as condições que eu sempre procurava. Estou satisfeito com a decisão que eu tomei de ter vindo para cá. Isso é o mais importante.

Você pode dizer então que recuperou no Werder a alegria de jogar?

Sem dúvida, graças a Deus.

Que avaliação você faz do futebol alemão?

O futebol alemão é um futebol mais rápido, com um toque de bola muito rápido, a transmissão defesa-ataque é muito rápida e as equipes geralmente jogam buscando o gol. O Werder Bremen tem um esquema ofensivo, por isso não tenho tido dificuldades de adaptação. O esquema do Werder Bremen é igual ao que eu jogava no Santos.

Qual a maior diferença que você nota entre o futebol alemão e o português?

É complicado fazer esse tipo de comparação, até porque eu posso ser mal interpretado pelos portugueses, eu prefiro não fazer esse tipo de comparação. O que eu posso dizer do Campeonato Alemão é que ele tem me surpreendido muito, positivamente.

Com esta nova fase no futebol alemão aumentam suas esperanças de retornar à seleção brasileira?

Aumentam, sem dúvida. Estou disputando um campeonato que tem uma repercussão muito grande em nível mundial. A seleção brasileira nunca deixou de ser meu principal objetivo. A cada treinamento e a cada jogo a seleção é sempre uma motivação extra. Eu fico na expectativa. O Dunga tem convocado vários jogadores para experimentar, e sem dúvida a minha expectativa de retornar à seleção brasileira existe.

A não convocação para a Copa do Mundo de 2006 foi uma grande decepção ou você já esperava por isso, devido ao seu não aproveitamento pelo treinador do Porto?

Eu fui convocado durante dois anos e meio a três anos nessa preparação para a Copa de 2006. Portanto é inevitável dizer que eu criei uma expectativa de disputar a Copa do Mundo, principalmente depois do título que ganhamos na Copa América de 2004. Mas aos poucos, sem dúvida, eu fui vendo que a situação foi ficando complicada, principalmente pela situação que vinha acontecendo no Porto. A cada jogo da seleção que eu via eu imaginava e sabia que era possível estar lá, mas futebol tem disso, a seleção brasileira tem uma concorrência muito grande. Mas isso não deixa mágoa nenhuma, meu esforço continua sendo o mesmo, eu contino sendo o mesmo jogador e vou em busca de uma nova oportunidade na próxima Copa. Estou com 21 anos e meu objetivo continua sendo esse.

O que faltou para a seleção brasileira na Copa de 2006?

É complicado, né? De longe assim a gente não sabe ou não vê muita coisa, a expectativa que foi criada era muito grande, o grupo era muito bom, talvez por isso a decepção tenha sido maior ainda. Como jogador é dificil de fazer esse tipo de análise. Só mesmo estando lá para saber os pontos que influenciaram para que isso [eliminação nas quartas-de-final] tenha acontecido.

Qual a expectativa para o difícil jogo desta sexta contra o Schalke, em Gelsenkirchen?

A expectativa é sem dúvida de um jogo complicado, que deverá ser decidido nos detalhes, como aconteceu na última vez em que o Werder jogou lá, mas o nosso objetivo é a vitória, sabemos das dificuldades, mas vamos em busca da vitória respeitando o Schalke, que é uma grande equipe, que briga pelo título.

O Werder vai ser campeão alemão?

[risos] Não dá para garantir que nós seremos campeões, mas podemos garantir que temos condições, que almejamos isso. Sabemos que as dificuldades são grandes, mas é possível, tanto que o clube foi campeão há três anos e no último campeonato ficou a apenas cinco pontos do Bayern. Nós temos lutado e temos colocado isso como principal objetivo.

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