Desmatamento no Cerrado volta a crescer em 2020 | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 22.12.2020

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Meio ambiente

Desmatamento no Cerrado volta a crescer em 2020

Dados atualizados pelo Inpe apontam um aumento de 12,3% em relação ao ano anterior, com 7,3 mil km² desmatados. Destruição é maior em região da Matopiba, área de expansão da soja.

Avanço do agronegócio na região da Matopiba

Avanço do agronegócio na região da Matopiba

Depois de uma leve queda em 2019, o desmatamento no Cerrado, o segundo maior bioma brasileiro, segue a tendência da Floresta Amazônica e registrou aumento em 2020. Segundo o monitoramento anual feito pelo sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre agosto de 2019 e julho de 2020 a destruição foi de cerca de 7,3 mil km², um aumento de 12,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em 2019, o Inpe havia estimado que 6.484 km² haviam sido devastados, número 2,26% menor que o predecessor.

As informações atualizadas no site do Inpe ainda não foram divulgadas oficialmente pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). "O Inpe está cumprindo o seu papel de tornar a informação pública e transparente. Qualquer um pode acessar e verificar os dados", comenta Claudio Almeida, coordenador do Prodes, sobre as informações atualizadas no site do instituto. 

Dos 11 estados que abrigam o bioma, além do Distrito Federal, Maranhão foi o que mais desmatou entre meados de 2019 e meados de 2020, com 1,8 mil km² (quase 25% do total). Tocantins (21%), Bahia (12,5%), Mato Grosso (10%) e Goiás (10%) vêm na sequência.

Desmatamento em alta em unidades de conservação

Seguindo uma tendência de aumento observada desde 2017, a retirada da vegetação em unidades de conservação se manteve em crescimento em 2020, com alta de 13% em relação ao ano passado.

A área de proteção ambiental Ilha do Bananal/Cantão, em Tocantins, foi a mais destruída. A unidade, a maior do estado, faz parte de uma grande região produtora de soja e vive conflitos econômicos, sociais e ambientais. Uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) apontou que esse cultivo cresceu mais de 1.700% desde 2010 - e cerca de 25% da área plantada são ilegais.

O monitoramento anual da perda do Cerrado, que ocupa uma área de 2 milhões de km², ou cerca de 24% do território brasileiro, passou a ser feito a partir de 2018 pelo Inpe, seguindo os moldes do Prodes Amazônia. 

Desmatamento ligado à soja

"Esse foi um aumento expressivo no desmatamento. A gente saiu de um patamar de 6,5 mil km² para 7,3 mil km²”, comenta Laerte Ferreira, pró-reitor de pós-graduação da Universidade Federal de Goiás (UFG) e coordenador da plataforma Cerrado DPAT.

Ferreira pontua que o desmatamento aumentou principalmente na região de expansão da fronteira agrícola conhecida como Matopiba, áreas de Cerrado dos estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Esse incremento pode estar associado a uma corrida para transformar vegetação nativa em áreas de cultivo antes da possível chegada da moratória da soja ao Cerrado. Esse acordo, em vigor na Amazônia desde 2006, envolve produtores e grandes compradores em torno de um compromisso comum: não comercializar o grão que venha de regiões desmatadas ilegalmente.

"Existe uma expectativa de que a gente possa ter uma moratória da soja no Cerrado. Algumas traders já começaram a recusar soja de áreas que foram suprimidas ilegalmente no Piauí e sul do Maranhão", afirma Ferreira.

Claudia Almeida concorda com essa possibilidade. "Matopiba é uma área que ainda está em expansão. Há muitos produtores abrindo áreas sem pensar nos possíveis impactos ambientais e até boicotes comerciais, como ameaçam grandes compradores como a União Europeia", adiciona.

Mais da metade do Cerrado brasileiro já foi destruída. A plataforma MapBiomas, que mapeia o uso da terra, mostra que 43,7% do bioma foram transformados em áreas usadas pela agropecuária. Pastagens e lavouras de soja são as paisagens predominantes.

Dados do MapBiomas analisados no mesmo período considerado pelo Prodes, de agosto de 2019 e julho de 2020, mostram um alto índice de ilegalidade. Dos 6.721 alertas de desmatamento no Cerrado, 6.375 (95%) vieram de locais que não tinham autorização para supressão da vegetação.

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