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Cuba planeja atacar os Estados Unidos com drones, diz site

17 de maio de 2026

Havana teria adquirido centenas de equipamentos da Rússia e do Irã, de acordo com informações da inteligência americana. Base de Guantánamo, navios militares e até a ilha de Key West, na Flórida, seriam os alvos.

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Drone Shahed-136 nos céus
Drone iraniano Shahed-136, que também é utilizado pela Rússia na invasão à UcrâniaFoto: Middle East Images/picture alliance

Cuba estaria adquirindo cerca de 300 drones militares da Rússia e do Irã e planejando utilizá-los para realizar ataques a alvos americanos, como a base de Guantánamo, navios militares dos Estados Unidos e a ilha de Key West, na Flórida, a cerca de 150 quilômetros do território cubano. O plano foi divulgado pelo site Axios, que teve acesso a informações confidenciais de oficiais de inteligência do governo dos EUA.

De acordo com a publicação, um possível plano de ofensiva por parte de Cuba poderia motivar uma ação militar americana na ilha caribenha, cujo governo tem sido alvo de ameaças do presidente Donald Trump e do secretário de Estado, Marco Rubio. O país também enfrenta uma das maiores crises da sua história recente, com apagões energéticos e desabastecimento, principalmente após a deposição de Nicolás Maduro, então aliado de Havana, da presidência da Venezuela.

Segundo o Axios, Cuba tem recebido drones de "capacidades variadas" da Rússia e do Irã desde 2023. Os equipamentos estariam sendo armazenados em locais estratégicos da ilha, de acordo com autoridades americanas.

Segundo um alto funcionário da CIA, Havana recebeu mais drones e equipamentos militares russos no último mês. Essa mesma fonte afirmou que interceptações de inteligência apontam que os agentes cubanos estão "tentando aprender como o Irã tem resistido" aos ataques americanos.

Além disso, a presença de membros do governo iraniano em Cuba e de instalações de espionagem para coleta de sinais de inteligência na ilha tem preocupado Washington.

"Há muito tempo estamos preocupados que um adversário estrangeiro usando esse tipo de localização tão próximo do nosso território seja altamente problemático", disse o secretário de Defesa, Pete Hegseth, ao deputado Mario Diaz‑Balart, em uma audiência no Congresso na última terça‑feira (12/05).

"Quando pensamos nesse tipo de tecnologia tão próxima, e em uma gama de atores problemáticos, desde grupos terroristas até cartéis de drogas, iranianos e russos, isso é preocupante", disse o funcionário ao Axios, que não revelou seu nome.

Diretor da CIA, John Ratcliffe, em encontro com cubanos
Diretor da CIA, John Ratcliffe (esq.) se reuniu com funcionários cubanos na semana passada, em HavanaFoto: CIA via X/Handout/REUTERS

Relações próximas com Irã e Rússia

O uso de drones tem sido um dos trunfos do Irã na resistência à ofensiva americana, iniciada em 28 de fevereiro. Por meio desses equipamentos militares, Teerã danificou bases americanas no Oriente Médio e instalações energéticas nos países do Golfo Pérsico. 

Já em relação à Rússia, Cuba teria enviado cerca de 5 mil soldados para lutar na invasão à Ucrânia, segundo estimativas do governo americano, recebendo do Kremlin cerca de US$ 25 mil por cada militar deslocado.

"Eles fazem parte da máquina de guerra de Putin. Estão aprendendo táticas iranianas. É algo para o qual precisamos nos preparar", acrescentou a fonte ao Axios.

Ainda de acordo com o site, o diretor da CIA, John Ratcliffe, viajou a Cuba na última quinta‑feira (14/05), quando teria alertado oficiais de Havana sobre o plano de ataque, além de pedir que abandonassem o governo castrista em troca do alívio de sanções dos EUA.

"O diretor Ratcliffe deixou claro que Cuba não pode mais servir como plataforma para adversários avançarem agendas hostis em nosso hemisfério", afirmou o oficial ao Axios.

Torre de observação na Base de Guantánamo
Base americana de Guantánamo, que fica em Cuba, seria um dos alvos da possível ofensiva de HavanaFoto: Alex Brandon/AP Photo/picture alliance

Na próxima quarta‑feira (20/05), diz a reportagem, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos planeja tornar pública uma acusação contra Raúl Castro por supostamente ordenar, em 1996, o abate de dois aviões pilotados por um grupo de auxílio com base em Miami chamado "Brothers to the Rescue".

Apesar do alerta sobre os possíveis ataques, Washington não vê Cuba como uma ameaça iminente, mas a CIA estaria levando em consideração as discussões em Havana sobre planos de guerra em caso de um ataque americano à ilha. No entanto, o governo Trump acredita que o poderio cubano está longe de se tornar uma ameaça quanto durante a Crise dos Mísseis, em 1962.

"Ninguém está preocupado com caças vindos de Cuba. Nem está claro se eles têm algum que possa voar", indicou o oficial da CIA à Axios.
"Mas vale notar o quão perto eles estão, a 150 quilômetros. Não é uma realidade com a qual nos sintamos confortáveis", finalizou.

Fcl (Reuters, ots)