Crise na Venezuela opõe aliados e adversários internacionais de Maduro | Notícias internacionais e análises | DW | 24.01.2019
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América Latina

Crise na Venezuela opõe aliados e adversários internacionais de Maduro

EUA, Brasil e Colômbia reconhecem oposicionista como novo presidente venezuelano, enquanto Rússia, China e Turquia continuam a declarar apoio a Maduro. UE pede "eleições livres" e evita apoiar oposição.

Diante de multidão, presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se declara presidente interino da Venezuela

Diante de multidão, presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se declara presidente interino

A autoproclamação do líder oposicionista Juan Guaidó como presidente da Venezuela nesta quarta-feira (23/01), em meio a uma série de protestos, gerou reações divergentes no cenário internacional.

Um bloco liderado pelos Estados Unidos reconheceu rapidamente Guaidó, atual presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, como chefe de Estado legítimo do país em detrimento da posição do cada vez mais autoritário Nicolás Maduro, cuja reeleição ao cargo máximo do Executivo venezuelano no ano passado foi repudiada pela maior parte da comunidade internacional após acusações de fraude e intimidação.

Outro bloco, no qual se destacam a China e a Rússia, anunciou que segue apoiando Maduro. Já um terceiro grupo, que tem como destaque a União Europeia, vem mantendo uma posição mais cuidadosa quanto ao reconhecimento de Guaidó, preferindo se limitar a pedir novas eleições no país sul-americano.

Contra Maduro, a favor de Guaidó

A posição dos EUA de reconhecer o governo de oposição a Maduro foi seguida na quarta-feira pelos governos do Brasil, Canadá, Colômbia, Argentina, Peru, Equador, Paraguai, Costa Rica, Chile e Guatemala. A Organização dos Estados Americanos (OEA) também reconheceu Guaidó como presidente interino.

O presidente Jair Bolsonaro disse logo após a autoproclamação de Guaidó: "Daremos todo o apoio político necessário para que esse processo siga seu destino."

Nesta quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Peru divulgou uma declaração conjunta na qual 11 dos 14 países que compõem o Grupo de Lima reiteram o apoio a Guaidó. Os signatários são Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai e Peru. Ficaram de fora Guiana, Santa Lúcia e México.

"[O Grupo de Lima] reconhece e expressa seu pleno apoio ao presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que assumiu como presidente da República Bolivariana da Venezuela, considerando as normas constitucionais e com a ilegitimidade do regime Nicolás Maduro", diz a declaração.

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Canadá, Peru, Colômbia e Brasil reconhecem líder do Parlamento como presidente interino da Venezuela

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, também reconheceu Guaidó como presidente interino da Venezuela. "Você tem todo nosso reconhecimento para lançar o retorno da democracia ao país", destacou em mensagem publicada no Twitter.

Nesta quinta-feira, em contramão à postura neutra adotada pela União Europeia, o Reino Unido afirmou que Maduro "não é o líder legítimo da Venezuela" e que Londres apoia a reivindicação presidencial do chefe do Parlamento venezuelano.

"O Reino Unido acredita que Juan Guiadó é a pessoa certa para levar a Venezuela adiante. Estamos apoiando os EUA, Canadá, Brasil e Argentina para que isso aconteça", disse o ministro britânico do Exterior, Jeremy Hunt, em nota.

Já o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, pediu que Maduro deixe o poder. "O povo venezuelano já sofreu por tempo suficiente sob a desastrosa ditadura de Nicolás Maduro. Pedimos a Maduro que se afaste em favor de um líder legítimo que reflete a vontade do povo venezuelano", afirmou, após anunciar o reconhecimento da proclamação dos oposicionistas.

O presidente americano, Donald Trump, por sua vez, disse que Washington usará todo o "peso da economia dos EUA e do poder de diplomacia para pressionar a restauração da democracia na Venezuela".

"O povo da Venezuela se manifestou corajosamente contra Maduro e seu regime e exige liberdade e o Estado de direito", afirmou Trump, pedindo a outros países que seguissem sua iniciativa e reconhecessem Guaidó como presidente venezuelano.

Washington pediu a convocação de uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU para debater a crise venezuelana. O encontro foi solicitado para sábado e deve contar com a participação de Pompeo.

O órgão máximo da ONU, por ter a capacidade aprovar resoluções com caráter vinculativo, é composto por 15 membros, incluindo cinco permanentes com poder de veto: Estados Unidos, França e Reino Unido, além de dois aliados da Venezuela: Rússia e China.

Aliados de Maduro

Mas Maduro ainda conta com aliados internacionais. Os governos da Rússia, China, Turquia, Irã, Cuba e Nicarágua – aliados do regime chavista – reiteraram seu apoio a Maduro. O México também afirmou que segue reconhecendo o regime chavista.

O Ministério do Exterior da Rússia chegou a acusar os EUA de planejarem derrubar o governo venezuelano e disse que o reconhecimento do oposicionista Guaidó como presidente "aumenta a escalada do conflito". "Salta à vista o propósito de aplicar o roteiro já provado de remoção de governos indesejados", acrescentou o ministério, em nota.

Já Pequim denunciou a "intromissão nos assuntos internos" do país. "A China apoia os esforços do governo da Venezuela para manter a sua soberania, independência e estabilidade", afirmou a porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Hua Chunying.

O presidente boliviano, Evo Morales, último aliado de Maduro na América do Sul, também declarou seu apoio ao regime chavista e acusou os EUA de "promoverem um golpe de Estado". 

Já o México afirmou que, "por enquanto", não vai reconhecer a mudança de governo na Venezuela. "Não há mudanças de postura, e isto implica em que o México segue reconhecendo Nicolás Maduro como presidente. Ele é o presidente democraticamente eleito", disse o porta-voz da presidência do país, Jesús Ramírez Cuevas.

Contra Maduro, mas sem reconhecer Guaidó abertamente

A União Europeia (UE), por sua vez, tem evitado por enquanto adotar posição tão explícita quanto a dos americanos. Em uma nota divulgada na quarta-feira e assinada pela chefe da diplomacia do bloco, Federica Mogherini, a UE afirmou que "apoia plenamente a Assembleia Nacional como instituição democraticamente eleita cujos poderes devem ser restaurados e respeitados".

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A posição de Rússia e China sobre a crise na Venezuela

Mogherini disse que "os direitos civis, a liberdade e a segurança de todos os membros da Assembleia Nacional, incluindo o seu presidente, Juan Guaidó, devem ser observados e plenamente respeitados". A europeia, no entanto, não fez nenhuma referência à proclamação de Guaidó como presidente ou apontou diretamente se o bloco pretende seguir a posição dos EUA e de outros países.

O ministro do Exterior da Alemanha, Heiko Maas, também evitou comentar as ações da oposição venezuelana. A conta do ministério no Twitter reproduziu uma declaração de Mass em que ele se limitou a afirmar que "pedimos a todas as partes que sejam prudentes e renunciem à violência".

O presidente francês, Emmanuel Macron classificou a eleição de Maduro de "ilegítima" e disse que apoia a "restauração da democracia". Ele também saudou "a coragem de centenas de milhares de venezuelanos que protestam pela própria liberdade".

Um membro do governo Macron também afirmou à imprensa que a França pretende "reconhecer quem quer que seja eleito depois de tal processo (de transição)", sem indicar um reconhecimento imediato de Guaidó.

O governo do Japão, por sua vez, disse que segue de perto a crise política na Venezuela e expressou o desejo de que "a democracia seja recuperada" no país sul-americano "o mais rápido possível".

Já o  ministro do Exterior da Espanha, Josep Borrell, disse que o país aguarda mais informações para decidir como proceder. "Não se pode tomar decisões imediatamente e sem estar bem informado", disse Borrell.

Ele também ressaltou a importância de "preservar a unidade de ação" da UE diante da crise na Venezuela e pediu um "debate rápido" entre todos os chefes da diplomacia do bloco.

A mesma opinião foi compartilhada pelo ministro do Exterior de Portugal, Augusto Santos Silva, que ressaltou que "é muito importante ter a informação necessária e que façamos a coordenação europeia".

JPS/ots

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