Críticas de imigrantes obscurecem cúpula de integração do governo alemão | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 06.11.2008
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Alemanha

Críticas de imigrantes obscurecem cúpula de integração do governo alemão

Obrigatoriedade de cônjuges estrangeiros serem aprovados num teste de conhecimentos da língua antes de vir para a Alemanha é uma das principais reclamações das associações de imigrantes.

default

O ministro do Trabalho, Olaf Scholz, a chanceler Angela Merkel e Maria Böhmer, encarregada de integração do governo alemão

Elogios de um lado, críticas do outro. Se o governo alemão fala de uma política de integração de imigrantes com bons resultados, os representantes dos estrangeiros na Alemanha dizem que ainda há uma série de deficiências.

A integração dos imigrantes e de seus descendentes na sociedade alemã foi tema da terceira Cúpula da Integração, convocada pela chanceler federal Angela Merkel e realizada nesta quinta-feira (06/11) em Berlim. O encontro reuniu representantes de diversos setores da sociedade alemã, incluindo a política e a economia.

Uma iniciativa de sucesso, segundo a encarregada de integração do governo alemão, Maria Böhmer, são os cursos de integração oferecidos para estrangeiros e que já teriam superado o número de 500 mil participantes. Na Alemanha vivem 15 milhões de pessoas de origem estrangeira. Mais da metade tem cidadania alemã.

Para o presidente do Comitê de Trabalho Nacional das Associações de Imigrantes, Mehmet Tanriverdi, o Plano Nacional de Integração, lançado há um ano pelo governo, ainda não chegou às camadas mais baixas da sociedade. Ele também classificou os testes para obtenção de cidadania e as barreiras para que os imigrantes tragam suas famílias para a Alemanha como contraprodutivos. "Isso não fortalece o processo de integração."

Obrigatoriedade para cônjuges

Uma das principais críticas das associações de imigrantes é a obrigatoriedade de cônjuges ou parceiros que vivem no exterior serem aprovados num teste da língua alemã antes de vir para o país. A lei entrou em vigor no ano passado e vale apenas para países que não fazem parte da União Européia, com algumas poucas exceções, como os Estados Unidos.

Deutschland Ausländer Einbürgerung Test

Críticas também ao teste para a cidadania alemã

Desde a introdução da lei, caiu o número de cônjuges estrangeiros vindos desses países. No período de abril a junho deste ano, a queda na emissão de vistos para pessoas casadas com alemães (ou com estrangeiros vivendo na Alemanha) diminuiu cerca de 20% em relação ao mesmo período de 2007.

As associações de imigrantes afirmam que a exigência é inconstitucional. Elas também reclamam que, em muitos países, os cursos de alemão são caros e não são acessíveis a pessoas com baixa renda. Outra crítica é que as embaixadas alemãs costumam reconhecer apenas o teste aplicado pelo Instituto Goethe, mas há vários países sem representação do órgão alemão.

Noiva no Uzbequistão

O reservista da Bundeswehr Ralf K., de 39 anos, é uma das pessoas atingidas pela lei. Ele conheceu sua noiva Elena, de 26 anos, no Uzbequistão e quer trazê-la para Hannover, onde mora. "Na província onde ela mora não há escolas em que se possa aprender alemão. Ela precisaria ir para uma grande cidade, como Samarqand, a cerca de 600 quilômetros de onde reside", explicou.

Ralf enviou material para Elena aprender alemão de forma autodidata, mas o esforço não surtiu efeito. Em junho passado, ela foi reprovada no teste. Eles não se vêem há cerca de um ano, e Ralf espera conseguir resolver o problema com as cartas que escreveu para políticos e autoridades.

Para Cornelia Pries, da Associação Alemã de Famílias e Parceiros Binacionais, a exigência fere o artigo sexto da Lei Fundamental. "É um direito humano escolher livremente o seu parceiro e essa escolha não pode depender de o quão rápido uma pessoa aprende alemão. Trata-se de um direito e, além disso, um alemão tem também o direito de viver na Alemanha com a sua família."

O governo rebate as críticas. "Queremos que pessoas que venham a viver entre nós por um longo tempo tenham um nível mínimo de conhecimento da língua quando chegarem à Alemanha, para só então aprender alemão de fato", disse o porta-voz para assuntos nacionais da bancada da CDU/CSU, deputado Hans-Peter Uhl.

Leia mais