1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW
Kim Jong-un visto em aparelho de TV
Kim Jong-un na TV: surto pode estar sendo usado para propaganda do regimeFoto: Lee Jin-man/AP/picture alliance
SaúdeCoreia do Norte

Covid: Coreia do Norte diz que mais de 2 milhões têm febre

20 de maio de 2022

Quase 10% da população do país teve sintomas. Observadores estrangeiros creem que regime de Kim Jong-un divulga cifras maquiadas e usa surto de covid-19 para propaganda. Especialistas temem crise de grandes proporções.

https://www.dw.com/pt-br/covid-coreia-do-norte-relata-mais-de-2-milh%C3%B5es-de-pessoas-com-febre/a-61876591

A Coreia do Norte afirmou nesta sexta-feira (20/05) que quase 10% de sua população de 26 milhões adoeceram e 65 pessoas morreram em meio ao primeiro surto de covid-19 enfrentado pelo país. Entretanto, especialistas duvidam da validade dos dados relatados e se preocupam com uma possível crise sanitária de grandes proporções.

Na sexta-feira, o departamento estatal de prevenção emergencial de epidemias norte-coreano disse que mais 263.370 pessoas apresentaram sintomas de febre e mais duas pessoas morreram, elevando o total de casos de febre para 2,24 milhões e de óbitos, para 65.

Não foi informado quantas dessas pessoas testaram positivo para covid-19. O órgão disse que 754.810 pessoas permanecem em quarentena, de acordo com a agência oficial coreana de notícias, KCNA.

"Bons resultados são relatados de forma constante na guerra contra a epidemia", disse a KCNA.

Depois de admitir o surto de ômicron na semana passada, após mais de dois anos afirmando estar livre do coronavírus, o governo de Pyongyang disse que umafebre não identificada tem se espalhado rapidamente por todo o país desde o final de abril.

Desde então, as autoridades de saúde têm divulgado todas as manhãs os números de afetados pela febre através da mídia estatal. Mas as cifras não incluem dados sobre a covid-19.

Desfile militar

O surto provavelmente se originou de um desfile militar realizado em 25 de abril em Pyongyang, organizado pelo regime para exibir seus novos mísseis e suas tropas leais. O desfile e outras festas que marcaram o aniversário da fundação do Exército nacional atraíram dezenas de milhares de pessoas da capital e de outras partes do país.

Alguns observadores dizem que a Coreia do Norte provavelmente foi forçada a reconhecer o surto de covid-19 porque não conseguiria esconder a propagação no país do vírus altamente contagioso e se arriscaria a enfrentar possível descontentamento público com o líder Kim Jong-un.

Eles acreditam que as autoridades norte-coreanas estão subnotificando as mortes para tentar mostrar que o regime está dando uma resposta eficaz à pandemia. O país não dispõe de kits de testagem para confirmar um grande número de casos.

"É verdade que houve um buraco em seus dois anos e meio de combate à pandemia", diz Kwak Gil Sup, chefe do One Korea Center, um site especializado em assuntos relacionados à Coreia do Norte. "Mas há um ditado que diz que a Coreia do Norte é 'um Estado teatral' e acho que eles estão maquiando as estatísticas de covid-19."

Plano B e C

"Embora a Coreia do Norte esteja usando parcialmente o surto como uma ferramenta de propaganda para colocar a liderança de Kim sob uma luz favorável [de que o país está superando a pandemia sob o regime], ela tem um 'plano B' e 'um plano C' para buscar ajuda chinesa e estrangeira se a pandemia sair de controle", avalia Kwak. 

Apesar do número de afetados, o regime afirmou que a agricultura e as fábricas continuam funcionando. "Mesmo sob a máxima prevenção de emergência pandêmica, a produção normal está sendo mantida nos principais setores industriais, e grandes projetos de construção continuam sendo impulsionados", relatou a KCNA.

A agência de direitos humanos da ONU alertou para consequências "devastadoras" que a covid-19 pode gerar entre os habitantes da Coreia do Norte, enquanto funcionários da Organização Mundial da Saúde (OMS) temem que uma disseminação descontrolada possa levar ao surgimento de novas variantes mais letais.

md/lf (AP, Reuters)