Continuam os ataques no Ceará após chegada da Força Nacional | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 06.01.2019
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Brasil

Continuam os ataques no Ceará após chegada da Força Nacional

Mais de 100 pessoas foram detidas no estado desde o início da onda de violência. Ações criminosas ultrapassam 90 casos. Houve número relativamente menor de incidentes na primeira noite após a chegada das tropas federais.

Pessoas passam numa rua em Fortaleza ao largo da carcaça de um ônibus incendiado

Ônibus incendiado em Fortaleza: há suspeita de que ordem para ataques saiu dos presídios

Desde o início de uma onda de ataques violentos no Ceará, ao menos 110 pessoas, sendo 76 adultos e 34 adolescentes, foram detidas ou apreendidas no estado. Segundo comunicado divulgado neste domingo (06/01) pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), as detenções ocorreram entre a quarta-feira e a noite de sábado.

As ações criminosas continuam e somam mais de 90 casos, segundo a Polícia Civil. Houve, contudo, uma diminuição da violência na noite de sábado para domingo – quarta noite desde o início das ações criminosas no estado e a primeira desde a chegada da Força Nacional.

Até o momento, foram oito os ataques registrados desde que os agentes federais passaram a atuar no Ceará: dois em Fortaleza, contra um posto de combustível e uma torre policial, e outros seis no interior do estado, contra prédios públicos, veículos, um banco e uma base de telefonia.

Na madrugada deste domingo, dois suspeitos morreram durante uma troca de tiros com a polícia após tentarem incendiar um posto de atendimento do Detran na capital cearense. Um policial militar ficou ferido. Na quinta-feira, um suspeito de tentar destruir um radar de trânsito foi alvo de tiros da polícia e também morreu. 

Entre os demais ataques perpetrados desde quarta-feira estão incêndios de ônibus e veículos particulares, depredação de prédios públicos e comerciais e até a tentativa de destruição de um viaduto na BR-020, estrada que liga Fortaleza a Brasília.

Desde sábado, as forças estaduais de segurança contam com o apoio de 300 agentes da Força Nacional, que ficarão no estado por pelo menos 30 dias e devem atuar prioritariamente na capital e na Grande Fortaleza. Nas primeiras horas de atuação da tropa federal, 53 pessoas foram detidas, segundo a SSPDS. 

O envio da Força Nacional foi autorizado na sexta-feira pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, atendendo a pedido do governador do Ceará, Camilo Santana (PT). A solicitação foi feita a Brasília na quinta-feira, após criminosos terem explodido uma bomba na coluna de um viaduto em Caucaia, região metropolitana de Fortaleza, e incendiado dois ônibus e uma van.

Bombeiros combatem chamas em veículos carbonizados em Fortaleza:

Bombeiros combatem incêndios de veículos nas ruas de Fortaleza: mais de 90 ataques registrados

As forças de segurança realizam batidas em locais estratégicos de Fortaleza, e policiais estão viajando em ônibus municipais para evitar que os veículos sejam atacados. Apenas pouco mais de 100 dos mais de mil ônibus da capital cearense circulam neste domingo.

Ações também ocorreram em presídios cearenses, de onde, segundo investigadores, estariam partindo as ordens para os atentados. Foram apreendidos celulares, televisões e drogas. 

O governador Camilo Santana avisou que vai endurecer no combate ao crime e à violência que se agravaram nos últimos dias. "O momento é, mais do que nunca, de união de todas as forças. Governos, Poder Legislativo, Justiça, Ministério Público, OAB e de toda a sociedade civil", afirmou o governador, em mensagem à população divulgada no sábado. "Serei duro contra o crime."

Os ataques, iniciados na quarta-feira, acontecem depois de Santana ter anunciado que uma das prioridades de seu segundo mandato será endurecer as regras dos presídios, que hoje são divididos entres facções criminosas.

Segundo o monitor de homicídios do Instituto Igarapé, o Ceará foi o terceiro estado brasileiro com o maior índice de mortes violentas em 2017, chegando a 56,9 homicídios por 100 mil habitantes, perdendo apenas para Pernambuco e Rio Grande do Norte.

MD/ebc/ots

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