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Para secretário americano, biocombustíveis não provocam encarecimento de alimentosFoto: AP

Combate à fome

Agências (ca)
3 de junho de 2008

Cerca de 40 chefes de Estado e governo abrem, em Roma, conferência da ONU sobre segurança alimentar. Segundo as Nações Unidas, mais de 800 milhões de pessoas sofrem de fome e subnutrição nos países em desenvolvimento.

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Para atender ao aumento da demanda de alimentos, a produção mundial deve aumentar em 50%, até 2030, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, na abertura da Conferência de Alto Nível sobre a Segurança Alimentar Mundial e os Desafios das Mudanças Climáticas e da Bioenergia, nesta terça-feira, (03/06) em Roma.

Cerca de 40 chefes de Estado e governo, entre eles, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, confirmaram presença na conferência que a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) realiza de terça a quinta-feira (03 a 05/06) em sua sede, na capital italiana.

Segundo o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, cerca de 862 milhões de pessoas, sobretudo em países em desenvolvimento, estão famintas e subnutridas. O lema da FAO – Fiat Panis (Que se faça pão) – se torna, assim, mais necessário do que nunca.

Doloroso espetáculo das aflições do mundo

Ausgetrocknete Reisfelder im Iran
Mudança climática é fator de elevação de preços

Segundo dados do Banco Mundial, os preços dos alimentos subiram 83% nos últimos três anos. Alimentos básicos como o trigo ou arroz ficaram ainda mais caros. Diouf afirmou em Roma que "o tempo de conversa já passou, agora é hora de agir". O diretor-geral da FAO acresceu ainda que "infelizmente a comunidade internacional só reage quando a mídia leva o doloroso espetáculo das aflições do mundo para as casas dos mais favorecidos".

Procurando caminhos para assegurar a segurança alimentar mundial das próximas décadas, governos, organizações internacionais, sociedade civil, setor privado e outras instituições se reúnem em Roma para debater a influência que fatores como mudanças climáticas, biocombustíveis, especulações do mercado, subvenções e tarifas alfandegárias têm no aumento dos preços dos alimentos.

Uma das bases de discussão da conferência de alto nível será o relatório Agricultural Outlook (Prognóstico da agricultura), divulgado pela FAO e pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), na semana passada em Paris.

Aumento do preço dos alimentos

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Até 2017, Brasil fará 30% das exportações mundias de carne, diz FAOFoto: AP

Segundo o relatório, principalmente consumidores urbanos e populações rurais não produtoras de alimentos em países de baixa renda sofreriam com o recente aumento do preço dos alimentos.

O documento aponta que, no futuro, este aumento não deverá continuar na mesma proporção, mas aponta também que o preço da alimentação, nos próximos dez anos, deverá continuar bem acima da média da última década.

Em relação à década passada, o relatório calcula que, nos próximos dez anos, açúcar e arroz ficarão até 10% mais caros; trigo, até 20%; manteiga, grãos grossos e sementes oleosas, cerca de 30%. O aumento dos óleos vegetais superará os 50%, afirma o documento.

No lançamento do relatório em Paris, o diretor-geral da FAO afirmou que "hoje, cerca de 862 milhões de pessoas sofrem de fome e subnutrição – isto sublinha a necessidade de reinvestir na agricultura. Deve ficar claro que a agricultura precisa ser recolocada na agenda de desenvolvimento".

Demanda crescente de biocombustíveis

Como fatores da expectativa de elevação de preços, na próxima década, o relatório assinala a diminuição dos estoques, o recente aumento de fundos de investimento no mercado de commodities, as mudanças climáticas, o aumento do preço do petróleo, o crescimento populacional, a urbanização e as modificações da dieta alimentar.

A demanda crescente de biocombustíveis é outro fator apontado pelo relatório da FAO e OCDE. Assim como na conferência de biodiversidade, em Bonn, os biocombustíveis devem se tornar um dos principais temas de debate em Roma. Segundo o prognóstico da agricultura da FAO, a produção de etanol triplicou entre 2000 e 2007. De hoje a 2017, espera-se que a produção dobre.

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Ativistas da Oxfam protestam em RomaFoto: AP

Países como os Estados Unidos, onde 30% das plantações de milho são destinadas aos biocombustíveis, defendem o bioetanol. Ed Schafer, secretário americano da Agricultura, afirmou que sua produção seria responsável somente por três a quatro por cento do esperado aumento de 43% dos alimentos neste ano. Tendo como base dados do FMI, a agência de desenvolvimento Oxfam afirma, no entanto, que os biocombustíveis seriam responsáveis por 15 a 30% do aumento no preço de víveres.

Presenças obscenas

Além do presidente brasileiro, estão entre os chefes de Estado e governo que confirmaram sua presença em Roma a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, o premiê espanhol, José Luis Zapatero e o primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda.

As presenças do presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, e de Zimbábue, Robert Mugabe, provocaram protestos entre participantes. O governo australiano classificou a presença de Mugabe como "obscena" – ele teria expulsado proprietários rurais brancos de Zimbábue, provocando grande crise alimentar em seu país.