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Mãos superpostas de dois homens
Foto: picture-alliance/dpa/D. Naupold
Sociedade

Como os alemães veem o casamento homossexual

Naomi Conrad ca
13 de janeiro de 2017

Maioria da população é a favor da equiparação de direitos para gays e lésbicas. Mas há preconceitos, e a Alemanha ainda está atrás de muitos países quanto ao status legal do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

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Embora expressamente proibido pela Lei Geral de Tratamento Igual (AGG, na sigla em alemão), gays, lésbicas e bissexuais ainda são discriminados na Alemanha. Para Christine Lüders, diretora do Departamento Federal Antidiscriminação (ADS), é "inegável" que existe um problema.

Ao apresentar, nesta quarta-feira (11/01) em Berlim, os resultados de uma pesquisa representativa, marcando o início do ano da diversidade sexual sob o lema "Direitos iguais para todo amor", ela deu exemplos: um casal de lésbicas rejeitadas como inquilinas pelo proprietário de um apartamento; um homem que foi demitido quando se soube que vivia com outro homem; ou um casal de gays que foi convidado a deixar o saguão de um hotel por terem se beijado – todas essas pessoas recorreram ao Departamento Antidiscriminação.

Segundo o estudo encomendado pelo órgão dirigido por Lüders, a maioria dos alemães é claramente a favor da igualdade legal para homossexuais e bissexuais. O estudo apontou que 83% dos entrevistados são a favor do casamento entre duas mulheres ou entre dois homens, e 95% apoiam que homossexuais sejam protegidos legalmente contra a discriminação.

União civil: casamento de segunda categoria

Na Alemanha vale a união civil ou parceria registrada, que muitas vezes é chamada de "casamento gay". Para Christine Lüders, trata-se de um "casamento de segunda categoria", e neste ponto a Alemanha está atrás de muitos países da Europa e do mundo.

"Acho que seria bom os políticos estarem abertos ao tema do casamento para todos, como é o caso da maioria da sociedade", afirmou Lüders em conversa com a DW. A grande maioria (75,8%) dos cerca de 2 mil entrevistados entre outubro e novembro de 2016 disse ser a favor de que casais homossexuais também possam adotar crianças, o que atualmente é vedado na Alemanha.

No entanto, o estudo também confirmou atitudes de rejeição bastante generalizadas, com 20% considerando a homossexualidade "antinatural". Quase 40% se disseram incomodados quando dois homens demonstram afeto em público, por exemplo através de um beijo.

Quanto mais as questões envolvem a vida privada dos entrevistados, maior o ceticismo: 39,8% achariam desagradável ter uma filha lésbica. No caso de um filho gay, a cifra sobe para 40,8%. E por volta de 27% defendem que nas salas de aulas somente casais heterossexuais sejam usados para ilustrar amor e relacionamento.

Ameaça populista

Quanto mais jovens e escolarizados, menos preconceitos demonstraram os entrevistados, informou a diretora da pesquisa, Beate Küpper. Em geral, o posicionamento das mulheres perante a homossexualidade é mais positivo do que o masculino. Além disso, quanto mais religiosa é uma pessoa – quer judia, cristã, hindu ou muçulmana – mais negativa tende a ser sua visão de homossexuais e bissexuais.

Tanto Lüders quanto outros especialistas advertem que o clima na sociedade pode mudar. No momento, uma "pequena, mas perigosa aliança entre fundamentalistas religiosos, populistas de direita, radicais antifeministas" determina o clima, declarou Markus Ulrich, porta-voz da Associação de Gays e Lésbicas da Alemanha.

Ele disse temer que tal aliança venha ganhar ainda mais influência em 2017, se forças populistas que incitam ao ódio contra as minorias forem bem-sucedidas nas eleições gerais na Holanda, França e Alemanha.

Christine Lüders compartilha essa opinião, apontando principalmente para a legenda populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que tem pontificado com declarações homofóbicas e, segundo pesquisas recentes de intenção de voto, conta com o apoio de 15% do eleitorado: "Estou muito preocupada que justamente a AfD provoque um retrocesso no atual clima de tolerância", adverte a diretora do ADS.