Como a Alemanha está enfrentando o impacto econômico da pandemia | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 23.03.2020

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Alemanha

Como a Alemanha está enfrentando o impacto econômico da pandemia

Governo alemão anuncia pacote de 750 bilhões de euros para proteger trabalhadores e empresas em meio à crise do coronavírus. Berlim prevê tomar empréstimo pela primeira vez desde 2013, quebrando sua disciplina fiscal.

Salão de cabeleireiro de portas fechadas em Stuttgart, no sudoeste da Alemanha

Salão de cabeleireiro de portas fechadas em Stuttgart, no sudoeste da Alemanha

Conhecida por sua disciplina fiscal, a Alemanha resolveu botar a mão no bolso para conter os impactos da pandemia de coronavírus sobre a economia. Ao todo, um pacote de ajuda anunciado nesta segunda-feira (23/03) soma 750 bilhões de euros. "Encerrar a crise vem em primeiro lugar. Ao final de tudo isso, veremos em que situação estará nosso orçamento", disse a chanceler federal Angela Merkel.

Entre as medidas anunciadas, o governo alemão ampliará a complementação de salários de quem tiver jornada reduzida, dará auxilio de até 15 mil euros a autônomos e pequenas empresas, e garantirá empréstimos a companhias.

As medidas propostas por Olaf Scholz, ministro das Finanças alemão, representam um ponto de ruptura na política fiscal alemã, ao quebrar a regra conhecida como "zero preto" (Schwarze Null, em alemão), que trata de orçamentos equilibrados e sem novos empréstimos.

Pela primeira vez desde 2013, Berlim prevê tomar 156 bilhões de euros emprestados neste ano – um orçamento suplementar recorde que ainda depende de aprovação parlamentar. O valor cobre 122 bilhões de euros em ajuda, mais os cerca de 33,5 bilhões de euros que espera perder em receitas tributárias.

Maior economia da Europa e quarta maior do mundo, a Alemanha também é um dos poucos países com espaço fiscal na zona do euro, ou seja, com finanças públicas sólidas. Desde a crise financeira de 2008, disse Scholz, o governo conseguiu reduzir a taxa de dívida em relação a seu Produto Interno Bruto (PIB) para menos de 60%. Na Itália, por exemplo, a dívida representa mais de 130% do PIB. No Brasil, a dívida bruta representou 75,8% do PIB em 2019.

O ministro da Economia da Alemanha, Peter Altmaier, afirmou que a crise provocada pelo covid-19 será, no mínimo, "tão grande quanto a crise financeira" de 2008. De acordo com um relatório divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica (IFO, na sigla em alemão), uma paralisação econômica parcial pode custar ao país entre 7,25% e 20,6% do PIB, além de um milhão de empregos.

Fundo para socorrer empresas

Entre outras medidas para conter a crise, o país criará um fundo de estabilização econômica de 600 bilhões de euros, oferecendo 400 bilhões de euros em garantias para as dívidas das empresas, 100 bilhões de euros para emprestar diretamente ou comprar participações em empresas problemáticas, e outros 100 bilhões de euros para financiar o banco estatal de investimentos KfW.      

Num outro programa, o KfW poderá garantir 90% do valor dos empréstimos bancários a empresas, até um total de 822 bilhões de euros. Uma porta-voz do Ministério das Finanças disse que esse número não deve ser combinado com os 400 bilhões de garantias do fundo de estabilização. As empresas também poderão adiar o pagamento de tributos.     

Governo vai ampliar complementação de salário

Berlim também facilitou o acesso a um programa que complementa, com dinheiro do governo, o salário dos trabalhadores quando a jornada de trabalho, e consequentemente o salário, é reduzida pelas empresas. O esquema é amplamente creditado por ter salvado um grande número de empregos durante a crise financeira de 2008.

A expectativa do governo alemão é que mais de 2 milhões de pessoas trabalhem menos horas em decorrência da crise do coronavírus, superando em muito o pico observado há uma década.

Os benefícios para crianças também serão mais flexíveis para apoiar a renda familiar. Além disso, inquilinos que não conseguirem honrar seus pagamentos serão legalmente protegidos contra despejos.

Autônomos e pequenos receberão auxílio extra

O governo disse ainda que irá oferecer 50 bilhões de euros para ajudar pequenas companhias e autônomos. Dependendo do número de funcionários, as pequenas empresas podem ter ajuda de até 15 mil euros para manter as portas abertas.

Enquanto isso, trabalhadores freelancers que pedirem auxílio-desemprego não terão a obrigatoriedade de procurar por emprego – como determina a regra no país.

Ajuda para saúde

O ministro da Saúde, Jens Spahn, disse nesta segunda-feira que seu departamento teria outros 10 bilhões de euros neste ano para impulsionar o sistema de saúde.

Os hospitais receberão ajuda financeira para adicionar leitos e comprar equipamentos como respiradores. O objetivo é dobrar a capacidade de leitos de terapia intensiva no país, hoje em 25 mil leitos. Além disso, o pagamento de médicos, enfermeiros e estudantes e profissionais de saúde aposentados alistados na batalha contra o vírus será aumentado.

LL/afp/dpa/rtr

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