Com velhos nomes, novo governo francês recebe tom mais conservador | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 15.11.2010
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Mundo

Com velhos nomes, novo governo francês recebe tom mais conservador

Presidente Nicolas Sarkozy reintegra premiê François Fillon, reformula governo e delega pasta da Defesa a Alain Juppé, político com passado de escândalos.

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François Fillon: 'nova fase'

A reestruturação do governo francês pelo chefe de Estado Nicolas Sarkozy, neste domingo (14/11), marcou o início da campanha eleitoral no país para as eleições presidenciais em 2012.

O gabinete de Sarkozy foi reduzido de 37 para 30 membros e ganhou um acento conservador. Dezesseis ministros perderam seus cargos. Entre os nomes que substituiu, o presidente nomeou para a pasta da Defesa o ex-premiê Alain Juppé, atual prefeito de Bordeaux, que esteve envolvido em uma série de escândalos no decorrer de sua carreira política.

Michèle Alliot-Marie, até agora ministra da Justiça, assume a pasta do Exterior, que era ocupada pelo socialista Bernard Kouchner, figura que simbolizava a abertura do governo conservador de Sarkozy para a esquerda.

A ministra da Economia, Christine Lagarde, e o ministro do Interior, Brice Hortefeux, permanecem em seus postos. Hortefeux assume ainda na nova formação do governo a pasta da Imigração.

Frankreichs Inneministerin Michele Alliot-Marie

Michèle Alliot-Marie assume a pasta do Exterior

Hervé Morin, até então titular da pasta da Defesa, criticou o presidente por ter eliminado do governo os que não são do UMP (União por um Movimento Popular), partido de Sarkozy. Morin apontou que, em vez de um "gesto de unidade", o presidente aproveitou a reestruturação para formar "uma equipe de campanha eleitoral", tendo em vista as eleições de 2012 no país. A popularidade de Sarkozy continua muito baixa, após a implementação da polêmica reforma da previdência no país.

O retorno de Juppé

O conservador Alain Juppé, de 64 anos, foi condenado no ano de 2004 a 14 meses de detenção com sursis (suspensão da pena) devido a irregularidades no financiamento de seu partido. Ao mesmo tempo, o político teve seu direito de voto suspenso por um ano.

Na época, Juppé foi obrigado a deixar todos os cargos políticos que ocupava no país. Seu sucessor como presidente do UMP na época foi o próprio Sarkozy. Em 2007, Juppé se tornou mais uma vez ministro, após a vitória de Sarkozy nas urnas, mas renunciou poucos meses mais tarde, depois de não ter conseguido ser eleito para a Assembleia Nacional.

Alain Juppé Bürgermeister von Bordeaux

Alain Juppé: passado de escândalos

Analistas apontam que um fator surpresa nas decisões de Sarkozy foi o afastamento do governo de Jean-Louis Borloo, até então ministro do Meio Ambiente. Borloo era considerado até pouco tempo um possível candidato a primeiro-ministro. O político anunciou ter tomado a decisão de não participar mais do governo Sarkozy, a fim de "se empenhar melhor em prol dos valores próprios".

Rama Yade, a popular ministra do Esporte, e Fadela Amara, ministra para Assuntos Urbanos, que cresceu em um gueto na França, foram substituídas em seus cargos.

O primeiro-ministro François Fillon, 56, que anunciara a renúncia no sábado, disse que irá se concentrar, nesta "nova fase" do governo, na criação de empregos e na segurança dos cidadãos. "Desde 2007, o presidente da República tem se mantido fiel a suas metas de reformas, apesar de todos os desafios, resistências e ataques", declarou Fillon.

Fillon tem melhor aceitação do que Sarkozy

Em junho último, Sarkozy havia anunciado que pretendia redistribuir os cargos no governo após a aprovação da polêmica reforma da previdência no país. A popularidade do presidente caiu como nunca após os tumultos ocorridos no país em decorrência dos protestos.

Martine Aubry von Partie Socialiste Frankreich

Martine Aubry: 'pensamento de clãs'

Fillon, que ocupa o cargo de primeiro-ministro desde maio de 2007, não teve sua popularidade atingida, segundo apontam enquetes realizadas no país. Sua aceitação pela população é maior do que a do próprio Sarkozy. Segundo uma pesquisa de intenção de voto divulgada na última semana, Sarkozy teria a seu lado 35% dos eleitores do país, contra 48% em prol de Fillon.

Martine Aubry, presidente do Partido Socialista, de oposição, aponta que a reestruturação do governo francês é, "em sua essência, marcada por um pensamento de clãs".

Segundo ela, "o presidente incumbiu o mesmo primeiro-ministro, a fim de perpetuar a mesma política. Sarkozy anunciou a reestruturação do governo há seis meses. Desde então, a França não é mais governada e os ministros passaram a se ocupar mais de seus próprios futuros do que do futuro dos franceses", resumiu Aubry.

SV/dw/apd/rtr/dpa
Revisão: Roselaine Wandscheer

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