Com dinheiro ou tempo, é possível ajudar quem mais sofre durante a pandemia | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 24.04.2020
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Coronavírus

Com dinheiro ou tempo, é possível ajudar quem mais sofre durante a pandemia

Sem sair de casa, voluntários e doadores podem contribuir com iniciativas que apoiam de mães nas favelas a catadores de lixo reciclável, trabalhadores informais, moradores de rua e até povos indígenas.

Catadora de lixo de costas

Com isolamento social, catadores de lixo perderam fonte de renda

Carla* e a irmã não puderam evitar as ruas desde que o novo coronavírus chegou ao Brasil, no final de fevereiro. Embora a movimentação por onde andam tenha diminuído durante o período de isolamento social, a concorrência aumentou: mais pessoas disputam o lixo reciclável em busca de uma fonte de renda, dizem as catadoras.

Por causa da pandemia de covid-19, a doença causada pelo coronavírus, muitos ferros-velhos que compravam o que elas coletam estão fechados no interior de São Paulo, onde moram. Com dificuldade para acessar a renda emergencial dada pelo governo aos trabalhadores informais, elas não sabem como pagarão a conta atrasada de eletricidade e o botijão de gás.

"A gente tenta se cuidar, mas não temos dinheiro nem pra comprar máscara", diz Carla, a mais velha das irmãs. "A gente espera conseguir vender pelo menos o que catamos hoje pra comprar comida."

Pensando nesses trabalhadores informais, a ONG Pimp My Carroça, criadora do aplicativo Cataki, mudou sua rotina. Em vez de usar o app para localizar quem pode coletar o material reciclável, o usuário agora ativa um catador cadastrado para fazer doações. "Pode ser alimento, material de limpeza ou até dinheiro", diz João Bourroul, da Pimp my Carroça.

Numa outra frente de atuação, a ONG busca contribuições para atingir a meta de 500 mil reais. O valor será distribuído entre 3 mil catadores de todo o país, como uma espécie de renda mínima em tempos de isolamento social.

Das favelas às florestas

Para aliviar o impacto da pandemia sobre as cerca de 5,2 milhões de mães que moram em favelas pelo país, a Central Única das Favelas (Cufa) depende de contribuições externas. A rede de organizações tem recebido principalmente cestas básicas físicas e "digitais" – quantia doada que vai diretamente para as gestoras das famílias.

"A cesta digital é uma doação de 120 reais. As mulheres usam para comprar coisas que não estão na cesta básica física, como remédios, gás de cozinha, contas de água e luz", explica Celso Athayde, da Cufa.

"A gente estima que 37% das mães nas favelas sejam trabalhadoras informais ou autônomas. Ou seja, elas estão sem renda", detalha Athayde. "A favela está completamente exposta à covid-19. A gente já vê muitos doentes e acredita que a subnotificação seja grande", diz.

Há também iniciativas de financiamento coletivo direcionadas às populações indígenas. "Precisamos de apoio para comprar remédios e itens que são específicos do nosso uso, como anzol, linha de pesca", explica Watatakalu Yawalapiti, da Associação Terra Indígena do Xingu (Atix). 

Segundo Yawalapiti, além do coronavírus, as comunidades indígenas ficam expostas aos perigos trazidos por invasões aos territórios, aumento da violência e ameaças às lideranças.

Vaquinhas online

Em sites que reúnem projetos em busca de financiamento, como Vakinha, Catarse, Benfeitorias e Kickante, centenas de propostas voltadas às pessoas mais vulneráveis estão atrás de apoiadores. Por meio de uma busca simples com as palavras-chave "pandemia", "covid-19" ou "coronavírus" é possível localizar iniciativas voltadas para a população de rua, idosos e trabalhadores e trabalhadoras informais.

Entre elas está a coalizão Éditodos. O dinheiro arrecadado pelo fundo dá suporte a pequenos negócios das periferias de Belo Horizonte, Salvador, São Paulo, Recife, São Luís, Belém e Distrito Federal, explica Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta, organização que faz parte da coalizão.

"Um dos projetos é voltado para mulheres em situação de vulnerabilidade, de 50 a 100 anos. Elas atuam em diversas áreas, como beleza, saúde e bem-estar, gastronomia", detalha Barbosa em nome da coalizão.

São negócios como o que Alessandra Vieira mantém em São Luís do Maranhão. Cabeleireira especializada em tranças, ela usar parte do lucro do salão para apoiar 42 crianças e adolescentes na periferia. "Com a pandemia, mal estamos conseguindo atender. A gente está se virando pra conseguir sobreviver, mas está muito difícil", relatou Vieira à DW Brasil.

Doações na internet também são importantes para o Fundo Baobá, voltado para a equidade racial. Em meados de março, Selma Moreira, diretora do fundo, percebeu que era preciso agir rapidamente para amenizar o impacto da crise do coronavírus sobre a população negra mais vulnerável. Até o momento, foram disponibilizados 600 mil reais para lideranças comunitárias, organizações da sociedade civil ou coletivos que trabalham com moradores de rua, quilombolas e com periferias.

"O dinheiro pode ser usado de acordo com a demanda local: compra de cesta básica, ações educativas, carros de som, aluguel de espaço para abrigar pessoas com os sintomas de covid-19", detalha Moreira sobre o uso das doações.

Para quem só pode doar tempo, o site Atados apresenta inúmeras opções de trabalho voluntário à distância. A iniciativa, que redirecionou suas atividades para prestar um serviço mais efetivo durante a pandemia, conta com mais de 135 mil voluntários conectados a 2.180 ONGs cadastradas.

O site traz projetos como o Vizinho Amigo, do qual Maria Gabriela de Araújo faz parte como voluntária desde os primeiros dias do isolamento social na capital paulista. Ela ajuda principalmente idosos com compras no mercado e farmácia. Também é possível acionar voluntários para uma conversa nos dias mais difíceis.

"Estou me sentindo tão conectada às pessoas que me procuram em busca de ajuda que, quando passar, eu quero dar um abraço em todas elas", diz Araújo.

Veja algumas iniciativas de combate à covid-19 para contribuir sem sair de casa:

  • Apoio a catadores: https://www.catarse.me/renda_minima_catadores
  • Coalizão Éditodos: https://benfeitoria.com/fundocoalizaoeditodos
  • Fundo Baobá: https://baoba.colabore.org/Sejaumdoador/single_step
  • Cufa: https://www.maesdafavela.com.br
  • Apib: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/apoie-os-povos-indígenas
  • Atix: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/apoie-os-povos-do-territorio-indigena-do-xingu-contra-a-covid-19
  • Atados: https://www.atados.com.br/
  • Protetores faciais para profissionais da saúde em hospitais públicos de Manaus: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/covid-19-icbeu-manaus
  • Lista para encontrar e apoiar produtores familiares da vizinhança: https://www.greenpeace.org/brasil/agricultura/encontre-um-produtor-agroecologico-perto-de-voce/

 

*A pedido das catadoras de material reciclável, foi usado um nome fictício na reportagem.

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