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Sala de projeções Al Najah, em BagdáFoto: AP

Cineclube Berlim-Bagdá

(sv)
25 de agosto de 2004

Sob o regime de Saddam, a indústria cinematográfica iraquiana foi ao fundo do poço. Uma iniciativa, abraçada pelo diretor alemão Tom Tykwer ("Corra, Lola, Corra"), pretende fazer ressurgir no país o gosto pelo cinema.

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O Cineclube Berlim-Bagdá foi criado a partir de uma idéia de Marie Steinmann e Klaas Glenewinkel, visando lembrar ao mundo que o Iraque de hoje é algo além de guerras, ruínas, ocupação e tortura. Através da fundação de um cineclube, eles pretendem criar uma filmoteca e um centro de formação audiovisual em Bagdá. Uma cidade onde filmes europeus são hoje praticamente desconhecidos. E isso num país onde a primeira sala de exibição foi inaugurada em 1920, pelas forças de ocupação britânicas.

Nos anos 40, os iraquianos começaram a rodar suas próprias obras, em sua maioria de teor romântico ou pastoril. Após a subida do Partido Socialista Árabe Baath ao poder, em 1968, épicos políticos e históricos dominaram a produção nacional. Sob as sanções das Nações Unidas, a indústria cinematográfica iraquiana ruiu completamente, por falta de financiamento e ausência de cineastas capacitados. A tarefa de dar continuidade à tradição da cinematografia do país acabou sendo executada, então, por iraquianos no exílio.

Intercâmbio para aprendizado mútuo

Tom Tykwer
Tom TykwerFoto: AP

O primeiro longa rodado no Iraque do pós-guerra foi Underexposure (Subexposição), dirigido por Oday Rasheed, um filme que observa Bagdá imediatamente após a invasão americana. "Eu quis ver o que significa estar frente a frente com a morte. Talvez o filme pudesse ser sobre qualquer guerra, mas é sobre a experiência do Iraque e especialmente sobre Bagdá", conta o diretor.

Rahseed é um dos nomes que apóiam o projeto do Cineclube Berlim-Bagdá, que também conta com a participação do conhecido diretor alemão Tom Tykwer (Corra, Lola, Corra). "É uma ótima oportunidade poder encorajar o intercâmbio cultural entre os dois países, que até agora não puderam aprender mutuamente sobre suas respectivas tradições cinematográficas", declarou Tykwer.

Godard, Fellini, Bergman e outros

O objetivo do cineclube é oferecer aos iraquianos um arquivo cinematográfico internacional, como ponto de partida para repensar a própria história. Para isso, está sendo formado na Alemanha um verdadeiro arquivo de filmes europeus – em DVD – que serão levados brevemente a Bagdá. Da lista de doações constam longas de Jean-Luc Godard, Federico Fellini, Lars von Trier e Ingmar Bergman, entre outros.

Além disso, a idéia é aglutinar em torno do cineclube o circuito de cineastas e amantes da sétima arte em Bagdá. "Mesmo que vários aspectos da vida estejam encobertos pela tensa situação política por que passa o país, há muitos iraquianos que procuram uma forma de levar suas vidas adiante e desenvolver seus pontos de interesse", descreve o site do cineclube, apontando para o fato de que, apesar de todos os conflitos cotidianos, ainda há no Iraque um mundo além da guerra e da violência.