Cinco desafios de Bolsonaro na economia | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 02.01.2019
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Brasil

Cinco desafios de Bolsonaro na economia

Após quatro anos de estagnação, presidente assume país com mais de 12 milhões de desempregados e contas públicas desequilibradas. Reforma da Previdência é uma das principais metas.

Contêineres em zona portuária no Rio de Janeiro, com mar e cidade no horizonte

"Precisamos vender. País não pode perder nenhuma nação consumidora", frisa economista

O presidente Jair Bolsonaro tomou posse nesta terça-feira (01/01) com a promessa de recolocar nos trilhos um país com mais de 12 milhões de desempregados e com contas públicas desequilibradas após dois anos de recessão e dois de estagnação econômica.

Bolsonaro e sua equipe econômica assumem seus postos já com uma bomba-relógio nas mãos: a tarefa de aprovar a reforma da Previdência, que é considerada pelos economistas como um dos principais desafios para acertar as contas do país.

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"Geralmente as pessoas estão mais otimistas na virada de ano. Porém, existe um período de validade de no máximo seis meses para o novo governo entrar e viabilizar as medidas de acerto das contas públicas", opina a economista Virene Matesco, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Aprovar reformas

A reforma da Previdência, uma das principais prioridades do governo Bolsonaro, deverá ser enviada ao Congresso após o início das atividades parlamentares, em fevereiro. Dependendo da proposta encaminhada pelo governo – e dos benefícios da população a serem cortados ou diminuídos –, a aprovação poderá sofrer resistência por parte da população e dos parlamentares. São necessários ao menos 308 votos – do total de 513 – para que a reforma seja aprovada na Câmara dos Deputados.

"O primeiro grande desafio do governo Bolsonaro será convencer o Congresso da necessidade urgente de realizar as reformas. E ele enfrentará uma Câmara que está fragmentada em 30 partidos políticos – um recorde desde a redemocratização”, afirma Matesco. "Sem as reformas, o Brasil não conseguirá resolver a crise fiscal, que é uma grande barreira para se conseguir resolver os nós mais importantes da economia brasileira."

Reduzir a dívida pública

A crise fiscal no país é considerada por vários economistas como um dos maiores problemas a serem resolvidos pela gestão Bolsonaro. Segundo dados do Banco Central, a dívida bruta do país alcançou 77,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em novembro, frente a 77% em outubro. E, sem a aprovação das reformas, como a da Previdência, estima-se que a dívida possa ultrapassar 90% do PIB a curto prazo.

Agências de classificação de risco como Moody's, Standard&Poor´s e Fitch observam também a dívida bruta para recomendar quais países devem ser alvos de investimentos. Uma rota crescente de aumento da dívida, somada à falta de reformas, pode fazer com que o Brasil receba uma nota pior dessas agências e os investidores retirem dinheiro do país.

"Um pais emergente como o Brasil ter uma dívida pública que alcança 80% do PIB, somado a isso um déficit primário que deverá fechar 2018 em 120 bilhões de reais, é algo muito preocupante”, frisa Matesco. "A solução da crise fiscal passa pelas reformas, que vão sinalizar para os investidores que o Brasil está numa trajetória correta. O Brasil tem que desacelerar essa trajetória ascendente da dívida pública.”

Investimentos estrangeiros

A incerteza política por causa das eleições brasileiras, somada à ausência de grandes leilões de concessões ou de privatizações, fizeram com que o investimento estrangeiro direto (IED) no país caísse 22% no primeiro semestre de 2018 (25,5 bilhões de dólares) em comparação com o mesmo período do ano anterior (32,4 bilhões de dólares), segundo dados da Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

Boa parte do pacote de privatizações do governo Temer – como a rodada de concessão de 12 aeroportos, incluindo os de Recife, Maceió, Aracaju, Vitória e Cuiabá – não saiu do papel. Portanto, o governo Bolsonaro recebe de Temer mais de 80 projetos prontos ou em estudo para serem concluídos em 2019, representando mais de 150 bilhões de reais (38 bilhões de dólares) em investimentos por empresas nacionais e estrangeiras.

Alavancar o crescimento 

De acordo com o mais recente Boletim Focus – projeções econômicas feitas junto ao mercado pelo Banco Central – o Brasil deverá crescer 1,3% em 2018 e 2,55% em 2019. Para economistas, o crescimento em 2019 poderá chegar a mais de 3% principalmente se o governo federal conseguir aprovar as reformas, especialmente da Previdência.

Segundo a mídia brasileira, o governo Bolsonaro tentará em seus primeiros dias melhorar o ambiente de negócios e dar estímulos ao setor produtivo, como facilitar a abertura e fechamento de empresas e, ainda, revisar sistemas de comércio exterior para agilizar processos de importação e exportação. Para Matesco, Bolsonaro deveria fazer uma política comercial internacional não ideológica.

"Nós precisamos vender, e não importa para quem. Isso ajudará no crescimento econômico. Bolsonaro comprou uma briga desnecessária com os países árabes ao afirmar que transferirá a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém", diz Matesco. "A questão ideológica tem que ficar de lado. O país não pode perder nenhuma nação consumidora de seus produtos."

Desemprego

O Brasil fechou o trimestre encerrado em novembro com 12,2 milhões de desempregados, ou seja, uma taxa de desemprego de 11,6%. O resultado representa uma baixa de 0,5 ponto percentual em comparação ao registrado no trimestre até agosto (12,1%). Apesar de a taxa registrar quedas desde 2017, o emprego informal – menos qualificado e com pior remuneração – está tendo uma reação maior à medida que as vagas com carteira de trabalho assinada estão sendo reduzidas.

De acordo com pesquisas, se o Brasil conseguir manter um crescimento econômico médio de 2,5% ao ano, ele demorará quase uma década para voltar ao desemprego registrado em 2014, antes da crise, que era de 6,8%. "E aí surgirá outro problema quando os empresários começarem a contratar: nestes cinco anos de desemprego muito alto, muitas pessoas não tiveram como investir em si mesmos e se qualificar. A contratação virá para quem conseguiu se qualificar”, opina Matesco.

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