Chefe do Legislativo da Venezuela pede apoio para assumir presidência | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 12.01.2019
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América Latina

Chefe do Legislativo da Venezuela pede apoio para assumir presidência

Presidente da Assembleia Nacional declara que governo foi usurpado por Maduro e se diz pronto para assumir presidência interinamente. Classificando atual Executivo de ilegítimo, Itamaraty elogia o opositor.

Juan Guaidó discursou em frente à sede da ONU em Caracas

Juan Guaidó discursou em frente à sede da ONU em Caracas

O presidente Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, afirmou nesta sexta-feira (11/01) que está pronto para assumir a presidência do país interinamente e convocar eleições. O opositor pediu o apoio das Forças Armadas, da população e da comunidade internacional para poder tomar posse.

Guaidó, que foi eleito em 5 de janeiro para comandar a Assembleia Nacional, controlada pela oposição, convocou ainda protestos contra o governo de Nicolás Maduro para 23 de janeiro, data que marca o fim da ditadura militar, em 1958.

"Devem ser o povo da Venezuela, as Forças Armadas e a comunidade internacional que nos darão um mandato claro para assumir [a presidência]", ressaltou Guaidó, durante um discurso feito a  apoiadores em frente à sede do programa da ONU em Caracas.

Reeleito no ano passado em eleições amplamente criticadas, Maduro tomou posse na quinta-feira. A legitimidade de seu segundo mandato foi questionada pela oposição venezuelana e por vários governos estrangeiros que não reconhecem o resultado do pleito.

A maioria da oposição venezuelana não participou da eleição, ou porque a considerava fraudulenta ou porque seus principais líderes estavam presos ou impossibilitados de concorrer. A presença de observadores internacionais não foi permitida.

No discurso, Guaidó, de 35 anos, acusou Maduro de usurpar a presidência e afirmou que a Assembleia Nacional se baseará na Constituição venezuelana para assumir o comando do país. Porém, ressaltou que um mero decreto não será suficiente para tirar o chavista do poder.

Eleita em 2015 com maioria opositora, a Assembleia Nacional na prática não tem conseguido exercer suas funções desde 2016. As decisões dos parlamentares não chegam a virar lei, e eles só se reúnem quando a Assembleia Nacional Constituinte – órgão plenipotenciário instalado por Maduro em 2017 e não reconhecido por potências estrangeiras – não está em sessão.

Diante desse impedimento, Guaidó pediu que as Forças Armadas e a comunidade internacional apoiem os parlamentares para o exercício do mandato interino e prometeu continuar trabalhando para acabar com a usurpação e por eleições livres. Durante o discurso, o opositor, no entanto, não disse expressamente que estava assumindo a presidência do país, como pediam alguns setores do antichavismo.

As declarações de Guaidó causaram, porém, confusão. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, chegou a parabenizar o opositor por ter assumido a presidência interina da Venezuela.

Já o Itamaraty apoiou as intenções de Guaidó. "O governo brasileiro saúda a manifestação do Presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, de estar disposto a assumir constitucionalmente a Presidência da Venezuela, diante da ilegitimidade da posse de Nicolás Maduro no dia 10 de janeiro", afirmou em nota.

Após as declarações, Maduro rechaçou o pedido de intervenção militar e disse que essas ações são uma tentativa de desestabilizar seu novo governo e que foram encabeçadas pelo mesmo grupo que promoveu os protestos de 2017, que deixaram mais de 100 mortos.

"Enquanto estamos trabalhando todo o tempo, há mentes loucas, mentes improvisadas, mentes imaturas que estão à frente da oposição, vendo o que inventar, desesperadas", afirmou Maduro e destacou que seguirá cumprindo as funções para as quais foi eleito.

A Venezuela passa por uma profunda crise social, política e econômica, com inflação de quase 1.700.000% ao ano, falta de alimentos e remédios e a fuga de 3 milhões de habitantes. Maduro acusa os Estados Unidos, países aliados dos americanos e empresários venezuelanos de travarem uma "guerra econômica" contra o seu governo e a Venezuela.

CN/rtr/efe/ap/afp

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