Checkpoint Berlim: O bronzeado perfeito | Colunas semanais da DW Brasil | DW | 17.06.2016
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Checkpoint Berlim: O bronzeado perfeito

Tomar sol em busca do tom de pele ideal não é um fenômeno típico brasileiro. Os berlinenses também lotam parques para pegar uma cor. Porém, sexy aqui é não ter a marquinha do biquíni.

Apesar de não parecer muito, os alemães curtem um bronzeado. Assim como muitos brasileiros que lotam praias e lagos deitados horas ao sol à procura do tom ideal, os habitantes de Berlim ocupam parques tentando deixar de lado o branco profundo e doentio do inverno.

O bronzeado em Berlim tem, porém, um aspecto peculiar e bem distinto do brasileiro: a marquinha do biquíni. Sexy aqui é não tê-la. E não é preciso se esconder em sacadas, lajes ou jardins cercados por muros para evitar olhares incômodos na busca do tom perfeito. Em alguns parques, os alemães se desprendem de qualquer pudor e deixam de lado as roupas ao tomar sol.

Clarissa Neher vive em Berlim desde 2008

Clarissa Neher vive em Berlim desde 2008

Acostumada com uma cultura diferente, que, apesar de parecer liberal, é extremamente conservadora e proíbe até um simples topless, foi um tanto estranho no início andar por parques e deparar-me com grupos despidos na maior naturalidade. Precisava me concentrar para evitar olhares e agir como se nada fora do meu habitual estivesse acontecendo.

O desprendimento da Freikörperkultur (FKK) – cultura do corpo livre – é admirável. Mas a naturalidade é alcançada, principalmente, graças aos vestidos. A individualidade é uma virtude alemã, por isso, ninguém se preocupa com o que o outro está fazendo, desde que este siga as leis e regras do país.

Difícil imaginar se a moda da FKK pegaria no Brasil. Além do conservadorismo, a cultura do corpo perfeito poderia ser outro empecilho. Em Berlim, quem busca o tom sexy não liga se está com quilinhos a mais ou menos: a prioridade mesmo é tomar sol.

Isso revela ainda que o bronzeado alemão vai muito além da estética. Esse surto de vaidade repentino é questão de saúde. Os longos dias cinzentos do inverno pesam no corpo. Descobri recentemente que meu cansaço constante era derivado da falta de vitamina D e comecei a perceber que ela, ou melhor, sua ausência é um tema corriqueiro entre alemães. Apesar da escassez da vitamina, não alcancei e nem sei se alcançarei um dia o desprendimento necessário para a FKK. Acho que nesse quesito meu lado brasileiro grita mais alto.

Clarissa Neher é jornalista freelancer na DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, publicada às sextas-feiras, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.

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