Checkpoint Berlim: Maratona Primeira Guerra Mundial | Colunas semanais da DW Brasil | DW | 14.08.2017
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Checkpoint Berlim: Maratona Primeira Guerra Mundial

Durante dois dias, pesquisadores e curiosos tentaram decifrar diários escritos entre 1914 e 1918. Competição em Berlim faz parte de projeto online que reúne mais de 27 mil documentos sobre a guerra.

Projeto convidou curiosos para decifrar diários da Primeira Guerra

Projeto convidou curiosos para decifrar diários da Primeira Guerra

"Se alguém escapava, todo o resto do campo era punido. Uma das punições era a proibição de caminhadas por duas semanas. Durante o verão de 16, foi permitido aos oficiais russos fazer caminhadas sob guarda. Mas todos os passeios cessaram, a exceção era para os ingleses", escreveu o capitão britânico Percival Lowe no diário que manteve entre setembro de 1914 e 1917, durante o período em que foi prisioneiro na Alemanha na Primeira Guerra Mundial.

As palavras do capitão Lowe foram algumas das decifradas durante uma maratona de transcrição que ocorreu no final de junho em Berlim. Durante dois dias, curiosos, estudantes e profissionais do desafio de decifrar diários da Primeira Guerra Mundial.

As maratonas são parte do projeto que reuniu e digitalizou milhares de documentos da Primeira Guerra Mundial (1914 -1918) no portal Europeana, a biblioteca digital da União Europeia. A maioria do conteúdo deste gigantesco arquivo estava em acervos de biblioteca e museus, mas há também arquivos pessoais que foram disponibilizados por seus herdeiros.

Após a fase de digitalização, o projeto começou a convocar voluntários para desvendar os segredos de parte deste material escrito à mão. Neste contexto, a iniciativa organiza competições de transcrição em diversos países europeus.

A jornalista Clarissa Neher vive em Berlim desde 2008

A jornalista Clarissa Neher vive em Berlim desde 2008

Em Berlim, 11 grupos participaram do evento que ocorreu na Biblioteca Estadual. Os aproximadamente 35 participantes foram divididos por língua materna – alemão, francês, inglês, espanhol e romeno – em equipes de três a quatro integrantes. Após a largada, o método para ultrapassar os concorrentes variava entre os grupos: alguns tentam decifrar os rabiscos juntos, em outros cada integrante ficava responsável por uma página, e ajuda era solicitada ao se depararem com garranchos ilegíveis.

O grande desafio da competição foi o Sütterlin, o sistema de escrita alemã cursiva criado em 1911, a pedido do governo da Prússia, e usado até a Segunda Guerra Mundial, que nada se parece com a atual caligrafia e é, hoje em dia, indecifrável para boa parte dos alemães. Os organizadores tinham uma colinha para os participantes que não eram familiarizados com essa caligrafia.

No fim da corrida, esse sistema de escrita parece ter sido uma barreira para os grupos da Alemanha. O grande vencedor foi um francês que transcreveu em apenas dois dias mais de 45 mil caracteres – para se ter uma ideia da dimensão: uma página possui cerca de 2,6 mil caracteres.

Além de aumentar o volume de documentos transcritos, um dos objetivos da maratona foi chamar a atenção para o projeto e atrair novos colaboradores. Atualmente, mais de 27 mil documentos referentes à Primeira Guerra estão disponíveis no site da Europeana, destes cerca de 7 mil já foram transcritos e os outros ainda aguardam na fila da transcrição.

Qualquer um pode entrar na competição sem precisar sair de casa. Há uma corrida em curso desde o início do projeto, para isso é necessário se inscrever no site do projeto. Dada largada, é só escolher os documentos que serão decifrados. Além disso, a Europeana promove também maratonas temáticas online. A última ocorreu nos Dia dos Namorados europeu, 14 de fevereiro, e os participantes foram convidados a decifrar cartas de amor escritas em tempos de guerra.

Clarissa Neher é jornalista freelancer na DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, publicada às segundas-feiras, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.

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