Checkpoint Berlim: Diagnóstico bipolar | Colunas semanais da DW Brasil | DW | 05.08.2016
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Checkpoint Berlim: Diagnóstico bipolar

Berlim divide quem a conhece: para uns é deprimente, para outros fascinante. Carrega consigo dois lados opostos que podem mudar de repente. Essa característica dá, porém, personalidade à cidade.

Dizem que as cidades têm personalidades. Acho que pode até ser, algumas têm características bem marcantes. Para mim, São Paulo é a agitação. Já Paris transpira romantismo. Sevilha é pura alegria. E Berlim é uma cidade dos extremos.

Entre uma rua e outra a capital alemã parece adquirir diferentes personalidades. Às vezes é extremamente alegre, cheia de vida e, de repente, sem aviso, a tristeza toma conta de tudo, e o peso do passado gera uma depressão profunda. Se fosse avaliada por especialistas, Berlim seria considerada uma cidade bipolar.

Clarissa Neher vive em Berlim desde 2008

Clarissa Neher vive em Berlim desde 2008

Em determinado momento, a cidade mundialmente é conhecida por sua cena eletrônica e só festa que se espalha pelos parques, bares e casas noturnas. No cair da noite, multidões animadas ocupam as vielas de bairros boêmios, como Kreuzberg, Friedrichshain ou Mitte. Risos, conversas e música tomam conta do ambiente. É quando Berlim transpira alegria.

Mas bastam, às vezes, apenas alguns passos para a tristeza vir à tona. Berlim carrega um peso enorme de sua história, marcada por mortes e violência. A Topografia do Terror e memoriais em lembrança dos mortos pelo regime nazista estão lá para evitar que os horrores cometidos durante o período jamais sejam esquecidos. Berlim teve um papel central nessa época. Daqui partiam ordens que chocaram o mundo.

Depois desse período sombrio, outro dominou a cidade separada por um muro. Pedaços remanescentes dessa divisa e a marcação de seu percurso não deixam esquecer as vítimas da divisão e dão uma dimensão da ruptura causada por esse objeto, cuja sua existência foi imposta repentinamente.

Esse ambiente bipolar divide quem conhece a cidade. Há os que a amam e os que a odeiam. Quem não gosta afirma que Berlim é muito carregada, leva consigo um peso muito grande e deprime. Para mim, são justamente esses dois opostos – de um lado, essa vontade de não quer esquecer o passado para evitar acontecimentos semelhantes no futuro, e do outro essa alegria e leveza – que tornam a capital alemã fascinante e fazem dela Berlim.

Clarissa Neher é jornalista freelancer na DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, publicada às sextas-feiras, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.