Centenas de casos de extremismo de direita na polícia alemã | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 27.09.2020

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Alemanha

Centenas de casos de extremismo de direita na polícia alemã

Forças de segurança da Alemanha impuseram medidas disciplinares contra 350 suspeitas de afinidade com a extrema direita entre seus membros nos últimos três anos, aponta levantamento de agência de inteligência.

Policial de costas, com uma viatura da polícia ao fundo

Neste mês, 29 policiais foram afastados por suspeita de extremismo de direita

As forças de segurança da Alemanha identificaram centenas de casos de suspeita de afinidade com a extrema direita entre seus membros nos últimos três anos, segundo um novo relatório da agência de inteligência doméstica do país, revelado neste domingo (27/09) pela imprensa alemã.

O levantamento, elaborado pelo Departamento Federal para a Proteção da Constituição (BfV), pediu a cada autoridade que reportasse os casos de extremismo de direita em suas fileiras.

Os resultados completos da pesquisa, com cerca de 100 páginas, devem ser divulgados em outubro, mas alguns destaques foram antecipados neste domingo pelo jornal Welt am Sonntag.

Segundo o relatório, as forças de segurança alemãs impuseram medidas disciplinares em ao menos 350 casos de suposto extremismo de direita entre janeiro de 2017 e março de 2020.

A maioria das ocorrências foi relatada no estado de Hessen, onde as autoridades implantaram medidas em 59 casos nesse período. A Secretaria do Interior do estado disse que tem investigado o problema do extremismo de direita com mais afinco nos últimos anos, por isso o número alto.

Foram reportadas ainda 43 medidas disciplinares no estado mais populoso da Alemanha, a Renânia do Norte-Vestfália, bem como 30 na Baviera e 26 na Baixa Saxônia.

A pesquisa do BfV examinou todo o aparato de segurança do país, incluindo seus próprios escritórios estaduais, todas as forças policiais federais e estaduais, o serviço de inteligência estrangeira (BND) e o serviço de inteligência militar (MAD), cobrindo ao todo cerca de 300 mil funcionários.

O relatório vem à tona num momento delicado na Alemanha, depois que várias redes de extrema direita na polícia alemã foram descobertas nos últimos meses.

Mais recentemente, 29 agentes da polícia estadual da Renânia do Norte-Vestfália foram afastados das funções e viraram alvo de processos disciplinares, sob a suspeita de participarem de grupos de bate-papo em que foram divulgadas mensagens de conteúdo extremista de direita.

Na sexta-feira passada, um policial na cidade de Leipzig, no estado da Saxônia, também foi suspenso após uma investigação realizada em outro estado, Baden-Württemberg, ter encontrado mensagens racistas que ele teria enviado.

Apesar da persistência de tais casos, o Ministério do Interior alemão tem negado pedidos para investigar o problema mais amplo do racismo estrutural na polícia. Na Alemanha também são frequentes os relatos de pessoas não brancas sobre casos de discriminação racial por parte de agentes, algo que é oficialmente proibido no país.

O ministro alemão do Interior, Horst Seehofer, rejeitou a realização de um estudo sobre a discriminação racial na polícia, afirmando que o problema do racismo não se limita às forças de segurança e precisa ser combatido pela sociedade como um todo.

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