Censura e espionagem fazem Google ameaçar sair da China | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 15.01.2010
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Ciência e Saúde

Censura e espionagem fazem Google ameaçar sair da China

Censura e ataque virtual fazem com que a maior empresa de buscas na internet ameace sair da China. Para especialista, é preciso se adaptar à era da espionagem virtual.

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Sede da Google em Pequim

A gigante Google ameaça abandonar os negócios na China: depois de quatro anos no país asiático, o maior site de buscas não quer mais se submeter à rígida censura imposta pela política local. Os serviços oferecidos pela Google, dentre eles email e blogs, são acessados por 340 milhões de usuários chineses. Google detém 30% do mercado chinês, que é dominado (60%) pela empresa chinesa Baidu.

O anúncio da Google foi feito depois de a empresa ter sofrido ataques virtuais na China. Os alvos seriam contas de email de ativistas chineses dos direitos humanos, além de outras 20 empresas. No entanto, a Google não acusou diretamente o governo chinês pelo ocorrido.

Diante da ameaça da empresa norte-americana, o governo chinês tenta agir para manter a Google em seu território e diz que o impasse não deve atrapalhar os negócios com os Estados Unidos.

A notícia da possível saída da Google não foi recebida bem pelos internautas – na cidade de Guangzhou, ao sul do país, muitos chegaram a ir para as ruas em demonstração de desespero. Bei Feng, blogueiro de visibilidade na China, acredita que a liberdade para quem postava ideias no ambiente virtual ficará ainda mais restrita. "O controle rígido da internet é baseado na concepção que o governo tem de que a internet é usada por reacionários que querem ganhar força" avalia.

Governo chinês: internet regrada

Em reação ao caso Google, o governo chinês declarou que as servidoras de internet precisam trabalhar em conjunto com as autoridades do país. Para Wang Chen, responsável pela pasta que cuida dos meios de comunicação, as empresas do ramo também devem se responsabilizar pelo conteúdo das informações divulgadas em seus sites. O governo informou que empresas estrangeiras de internet são bem-vindas na China, contanto que sigam as leis do país.

Sobre o fato de o Google ter sofrido com a ação de hackers, Jiang Yu, porta-voz do Ministério chinês de Relações Exteriores, rebateu dizendo a China é contrária a qualquer tipo de ataque cibernético e que a internet no país é "aberta", mas que é preciso haver regras.

Google China

Chineses se despedem da marca

Era da espionagem virtual

Mikko Hyppönen, especialista em segurança virtual, explica a Google foi contaminado por um "Cavalo de Troia", programa malicioso que pode causar muitos danos. Mas que, no caso registrado pela empresa na China, o estrago não foi tão grande, já que o ataque foi direcionado.

Um caso semelhante aconteceu em 2007 na Alemanha, quando hackers chineses invadiram os computadores da Chancelaria Federal. Naquela ocasião, foram enviados emails com anexos contaminados. Quando abertos, eles atacavam todos os dados gravados no computador, de emails a documentos salvos no disco rígido.

Hyppönen avalia que, no caso da Google, o ataque pode ter sido programado pelo próprio governo ou pelas Forças Armadas. Ele enumera alguns alvos de ataques e deixa a interpretação em aberto: "Vemos casos de empresas do ramo militar, de governos, ministérios e embaixadas que sofrem ataques virtuais. Mas o maior alvo dos ataques são ativistas, pessoas que lutam por justiça e pelo direito de expressão, ou ONGs engajadas em libertar o Tibete."

Tanto o caso de 2007 como o mais recente, indicam a presença de um artifício já conhecido: a espionagem. Mas os tempos mudaram: na era da internet, uma informação virtual pode chegar a qualquer lugar do mundo, teoricamente. "A informação não é mais física. A espionagem não é mais feita à maneira James Bond, invadindo uma empresa e fazendo cópia de papéis. Hoje, a informação são dados, e teoricamente estes dados podem ser acessados de qualquer parte do mundo. Observamos que a espionagem está se tornando digital", finaliza Hyppönen.

NP/DW/reuters/afp

Revisão: Roselaine Wandscheer

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