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O presidente deposto do Peru, Pedro Castillo, sendo escoltado por policiais
Castillo foi detido depois de tentar dissolver o Congresso do Peru ilegalmenteFoto: Renato Pajuelo/AP/picture alliance

Castillo oficializa pedido de asilo no México

9 de dezembro de 2022

Advogado alega que presidente deposto do Peru é vítima de perseguição política. Governo mexicano informa início das conversas com autoridades peruanas para realizar procedimentos de asilo.

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O presidente deposto do Peru, Pedro Castillo, oficializou nesta quinta-feira (08/12) a solicitação de asilo ao governo do México. A informação foi divulgada pelo ministro do Exterior mexicano, Marcelo Ebrard, que afirmou que seu país iniciou conversas com as autoridades peruanas para realizar os procedimentos de asilo a Pedro Castillo.

"O embaixador Pablo Monroy me informa de Lima que pôde se encontrar com Pedro Castillo na prisão. Ele o encontrou fisicamente bem e na companhia do seu advogado", escreveu Ebrard em sua conta no Twitter. "Procedemos ao início de consultas com as autoridades peruanas."

Ebrard anexou à sua mensagem a carta enviada pelo advogado de Castillo ao presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, na qual pedia asilo para o ex-mandatário peruano "diante da perseguição infundada por órgãos judiciais que assumiram um caráter político".

"Estes órgãos criaram um clima de extrema indefensabilidade e perseguição puramente política de qualquer pessoa que pense de forma diferente do grupo oligárquico que reina sobre todas as instituições do país", continuou. Além disso, observou que Castillo está em "grave risco".

López Obrador revelou nesta quinta-feira, em entrevista coletiva, que Castillo telefonou para pedir asilo na Embaixada do México no país andino.

"Ele falou aqui com o gabinete para me informar que ia até a embaixada, que pediria asilo e para que abrissem a porta da embaixada, mas certamente já tinham grampeado o telefone", disse López Obrador.

O presidente mexicano disse que instruiu Ebrard a falar com o embaixador mexicano no Peru e abrir a porta para Castillo para pedir asilo. "Mas pouco tempo depois, a polícia e cidadãos cercaram a embaixada. E ele nem conseguia sair, foi detido imediatamente", relatou.

Nesta quinta-feira, o ex-presidente – um professor rural de 53 anos –, recebeu a visita de alguns parlamentares do bloco de esquerda. Visivelmente nervoso, Castillo se recusou a usar o direito de defesa para responder às acusações, cedendo a palavra a seus advogados.

"É claro que o crime de rebelião não foi configurado aqui" porque este não se concretizou, alegaram os defensores de Castillo. Se for considerado culpado, o ex-presidente pode pegar entre 10 e 20 anos de prisão.

Seguidora de Castillo segura cartaz de apoio ao ex-presidente em frente ao Palácio do Governo, em Lima
Apoiadores de Castillo protestaram contra prisão de presidente depostoFoto: Fernando Vergara/AP/picture alliance

Presidente destituído pelo Congresso

Castillo foi destituído da presidência nesta quarta-feira em um julgamento de impeachment, depois de tentar dissolver ilegalmente o Congresso, formar um governo de emergência nacional e anunciar um estado de exceção, numa investida para permanecer no poder.

Na sequência, Castillo foi detido e transferido para uma prisão em Lima, onde um juiz da Suprema Corte ordenou na quinta-feira que ficasse durante sete dias. A ex-vice-presidente de Castillo, Dina Boluarte, assumiu a presidência do país na quarta-feira. Ela se tornou a primeira mulher presidente do Peru e permanecerá no mandato até julho de 2026.

López Obrador atrasou o reconhecimento a Boluarte, após a destituição de Castillo. O presidente mexicano respondeu que "não sabe" se as boas relações com o novo governo peruano vão continuar, mas excluiu uma ruptura.

"Não sabemos [como serão as relações], mas vamos esperar alguns dias. Penso que é a coisa mais apropriada a fazer, não é nosso propósito intervir nos assuntos internos. Lamentamos muito, sim, que estas coisas aconteçam", disse.

fc/cn (EFE, AFP, ots)

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