Cantora Peaches revisita carreira em ópera rock | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 04.05.2011
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Cultura

Cantora Peaches revisita carreira em ópera rock

Com grandes números de dança, referências a musicais e vários convidados, "Peaches Does Herself" é uma fantástica ópera rock que, nas palavras da própria cantora, a Broadway jamais teria coragem de encenar.

Espetáculo autobiográfico une musicais com show de rock

Espetáculo autobiográfico une musicais com show de rock

A cantora Peaches é tudo, menos previsível. A canadense com alma berlinense volta aos palcos da capital alemã com o show Peaches does herself. Dirigido e estrelado por ela mesma, o espetáculo foi idealizado no ano passado para comemorar os dez anos do lançamento do álbum de estreia, Teaches of peaches.

A cantora criou um musical completamente centrado em seus quatro álbuns. Apesar de não conter diálogos entre as músicas, o espetáculo foi construído como uma ópera rock absurda, que tenta sintentizar o trabalho da cantora retomando temas abordados em suas músicas, como questões de gênero, beleza, identidade e envelhecimento.

Uma canadense em Berlim

Marrill Beth Nisker assumiu o nome artístico de Peaches por causa de uma música de Nina Simone. Depois de lecionar música para crianças e tocar em bandas de folk e rock, começou a compor sozinha com um sintetizador.

Em 2000 finalizou um EP de 6 faixas, deixou sua cidade natal Toronto e se mudou para Berlim, cidade pela qual havia se apaixonado em 1998, quando a visitara com sua banda Shit. Depois do primeiro show em Berlim, ela assinou com uma gravadora e lançou o disco de estreia.

A mistura de música eletrônica simples e suja, letras com temática explicitamente sexual e atitude punk fez com que a cantora se tornasse um dos nomes mais conhecidos da então borbulhante cena electro-clash da cidade.

Uma das marcas registradas da cantora é a brincadeira com os tradicionais papéis do homem e da mulher, tema sempre presente nas letras e no visual da artista, já que, segundo ela, "todos somos homens e mulheres".

Temática sexual é uma constante na obra da cantora e está presente também no novo show

Temática sexual é uma constante na obra da cantora e está presente também no novo show

Peaches também é conhecida por sua energia nos palcos. Depois do lançamento do terceiro disco, Impeach my bush, ela começou a se apresentar com uma banda ao vivo e a desenvolver-se como artista no palco, tanto musicalmente como visualmente.

Ela já havia flertando com o mundo dos musicais quando apresentou o show Peaches Christ Superstar. Surpreendendo mais uma vez, o show contava apenas com Chilly Gonzáles, parceiro de longa data, no piano e Peaches cantando na íntegra as canções do musical Jesus Christ Superstar.

O espetáculo foi aclamado por onde passou e mostrou a habilidade vocal da cantora e uma incrível sensibilidade musical. Visualmente os seus shows ao vivo unem uma performance energética com figurinos extravagantes e efeitos visuais com lasers.

Absurdo, divertido e quase ridículo

O espetáculo que volta aos palcos em curta temporada é uma mistura de musical com concerto de rock em formato de ópera autobiográfica. São 20 músicas, que ilustram os dez anos de carreira da cantora. Segundo Peaches, ela queria fazer algo tão absurdo, quase ridículo, que jamais poderia fazer numa turnê.

Ela viu também a oportunidade de rever seu trabalho tocando novas versões de seus antigos sucessos. Segundo a cantora, um processo muito divertido que só pode ocorrer depois de alguns anos, quando ela está menos apegada ao que produziu, podendo olhar suas músicas com outra perspectiva.

No espetáculo a cantora sai de uma enorme vagina, usa um pênis de borracha e conta com convidados especiais, como a atriz pornô transexual Danni Daniels e Joel Gibb, da banda Hidden Cameras.

Afiado e surreal, o imperdível Peaches does herself está em cartaz até o dia 7 de maio no teatro Hau 1, em Berlim.

Texto: Marco Sanchez
Revisão: Alexandre Schossler

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