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Candidato aliado de Merkel pede fim de negociação UE-Turquia

6 de setembro de 2017

Joachim Herrmann, que encabeça chapa da CSU, também se diz a favor do fim do auxílio financeiro da União Europeia a Ancara. Em entrevista à DW, ele defende limite para entrada de refugiados na Alemanha.

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O candidato da CSU, Joachim Herrmann, em entrevista à DW
O candidato da CSU, Joachim Herrmann, em entrevista à DWFoto: DW/R. Oberhammer

Após as mais recentes tensões entre Alemanha e Turquia, o secretário do Interior da Baviera e candidato que encabeça a chapa da União Social Cristã (CSU) nas eleições parlamentares alemãs, Joachim Herrmann, se diz a favor de uma política clara em relação ao presidente Recep Tayyip Erdogan.

Em entrevista à editora-chefe da DW, Ines Pohl, e ao apresentador Jaafar Abdul Karim, em Berlim, o jurista de 60 anos afirmou que a CSU – partido irmão da União Democrata Cristã (CDU) – da chanceler federal, Angela Merkel – nunca foi a favor de uma adesão da Turquia à União Europeia (UE).

Leia a cobertura completa sobre as eleições na Alemanha 2017

"Por isso, nunca consideramos que houvesse um sentido em negociar esse ingresso. E, obviamente, defendemos com veemência que se coloque fim às negociações com a Turquia", afirmou.

Segundo Herrmann, o governo alemão também deveria pleitear, junto à UE, pelo fim dos pagamentos de auxílios financeiros a Ancara: "Diante do comportamento atual do governo turco, não há mais nenhuma razão para a UE transferir, anualmente, bilhões de euros ao governo turco para uma futura adesão do país ao bloco. Tudo isso tem que parar agora."

Por outro lado, o candidato defende que Berlim preserve o contato com a Turquia, já que, segundo ele, também deverá haver um período pós-Erdogan. Herrmann também afirmou que o acordo da UE com a Turquia no âmbito da política de refugiados precisa ser mantido.

"Fronteiras abertas não me entusiasmaram"

O político conservador voltou a defender um limite para a entrada de refugiados na Alemanha – de 200 mil por ano. Herrmann afirmou não ter recebido a política de fronteiras abertas da chanceler federal, há dois anos, com entusiasmo. Porém, nos meses que se seguiram à decisão de Merkel, especialmente a Baviera teria feito muito para acolher e integrar os migrantes, disse o ministro do Interior do estado federado.

Leia mais: As diferenças entre CDU e CSU

Herrmann também defendeu que seja suspensa a regulamentação que prevê que as famílias de muitos refugiados possam se juntar a seus parentes que já chegaram à Alemanha.

"Houve um tempo em que as pessoas tentavam colocar as suas famílias a salvo antes de zelar pela própria segurança. Mas agora existe um desenvolvimento que é o de homens jovens que se colocam em segurança primeiro e depois, em algum momento, tentam trazer suas mulheres e filhos. Então, surge a pergunta que agora ocupa o Escritório Federal de Migração e Refugiados: quem está em risco em primeira linha?", disse o político à DW.

Em março do ano passado, o governo alemão restringiu fortemente a reunião familiar de refugiados. Desde então, ela está suspensa para todos os refugiados que constam como refugiados de guerra civil, mas não são reconhecidos como perseguidos individualmente. Herrmann afirmou que é a favor de uma prorrogação dessa suspensão.

O candidato da CSU, Joachim Herrmann, em entrevista à DW
Hermann defende limite máximo de entrada de refugiados na AlemanhaFoto: DW/R. Oberhammer

Islã e integração

Questionado se o islã tem lugar na sociedade alemã, Herrmann afirmou que a Alemanha "é de tradição cristã". "Por isso, não se pode colocar o Islã no mesmo nível [do cristianismo]. A liberdade religiosa vale para todos, e isso significa que somos todos iguais em termos legais. Mas o islã não teve uma influência decisiva na tradição da Baviera ou da Alemanha."

O político conservador também respondeu a uma pergunta sobre o programa da CSU, que estabelece que a chamada "cultura identitária" é o contrário da multiculturalismo. Indagado sobre por que ambos não podem andar de mãos dadas, Herrmann disse: "Acho que queremos integrar. E isso pressupõe integrar as pessoas à nossa sociedade e à sua ordem legal. A integração não implica que todos podem viver uns ao lado dos outros como querem, mas que têm que respeitar as regras. Somos uma sociedade muito liberal, mas as regras que temos são para todos. [...] Todos temos que seguir as regras, sem exceções", afirmou.

"Racismo da AfD"

Herrmann se distanciou claramente da legenda populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD): "Não temos absolutamente nada a ver com o racismo da AfD. A AfD tem competência zero em segurança interna. Eles falam muito, mas para mim não representam nenhum tipo de parâmetro", disse.

As últimas sondagens atribuem 10% dos votos para a agremiação populista nas eleições parlamentares de 24 de setembro – o que significaria o ingresso da AfD no Parlamento alemão.

Numa ilha com Merkel

É possível que o político da CSU se torne o próximo ministro alemão do Interior. Em Berlim, persistem os rumores de que o candidato de 60 anos herdará o cargo do atual ministro Thomas de Maizière (CDU) após as eleições parlamentares.

"Eu não especulo sobre cargos", disse Herrmann à DW. Segundo ele, sua nomeação deverá seguir o desejo do presidente da CSU, Horst Seehofer, que, assim, pretende sublinhar as críticas do partido à política de refugiados da chanceler federal.

O próprio Herrmann teria um relacionamento distante com Merkel. Porém, no final da entrevista, o político afirmou que, se tivesse que escolher alguém da elite política alemã para levar para uma ilha deserta, levaria "a chanceler federal, é claro!". Ele também disse que Merkel é uma "mulher inteligente".