Cúpula América do Sul-África busca aproximar continentes | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 26.09.2009
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Brasil

Cúpula América do Sul-África busca aproximar continentes

Aproximar os continentes é a meta da 2ª Cúpula América do Sul-África (ASA), que acontece neste final de semana na Ilha de Margarita, na Venezuela. Mas Brasil já descobriu há muito as potencialidades do mercado africano.

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Supermercado em Angola, principal parceiro comercial do Brasil na África

Uma nova geografia do comércio mundial: essa é a visão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pretende melhorar a conexão entre o Brasil e os outros países emergentes e em desenvolvimento, privilegiando assim a relação sul-sul em vez da tradicional norte-sul. Lula já deixou isso claro em 2004, durante uma conferência de comércio da ONU em São Paulo, na qual explicou que tal geografia não se propõe a substituir o intercâmbio norte-sul.

"O norte desenvolvido continuará sendo parceiro valorizado e indispensável. Temos plena consciência de sua importância como destino para nossas exportações e como fonte de investimentos e tecnologia de ponta. Mas queremos criar novas oportunidades e encorajar parcerias que explorem as complementaridades entre as economias do sul", completou.

Bons resultados

A estratégia parece estar dando resultado: o Brasil já exporta mais mercadorias para países emergentes e em desenvolvimento do que para as nações industrializadas do norte. A China já se tornou o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás dos Estados Unidos e quase no mesmo nível da Argentina.

Além da China, as atenções de empresas brasileiras se voltam cada vez mais para a África. O presidente Lula já viajou 11 vezes para a África e gosta de ressaltar que o Brasil possui a maior população de origem africana fora daquele continente.

As exportações brasileiras para os países da África Subsaariana cresceram quase oito vezes nos últimos dez anos. No ano passado, somaram mais de 10 bilhões de dólares, o equivalente a 5% de tudo o que país vendeu para o exterior.

Angola, com 2 bilhões de dólares, ocupa o topo da lista, seguida da África do Sul, com 1,8 bilhão, e da Nigéria, com 1,5 bilhão de dólares.

Chance em tempos de crise

Em tempos de crise financeira e econômica mundial, os novos mercados da África são bem-vindos, afirma Jorge Duarte de Oliveira, diretor da Exportaminas, agência de fomento às exportações de Minas Gerais, um dos estados brasileiros que mais vendem para o exterior.

"Os mercados emergentes sofreram muito menos com a crise. Eles têm se mostrado muito atraentes para empresas de menor porte que produzem bens de consumo num padrão de renda de classes C, D e E no Brasil e em padrões de renda verificados nos países da África e do Oriente Médio", explica.

Enquanto a China compra do Brasil principalmente matérias-primas, como soja e minério de ferro, deixando de lado os produtos manufaturados, a pauta de exportações para a África é muito mais diversificada. Apenas um terço são matérias-primas e dois terços são manufaturados, incluindo têxteis, mobiliário e máquinas agrícolas.

Aproximação com a África

O motivo disso, segundo o gerente do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias de Minas Gerais, Carlos Eduardo Abijaodi, é que a África ainda é demandante e não tem um parque industrial desenvolvido, comprando do Brasil grande parte de seus produtos manufaturados.

"A aproximação que o Brasil tem hoje com países africanos, com grandes afinidades, seja pelos hábitos ou pela facilidade de comunicação com os de língua portuguesa, no caso Angola e Moçambique, ajuda o Brasil a introduzir produtos que eram comprados dos países industrializados, que nesse momento não têm competitividade ou cujas indústrias paralisaram devido à crise financeira."

Em Angola, principal parceiro comercial do Brasil na África, atuam várias empresas brasileiras: a Petrobras procura petróleo na costa angolana, a Odebrecht asfalta estradas no país e a Camargo Corrêa está construindo, ao custo de 370 milhões de dólares, uma fábrica de cimento.

Nos próximos anos, também Moçambique deverá ter uma importância cada vez maior para as empresas brasileiras. A mineradora Vale está investindo 1,3 bilhões de dólares para explorar as reservas de carvão de Moatize, na província de Tete, no centro de Moçambique. Moatize é considerada uma das maiores minas de carvão não exploradas do mundo e deverá fornecer combustível de alta qualidade durante mais de cem anos.

Autor: Johannes Beck (as/rr)
Revisão: Simone Lopes

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